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Manaus
em um ano

Amazonas tem o maior aumento de mortes violentas intencionais no País, diz anuário

Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra aumento de 19,6% em casos desse tipo no Amazonas, enquanto a média nacional ficou em -2,9% entre 2014 e 2015. 03/11/2016 às 09:05 - Atualizado em 03/11/2016 às 09:36
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Em julho de 2015, Manaus registrou uma série de homicídios que ajudaram a impulsionar os dados (Foto: AC)
Dante Graça e Vinicius Leal Manaus (AM)

O Amazonas registrou  o maior aumento percentual de todo o País na quantidade de mortes violentas intencionais registradas em 2015, em comparação com os dados de 2014. Os dados constam no 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (3).

Conforme o anuário, foram 1460 mortes violentas intencionais em 2015, ante 1201 em 2014. A variação, de 19,6% em um ano, é a maior registrada em todo o País.  A média nacional foi de queda de 2,9% nas ocorrências. Depois do Amazonas, a maior variação foi em Sergipe, onde o acréscimo foi de 18,2%, seguido de Roraima, com o aumento de 15,9% no intervalo de um ano.  

De acordo com o levantamento, foram 37,1 casos a cada 100 mil habitantes no ano passado no Amazonas, um dado bem acima da média nacional, que é de 28,6 por 100 mil habitantes.  Neste índice, no entanto, o Amazonas é superado por 10 Estados. A maior taxa de mortes violentas intencionais por habitante foi em Sergipe, com 57,3.

As mortes violentas intencionais incluem dados de homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte, além de incluir policiais civis e militares mortos em situação de confronto ou morte decorrente de intervenção policial (em serviço ou fora de serviço). Nestes índices, o único que houve redução no intervalo de um ano foi policiais civis e militares mortos em situação de confronto fora de serviço - foram 11 casos em 2014 e 7 em 2015, conforme o anuário.

Sobre homicídios dolosos, o número saltou de 1108 para 1313; os latrocínios, de 45 para 76; as lesões corporais seguidas de morte, de 18 para 26. As mortes decorrentes de intervenção policial (em serviço ou fora de serviço) saltaram de 30 para 45.

O anuário baseia seus dados em informações de Secretarias Estaduais de Segurança Pública e/ou Defesa Social; além de usar dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do próprio Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo anuário.

Ressalva

No caso dos dados do Amazonas, o estudo apresentou uma ressalva de que “não há como atestar a qualidade dos dados informados”, ou seja, o Amazonas é o único Estado do País com tal ressalva. A respeito disso, o titular da Secretaria de Estado da Segurança Pública, Sérgio Fontes, afirmou que houve uma diferença na metodologia.

“É um erro que não queríamos ter protagonizado. O servidor responsável pelas informações realmente teve uma divergência e não atualizou (os dados corretamente). O funcionário responsável pela estatística divergia. Foi um equívoco da Secretaria. Fizemos em uma metodologia diferente, que já foi ajustada para o próximo anuário”, explicou Fontes.

O secretário ressaltou também que a metodologia correta já consta no site da secretaria. “Se você abrir o portal da SSP hoje estão expostos todos os dados corretamente. A transparência é total, mês a mês. Quantos latrocínios, quantas mortes por intervenção policial, quantas leões... Tem tudo no nosso portal”, afirmou Sérgio Fontes.

Análise dos dados

Para o secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, várias razões contribuíram para o aumento do número de mortes violentas intencionais no País. “Nós temos várias possibilidades para isso. A primeira delas é a crise que aconteceu no Amazonas e em todo o País. Outra é a apreensão de grande quantidade de cocaína e as várias mortes por cobrança por espaço (entre traficantes)”, explicou.

O secretário aponta o tráfico de drogas como principal motivador para as mortes violentas no Amazonas. “Todas essas mortes vêm do uso ou do tráfico de drogas. Inclui o álcool também e a proximidade com os países produtores de cocaína”. Fontes também lembrou das chacinas que aconteceram em Manaus no ano de 2015, que ajudaram a alavancar o número de mortes violentas. “Ano passado tivemos duas ou três grandes chacinas, só uma com 30 e poucos mortes. E tinha uma anterior. Ajudou a elevar”, explicou o secretário.

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