Quinta-feira, 24 de Setembro de 2020
DADOS

Amazonas puxa crescimento da indústria no mês de junho

Estado foi o que alcançou, numa lista de 15 unidades da federação pesquisadas, o maior crescimento da produção industrial em junho



DADOS_C6C06198-AC61-466B-8CEB-D4E9DB00CF9C.JPG A Yamaha, uma das empresas produtoras de motos no Polo Industrial de Manaus, retomou as atividades em abril com medidas de segurança contra a Covid-19. Foto: Divulgação
11/08/2020 às 21:04

A indústria do Amazonas se recupera aos poucos dos efeitos econômicos da pandemia. A Pesquisa Industrial Mensal divulgada ontem, pelo IBGE, mostra que a indústria amazonense registrou crescimento de 65,7% em junho em comparação com maio de 2020. Um resultado que coloca o Amazonas a níveis de produção semelhantes ao do período de pré-pandemia.

“É reconfortante constatarmos que estávamos certos em nossas previsões, sem otimismo exagerado. Esperávamos em junho confirmar a tendência de crescimento da indústria amazonense, que teve sua produção liderada, principalmente pelos setores de duas rodas e químico. Essa tendência deverá ser consolidada ainda mais com os resultados que esperamos no mês de julho. As perspectivas são boas”, disse Antonio Silva, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam).



O desempenho do Amazonas foi bem maior do que a média nacional (8,9%). Um dos principais motivos é a antecipação do retorno à produção, ainda que de forma parcial, em comparação às outras unidades produtivas que paralisaram ou interromperam atividades em função dos efeitos causados pela pandemia de covid-19.

“Várias empresas tomaram a frente em Manaus fazendo processos que pudessem realmente prevenir atividades do trabalho laboral com bastante segurança”, disse Claudio Barrella, diretor da Tutiplast Indústria e Comércio Ltda.

Setores

De acordo com o IBGE, as atividades que tiveram resultado positivo foram: impressão e reprodução de gravações - discos fonográficos (84,7%), fabricação de produtos de borracha e material plástico - peças plásticas, garrafas e rolhas (26,6%), fabricação de outros equipamentos de transportes - motocicletas e suas peças (15,2%) e fabricação de produtos de metal exceto máquinas e equipamentos - aparelhos de barbear, tampas e cápsulas, artefatos para indústria automobilística (10,9%), Outros equipamentos de transportes - motocicletas e suas peças (15,2%).

"Com o advento da pandemia, a Yamaha adequou os volumes de produção à nova realidade de mercado, e vem cumprindo exatamente como planejado", disse Afonso Cagnino, gerente de Relações Institucionais da Yamaha.

Em junho, as indústrias extrativas tiveram resultado de -17,2% em relação a junho de 2019, e as de transformação, resultado de -10,0%.

As atividades que contribuíram para esse resultado negativo foram: fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis - gás natural, gasolina, diesel, nafta e combustíveis (-35,8%), fabricação de bebidas - preparação de xaropes (-21,9%), fabricação de máquinas e equipamentos - ar condicionado parede e janela, terminais bancários, ar condicionado centrar (-21,0%), Fabricação de máquinas e equipamentos e materiais elétricos (-7,5%) (conversores, alarmes, microondas, condutores).

Blog: Denise Kassama, economista  

“Eu vejo  com cautela porque eu acho que nós vamos começar a enxergar melhor este cenário a partir de agora, quando as empresas da Zona Franca vão começar a produzir em função de datas importantes como o Natal. Aí sim a gente vai ver se o nível de emprego vai ser retomado, se vai voltar a crescer ou vai ficar estável. Dentro deste movimento de retomada do crescimento é importante acompanhar o nível de geração de empregos. Como se sabe, a gente vem acumulando déficits entre contratações e demissões ao longo deste primeiro semestre. Infelizmente, eu creio que o nível de empregos dificilmente voltará ao mesmo nível do período pré-pandemia, porque as empresas buscaram uma reengenharia de equipamentos para aumentar a produtividade e, provavelmente, alguns postos de trabalho vão deixar de existir. Esta questão da geração de emprego é tão importante quanto a retomada de atividade do PIM”.

‘Estão todas fazendo hora extra’

Valdemir Santana, representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT Amazonas) e do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal) afirma que o resultado positivo da indústria não surpreende.

O sindicalista relata que recebeu várias denúncias de trabalho abusivo durante a pandemia. “As empresas estão todas fazendo hora extra. Desde março, essas empresas todas estavam produzindo direto, usando a medida provisória erradamente, colocando algumas pessoas para trabalhar aos sábados, domingos e feriados”, disse referindo-se à MP 936, programa do governo que permite suspensão de contrato de trabalho e redução de salários.

A MP determina, por exemplo, que a redução de salário só pode acontecer se o empregado continuar trabalhando, mas com diminuição proporcional da jornada, sem alteração no valor da hora trabalhada.

Segundo Valdemir Santana, nem todas as denúncia puderam ser fiscalizadas pelo Ministério de Trabalho.

O apontamento do sindicalista levanta questionamentos quanto ao custo real para os trabalhadores deste bom resultado da indústria do Amazonas.

Média nacional de elevação é de 8,9%

De acordo com a pesquisa do IBGE, a média nacional de crescimento da indústria foi de 8,9% no mês de junho. É o segundo mês consecutivo de alta da produção industrial.

Enquanto o desempenho da indústria amazonense de 65,7% em junho de 2020 em relação ao mês anterior foi o melhor em relação às outras Unidades da Federação. Os piores desempenhos foram os do Mato Grosso, com –0,4%, do Espírito Santo, com 0,4% e o da Bahia, 0,6%. Os melhores desempenhos foram os do Amazonas, com 65,7%, do Ceará, com 39,2% e do Rio Grande do Sul, com 20,5%.

O presidente executivo da Eletros - Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos, José Jorge do Nascimento Junior acredita que é prudente aguardar os meses de agosto e setembro para confirmar se realmente o crescimento da indústria amazonense é sustentável ou se foi um atendimento de uma demanda reprimida. “Estamos confiantes de que esse é um crescimento sustentável”, disse em nota.

“Esse crescimento que o setor teve é um indicativo de retomada com uma realidade diferente da prevista durante a pandemia onde tivemos uma estagnação de 80% em alguns momentos”, ponderou.

Repórter de A Crítica

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