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ALARMANTE

Amazonas tem números na educação abaixo da média nacional

Série de reportagens vai mostrar os desafios que o Estado precisa vencer para alcançar metas: acesso a creches e pré-escola é um deles 26/03/2018 às 06:48
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(Foto: Jander Robson)
Álik Menezes Manaus

Apesar de uma pequena melhora nos índices da educação, o Amazonas ainda precisa avançar para alcançar a média ideal, segundo os dados do Anuário Brasileiro da Educação 2017. É o que A CRÍTICA vai mostrar, a partir de hoje, em uma série de matérias que reúnem os resultados do relatório, que analisou o cumprimento das 20 metas do Plano Nacional de Educação (PNE) em todos os estados brasileiros.

A primeira meta do PNE é universalizar a educação infantil na pré-escola para crianças de 4 e 5 anos e ampliar a oferta de educação infantil em creches, atendendo, no mínimo, 50% das crianças de até 3 anos, até o fim de 2024.

Com relação à pré-escola, em 2015, o Amazonas alcançou 75,8% das crianças de 4 e 5 anos, abaixo da média nacional, que  foi de 90,5%.

Nesse mesmo ano, no caso de crianças que frequentam creches no Estado (com idade entre 0 e 3 anos), o índice apontou 9,7% de cobertura sobre a população nessa faixa etária, bem longe do proposto pelo PNE, de 50%, enquanto a média nacional foi de 30,4%.

O pequeno Murilo Eduardo Oliveira Ramos, de 2 anos, é apenas uma das crianças com idade para estarem na creche, mas que estão longe do ambiente escolar. Segundo a mãe de Murilo, Bruna Correa de Oliveira, 21, moradora do bairro Zumbi 3, localizado na Zona Leste da cidade, o filho ainda não está estudando porque a única creche próxima da casa deles não está pronta e os pais do pequeno não têm condições de pagar uma escola particular ou, até mesmo, levá-lo diariamente a outras creches, em bairros mais distantes.

“Além de não encontrar vagas nos bairros mais próximos de casa, a gente não tem condições de pagar condução todo dia para levar e trazer, muito menos pagar uma creche particular aqui no bairro mesmo. Eu fico triste porque ele está na idade de descobrir as coisas, curioso e quer saber de tudo, mas infelizmente não posso fazer nada”, lamentou a dona de casa.

Crise financeira

A falta de condições financeiras também é apontada no anuário como uma das principais dificuldades para se atingir a meta de crianças matriculadas nas creches. No Brasil, apenas 21,9% das crianças de 0 a 3 anos são atendidas pelas creches, enquanto a meta é de 50%.

Ainda conforme números do relatório, apenas 88,3% das crianças mais pobres estão matriculadas na pré-escola e esse índice fica a 11,7% da meta de universalização.

Semed: ‘crise afetou’

A Secretaria Municipal de Educação informou que atende 3.962 crianças em idade de creche e 42.421 em idade de pré-escola e possui 14 creches e 113 centros municipais de educação. Informou ainda que a crise vivida pelo País afetou o plano de investimento da secretaria.

Nove anos de ensino para todos

A segunda meta do PNE é universalizar o ensino fundamental de nove anos para todas crianças e adolescentes de 6 a 14 anos e garantir que pelo menos 95% deles concluam essa etapa na idade recomendada até último ano de vigência do PNE.

Em 2015, 96,4% dos  alunos de 6 a 14 anos estavam matriculados em escolas no Amazonas. O índice nacional foi de 97,7%. Se confrontado com o ano anterior, quando os números de matriculados foram 95,7%, o crescimento foi apenas de 0,7% no Estado.

Um dos “inimigos” na hora de atingir a meta é a evasão escolar, motivo de preocupação também para a dona de casa Maria Izabel Batista Alves, 32, cuja filha, matriculada na rede pública, está grávida. “Temo que ela não conclua os estudos por falta de incentivo na escola”, desabafou.

Pouco mais da metade chega ao ensino médio

A terceira meta do PNE era universalizar, até o ano passado, o atendimento escolar para adolescentes de 15 a 17 anos e elevar, até o final do período de vigência do PNE, em 2024, a taxa líquida de matrículas no ensino médio para 85%.

Em 2016, segundo dados do anuário, o Amazonas alcançou apenas 58,8%, enquanto a média nacional foi 62,7%. Ainda segundo os dados, apenas 52,6% dos jovens de 19 anos concluíram o ensino médio em 2015.

 O  levantamento revela ainda que 71% dos jovens brancos  do País estão no ensino médio, enquanto apenas 56,8% dos pretos e 57,8% dos pardos são atendidos. Já entre o um quarto dos  mais ricos a taxa de atendimento no ensino médio chega a 86,6%, enquanto isso apenas 52,5% do 1/4 mais pobre  estão nesta etapa escolar. 

Em Manaus, o ajudante de pedreiro Labuinyê Oslã Andrade, 22, contou que não concluiu o ensino médio porque precisava trabalhar para se manter em Manaus e ainda não conseguiu conciliar o estudo e o trabalho. “Não é fácil quando você já tem uma família para cuidar. Eu estou querendo concluir, mas é bem complicado para mim”, disse.

O jovem revelou que teme que o filho dele, Pietro Emanuel, de 3 anos, passe pela mesma experiência que ele. O pequeno ainda não está na creche porque não há nenhum público no Zumbi 3, bairro que ele mora, na Zona Leste, e o pai afirma que não tem como pagar uma creche particular e não sabe se será fácil ou não conseguir matricular  e incentivar o filho. 

 

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