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Manaus
ECONOMIA

Amazonas precisa diversificar economia para ficar menos dependente da Zona Franca

Com “tempo ruim” para indústria no Estado, é necessário acelerar o desenvolvimento de potenciais como psicultura, turismo, minério e fruticultura 20/01/2019 às 06:15
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Piscicultura esbarra no alto custo das rações, importadas de outros estados. Foto: Divulgação
Nícolas Daniel Marreco Manaus (AM)

Após anos de discursos políticos, o Amazonas, mais do que nunca, precisa ter pressa para diversificar sua base econômica. A reunião do governador Wilson Lima (PSC) com o ministro da Economia Paulo Guedes na semana passada, deixou isso claro quando foi exposto que a indústria incentivada não terá vida fácil no governo Bolsonaro. 

Por outro lado, o governo federal deu sinais de que apoiará o desenvolvimento de potencialidades naturais do Estado, como piscicultura, fruticultura, turismo e a mineração de silvinita, para a retirada de potássio. Esses foram alguns segmentos citados na reunião em Brasília para tornar o Amazonas menos dependente do Polo Industrial de Manaus (PIM). 

No entanto, ainda é  preciso um longo caminho até que esses setores tenham peso relevante. Atualmente, essas atividades têm participação praticamente nula na composição do PIB, conforme dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo especialistas, se um plano estruturado para desenvolvimento desses setores fosse implantado hoje, os primeiros reflexos na economia só apareceriam depois de dois ou três anos. 

Ventos novos

No que tange à fruticultura, o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, explicou que mesmo sem subsídios do governo federal, o Amazonas detém o quinto maior polo produtivo de abacaxi do Brasil. Situado na comunidade Novo Remanso, em Itacoatiara, a cooperativa local produziu 75 milhões de frutos em 2018, em contraste com 2017 quando marcou 67 milhões. No ano passado, cerca de R$ 112, 5 milhões foram movimentados.

“Como a Assembleia Legislativa aprovou a PEC para o investimento de 3% do orçamento do Estado no setor primário, esperamos alavancar até quadruplicar as verbas do Governo com expectativa de crescimento de 7% no setor”, indicou. 

Para além da produção de citros da Região Metropolitana de Manaus (RMM) também soma-se neste cenário o Açaí e o Guaraná, produzido fortemente em Codajás e Maués, respectivamente. Ao todo, 13.558 estabelecimentos estão reconhecidos oficialmente como produtores. 

“A maior dificuldade do setor agropecuário é ainda esperar a mobilização política para o desenvolvimento dessas potencialidades. O Pará, por exemplo, não possui incentivos fiscais como a nossa ZFM e conseguiu ser o maior produtor de açaí do País”, destacou.

Do lado da piscicultura, Rio Preto da Eva, Manaus e Itacoatiara despontam no topo do ranking com 5.802 toneladas de peixe vendido em 2017, segundo o IBGE. Tambaqui, matrinxã e curimatã são os tipos de peixes onde mais se encontram criadouros no Estado, totalizando juntos 2.765 unidades.

Já a mineração de silvinita para a retirada de potássio, ainda não registra atividades oficiais. A Potássio do Brasil, no entanto, é a principal atuante na região e pretende explorar uma jazida capaz de abastecer o país pelos próximos 30 anos. 

“Atualmente, esse minério é importado em 95% do que é usado nas lavouras do Brasil. Aqui no Estado, estamos há três anos parados por causa de impasses ambientais e acordos com comunidades indígenas não fechados, o que seria solucionado muito mais rápido com o incentivo de políticas públicas sobre o tema”, afirmou Guilherme Jacómé, diretor regional da empresa.

Dificuldades pelo caminho

Sobre dados da atividade turística no Amazonas, a pasta responsável (Amazonastur) informou que o levantamento estatístico não está completo, embora a titular Lene Medeiros tenha falado sobre os primeiros passos para reestruturar o setor. “Temos 15 anos de atividade para otimizar, em que Manaus é a primeira prioridade por ser a porta de entrada do Estado. Em seis meses, o plano de elaboração de destinos vai começar a ser montado nos principais municípios”, projetou.

Cidades da Região Metropolitana  e Parintins devem ser direcionadas no processo de descentralização do setor. O governo do Estado vai promover capacitação por meio de consultorias, segundo Lene. 

O diretor do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), José Luiz Zanirato Maia, avaliou que a principal dificuldade para o desenvolvimento de novos segmentos é o repasse de verba pública para setores que não possuem cadeia produtiva sólida. “Você dá os recursos mas esquece da logística, do armazenamento, da avaliação de conformidade. Nós possuímos muito mais insumos de resíduos do que de produtos. O grande gargalo é o escoamento”, declarou.

Em 2018, foi aplicado na produção agropecuário em torno de R$ 111,8 milhões com um empenho de mais de R$ 122 milhões, conforme o Portal da Transparência Fiscal. Em 2017, apenas R$ 1,8 milhão foi pago por parte do Governo.

O não investimento constrói o atual cenário em que o Amazonas é rico em matérias-primas subutilizadas e precisa importar milhões em insumos para movimentar uma indústria ainda combalida pela crise e sem perspectivas de fortalecimento por indução da atual política industrial do País.

Primeiros reflexos em três anos

O pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), José Alberto Machado, considerou que se um plano estratégico envolvendo as quatro matrizes for implantado em 2019, demoraria em torno de três anos para a economia local começar a sentir os primeiros reflexos. 

“Nenhum processo produtivo tem efeito em curtos períodos até que emplaque no PIB estadual. O Governo deve começar pela estruturação dos vários escopos de estudos divulgados nessas áreas por instituições estaduais e nacionais, dando forma à sistematização de um escopo geral. A partir daí, políticas públicas podem se concentrar em objetos de estudos condensados e precisos”, pontuou.

O pesquisador ainda sugeriu que o gás natural deve estar incluído como peça-chave dos arranjos produtivos, dado  seu potencial econômico sustentável. A avaliação posterior de onde existem gargalos e  o trabalho de atração de investidores seriam passos seguintes nessa implementação.

Fruticultura

Na produção de frutas, o principal item do Amazonas é a laranja, com destaque ao município de Rio Preto da Eva, totalizando 168 milhões de toneladas em 2017. Em segundo lugar, registra-se o abacaxi com 67 milhões, na comunidade Novo Remanso, e o açaí com 81.880 toneladas, com Codajás e Anori liderando a produção.

Psicultura

O Amazonas produz 25,4 toneladas de peixes em cativeiro por ano; 19 milhões  de pós larvas; e 3,5 milhões de alevinos. 3.500 produtores são cadastrados no Estado tendo a 92% da produção baseada em tambaqui, 5% em matrinxã e outros 3% em outras espécies.

Turismo

O diagnóstico das atividades do turismo no Estado ainda não estava fechado até a publicação desta edição. Sabe-se que apenas na temporada de cruzeiro, o Estado movimenta R$ 2,1 milhões. Sem falar no turismo de pesca e outras modalidades.

Mineração

O Amazonas possui a maior jazida de silvinita do País. A empresa Potássio do Brasil  espera o licenciamento ambiental para iniciar a exploração.

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