Terça-feira, 20 de Abril de 2021
DE VOLTA AO LAR

Amazonense curado após ser transferido para Goiás relata como é voltar para casa

O Dj e motorista de app Thiago Duarte, de 25 anos, conta como foi a experiência de ter sido internado pela primeira vez na vida, e a sensação do retorno após a cura da Covid-19



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30/01/2021 às 18:34

“Fiquei cinco dias na UTI. Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida, porque eu nunca tinha ficado nem internado num hospital em toda a minha vida. E em outro estado, sozinho, sem família, sem ninguém e de repente falarem que eu estou indo pra uma UTI é bizarro, é completamente bizarro. A gente se sente impotente, se sente fraco”, disse emocionado.

O relato é do motorista de aplicativo e DJ, Thiago de Águila Duarte, de 25 anos. Ele foi um dos pacientes com Covid-19 que precisaram ser transferidos para outro estado para receber atendimento médico e hospitalar, devido ao colapso no sistema de saúde em Manaus. Thiago passou 11 dias em Goiânia, no estado de Goiás, internado no Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP), onde se recuperou da doença e, na última quinta-feira (28), retornou à Manaus curado.




Além de ser motorista por App, Thiago também é Dj. Foto: Daniel Rebelo

Ainda em recuperação das sequelas deixadas pela Covid-19, Thiago se emociona ao relembrar toda a trajetória de luta contra a doença. Ele conta que sentiu os primeiros sintomas no início de janeiro, e pensou que poderia ser apenas uma gripe, mas os sintomas só pioravam. Do oitavo ao nono dia de manifestação da doença, ele apresentou febre alta e dificuldade para respirar, e foi a partir daí que resolveu procurar um hospital.

Segundo Thiago, ao chegar ao Hospital João Lúcio, a prioridade de atendimento era para pessoas que estivessem com a saturação abaixo de 90. Como não era o seu caso, mesmo com falta de ar, Thiago não foi atendido. Sem melhoras, ele tentou atendimento no Hospital 28 de agosto, onde foi atendido e internado, devido ao quadro de obesidade, considerado um fator de risco para o desenvolvimento do quadro grave da covid-19.

Agonia sem oxigênio

No mesmo dia em que foi internado, Thiago teve uma piora no quadro e precisou de suporte de oxigênio. Mas pela escassez do produto no estado, a prioridade eram os idosos, e Thiago teve que passar um dia e meio sem oxigênio, apesar da dificuldade respiratória, até que fosse transferido para outro estado.

“Eu digo assim que foi a mão de Deus que me levou pra Goiânia, porque eu acho que se eu não tivesse entrado logo naquela ambulância, onde recebi oxigênio, e o oxigênio que me deram no avião também, eu não sei se eu estava vivo aqui hoje”, relembrou emocionado.

O motorista de aplicativo relembra também a reação dos familiares ao receberam a notícia de que ele seria um dos pacientes transferidos para outro estado. “Pela minha mãe eu não teria ido. A assistente social ligou, e a gente se desentendeu porque eu disse que ia, e ela queria que eu ficasse aqui, porque ela achava que ela estando perto de mim era mais fácil pra ela cuidar de mim. Mas depois ela viu que o melhor foi eu ter ido pra lá”, disse.

Alívio

Thiago conta que chegou em Goiânia estável, mas logo pela noite apresentou uma febre alta e teve que ser transferido para UTI, onde ficou por cinco dias.  Passados alguns dias internado, os médicos passaram a administrar uma quantidade menor de oxigênio, e Thiago foi reagindo bem ao tratamento, até não precisar mais do suporte para respirar. 

“Depois eu já comecei a andar, porque eu nem andava, comecei a ir ao banheiro, aí fui transferido para a enfermaria”, contou. “As pessoas lá foram muito maravilhosas, a gente tinha uma estrutura de nutricionista, dentista, técnico de informática, enfermeira, médicos, assistente social, psicólogo. O que eu tenho pra agradecer ao povo de Goiânia é assim algo magnífico”, completou, ao destacar que foi preciso ele passar por tudo isso para entender a gravidade da doença.

“Quando eu cheguei em casa estava todo mundo me esperando aqui com plaquinhas. Fui muito bem recepcionado. Quando cheguei minha mãe fez uma janta, matei aquela saudade da comida da minha mãe. Foi muito especial”, disse Thiago, que pertence a uma família numerosa, onde moram juntos, ele, seu filho, mãe, pai, irmã, cunhado e dois sobrinhos.


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