Quinta-feira, 05 de Dezembro de 2019
APOIO

Alunos fazem protesto após colega ser impedida de ir a escola com bebê

Estudante de 16 anos levou a filha de 10 meses para a escola, por não ter com quem deixar a criança, mas foi impedida de assistir aula por um inspetor. Colegas de classe deram apoio em manifestação nesta segunda (11)



WhatsApp_Image_2019-11-11_at_15.54.31_C8FA3FE3-8065-4D61-A22C-85E893D2054D.jpeg Foto: Divulgação
11/11/2019 às 16:11

Alunos da Escola Vasco Vasques, na Zona Leste de Manaus, realizaram uma manifestação, na manhã desta segunda-feira (11), após uma colega de classe ser proibida de assistir aula por estar com sua filha de dez meses no colo. Em vídeo viralizado na internet, o inspetor que impediu a estudante afirma que a ordem teria sido dada diretamente pela Secretaria de Educação.

A jovem mãe de 16 anos frequenta a escola há dois anos e relata que foi a primeira vez que teve de levar sua filha para a escola, pois não tinha com quem deixá-la na ocasião. Ela conta que sentiu extremamente humilhada.



“Isso é direito dos alunos. Eles falavam que eu não podia andar com filho na escola. Me trataram mal,  disse até que enquanto eu não saísse da sala de aula com a criança, o professor nem iria entrar”, afirmou a jovem sobre o ocorrido.

O monitor foi identificado até então como Vagner. De acordo com a estudante, ele chegou a alegar que retirar a criança era uma questão de saúde. “Ele disse que minha filha podia pegar alguma doença se ficasse lá. Naquele momento, eu só queria apoio”, lamentou.

A jovem disse se sentir julgada por ser mãe na adolescência. Hoje, ela diz querer que mudem a gestão da escola, uma vez que essa não é a primeira vez que os alunos se sentem desamparados. Outros colegas reclamaram inclusive de problemas estruturas básicos, como merenda escolar.

Em nota, a Seduc diz que “a postura do inspetor não condiz com a boa prática pedagógica estimulada pela secretaria, que orienta a abordagem de casos como esse sem que haja qualquer constrangimento aos pais e alunos envolvidos”.

Também alega que a equipe pedagógica da instituição apurou e garantiu retratação dos envolvidos, inclusive com os pais e responsáveis da adolescente. “A aluna segue frequentando as aulas normalmente, sem que haja qualquer prejuízo às atividades dentro da instituição”, porém, os alunos que participaram da reivindicação em frente a escola foram proibidos de adentrar o local.

A presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM), Vanja Santos, destaca que essa ação infringe o Artigo 205 da Constituição, que diz que é dever de todos ter direito à Educação. “Primeiro o direito de ir e vir está sendo impedido. Não é porque ela está com filho que não vai entrar na escola. Fora que isso deixa muito claro: está faltando creche em Manaus, além da falta de sensibilidade dos profissionais para lidar com essas situações. As mulheres têm sido responsáveis pela reprodução da humanidade, e isso não pode acontecer, se é uma falta de funcionabilidade do Estado”, disse.

A presidente vai além e afirma que a situação é uma demonstração também de conflitos maiores, como a falta de debates sobre educação sexual e, até mesmo, gravidez na adolescência.  “Isso é um problema muito maior do que parece, uma situação como essa não é para ficar indignada, é para gente entender como um ultraje aos direitos garantidos constitucionalmente, e o dever do Estado. Isso é um grande alerta de falta de políticas públicas que insiram a mulher na sociedade, faltando equipamentos sociais básicos como a creche”, completou.

Repórter de A Crítica

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