Domingo, 08 de Dezembro de 2019
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Alvo da Polícia Federal, irmão do senador Omar Aziz está foragido

Inquérito aponta que ele e o suplente de vereador Jader Pinto se consideravam "donos do Estado" e cobravam propinas de empresas



MURAD1_547F198E-4D58-4CDD-BF30-7C06311518F0.JPG Foto: Arquivo A Crítica
11/10/2018 às 13:35

Irmão do senador Omar Aziz, o empresário Murad Aziz é considerado foragido pela Polícia Federal. Ele era um dos alvos da operação Cashback, deflagrada na manhã desta quinta-feira pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público Federal, Controladoria-Geral da União e Receita Federal.

A operação, que é a quarta fase da operação Maus Caminhos,  investiga novos desvios de recursos da saúde do Estado ligados ao esquema descoberto em 2016 liderado pelo empresário e médico Mouhamad Moustafa.  Além de Murad, outros cinco alvos da Polícia Federal ainda são considerados foragidos.



Entre os presos, estão o advogado Lino Chíxaro, ex-presidente da Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), e o empresário Sérgio Bringel, da empresa de equipamentos hospitalares que leva seu sobrenome.  As investigações apontam ainda o envolvimento do deputado federal Sabino Castelo Branco, cuja prisão não foi pedida porque ele encontra-se internado desde o ano passado por conta de um Acidente Vascular Cerebral.

O irmão de Omar é investigado por tráfico de influência e lavagem de dinheiro. De acordo com o delegado federal Alexandre Teixeira, dentro da organização criminosa "existem pessoas que fazem os trâmites utilizando o poder político que detém. Alguns dos investigados vendiam influência e auferiam lucro que era retirado dessa atividade ilícita. A respeito deste investigado, encontramos indícios de que ele operava neste sentido, praticando tráfico de influência e lavagem de dinheiro", afirmou ele.

De acordo com informações que constam no inquérito 423, da Polícia Federal, Murad operava em conjunto com Jader Helker Pinto, que é suplente de vereador pelo PV. Em conversas que constam no inquérito, Jader e Murad cobram valores em dinheiro de uma empresária que prestava serviços de assistência à saúde no Governo do Estado.  De acordo com os relatos, Jader se dizia emissário de Murad Aziz e afirmava, para cobrar a empresária, que 'O Estado é nosso', referindo-se à influência que ambos detinham junto ao Governo do Estado. O contrato da empresária foi rompido de maneira abrupta, depois que ela se negou a continuar os pagamentos. 

O superintendente da Polícia Federal, Alexandre Saraiva, afirmou que, por conta do esquema descoberto, a população do Amazonas se viu privada de melhores recursos para atender suas necessidades médicas. "A Universidade de Minas Gerais publicou um estudo que diz que 300 mil brasileiros morrem por atendimento inadequado em hospitais. Nós podemos dizer que esses investigados, que se denominam donos do Estado, eram também donos da saúde dessas pessoas", afirmou ele.

De acordo com o superintendente, o material apreendido hoje - entre os quais constam nove veículos de luxo - será analisado e pode gerar novos desdobramentos da operação.  " O compromisso da Polícia Federal é de utilizar todos os recursos disponíveis para que todos os responsáveis sejam identificados",  garantiu.


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