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Manaus
SUBIDA DAS ÁGUAS

Amazonas tem 'alerta amarelo' para cheia dos rios em 2019

Estado já atua de forma preventiva e, ontem, iniciou um curso para preparar os gestores do interior do Amazonas para possíveis grandes inundações 10/12/2018 às 20:57 - Atualizado em 11/12/2018 às 08:26
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Estado se prepara para grandes enchentes, mas fenômeno só poderá ser confirmado a partir de março. Foto: Euzivaldo Queiroz
Álik Menezes Manaus (AM)

O início da cheia dos rios com níveis das águas considerados altos para o período somado ao aumento das chuvas acendeu o alerta “amarelo” para a possibilidade de uma cheia de grandes proporções em 2019. Embora ainda não seja possível afirmar que isso vá acontecer, o Estado já atua de forma preventiva e, ontem, iniciou um curso para preparar os gestores do interior do Amazonas para possíveis grandes inundações. 

Apesar da expectativa de uma grande cheia, o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) no Amazonas, José Maria da Silva Maia, é cauteloso. Ele disse que é preciso continuar monitorando tecnicamente antes de adiantar algum prognóstico e que uma posição real sobre uma possível enchente anormal deve ser divulgada apenas em março do próximo ano. 

O órgão, disse ele, não fará nenhuma antecipação antes que haja comprovação por meio do levantamento técnico. “Estamos em campo fazendo levantamento técnico, nossas estações estão em pleno vapor. O alerta amarelo acendeu, mas nem por isso podemos adiantar um prognóstico. Trabalhamos com índices técnicos e científicos”, ressaltou o superintendente. 

Os dados do último Boletim de Monitoramento da Superintendência Regional do órgão no Amazonas, divulgado na sexta-feira passada, mostram que três das cinco principais bacias de rios apresentam níveis de enchente altos. Purus, Negro e Madeira, a mais preocupante. “Considerando a atual época do ano, as cotas atualmente observadas são as mais altas de toda a série histórica, para o mês de dezembro”, diz o documento.

O secretário da Defesa Civil do Amazonas, Fernando Pires Júnior, disse que o volume de chuvas no Estado é muito grande e ultrapassou o esperado para esse período, mas ainda está dentro da normalidade. “Algumas calhas já estão aumentando o volume e isso acende a luz amarela para a Defesa Civil do Estado. O volume é alto na calha do Juruá, Purus e Madeira. Estamos com representantes nos municípios e já começam a vislumbrar um fenômeno de enchente para 2019. Então, estamos atuando para estar preparados em casos de desastres”, destacou.

Prevenção e resposta 

Com esse propósito, a Defesa Civil do Amazonas iniciou ontem o  “Curso teórico-prático em Ações de Prevenção e Resposta”. O cursos é destinado  para preparação avançada dos coordenadores de Defesa Civil dos 62 municípios, visando uma possível enchente de grandes proporções em 2019 e outros eventos naturais extremos.

“O objetivo é orientar e munir nossos coordenadores de novas técnicas, que agilizem a resposta à população, no caso de inundação e outros desastres que venham a ocorrer”, explicou Fernando Pires Júnior. 

Morador vê subida anormal

Morador da Praia da Ponta Branca, no bairro de Educandos, há 44 anos, o autônomo Eduardo Assunção Martins acredita que haverá uma grande enchente em 2019, segundo sua “experiência”. “Normalmente, até o dia 17 de dezembro ainda tem muita praia aqui, mas você mesmo pode ver que a água já está bem próxima do nosso campo de futebol. Eu sempre morei aqui, eu sei do que estou falando, o rio era para estar mais lá em baixo. Só chegou aqui em cima antes do dia 15 nas vezes de grande enchente”, disse ele. 

O morador disse ainda que o tradicional Torneio de Futebol do Vinho corre o risco de ser adiado ou pode até não ser realizado esse ano. O evento é realizado sempre no dia 24 de dezembro. “Já são mais de 23 anos de tradição, mas estamos vendo que pode não acontecer. O rio está acima da média e subindo rápido. Acho que vamos ter que diminuir o campo ou se continuar subindo muito rápido pode ser preciso adiar ainda mais”, disse.  

Sipam prevê uma ‘anomalia’

Em relação às condições meteorológicas na região no início do fim deste ano, segundo parecer do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), o mês de novembro de 2018 começou em condições de normalidade, mas, ao longo do mês, a situação evoluiu gradativamente para a condição de excesso de chuvas, sobre as regiões oeste, sul e sudoeste das bacias da Amazônia Ocidental, onde ficam as regiões do Juruá, Purus, Madeira e Alto Solimões.  Para o ano 2019, as previsões climáticas do Sistema de Proteção da Amazônia indicam anomalia e ainda com a previsão de ocorrência do fenômeno El Niño no primeiro trimestre.

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