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Manaus
Turismo da beleza

Parintinense morre após realizar cirurgia plástica na Venezuela

A comerciante Dioneide Leite, 36, chegou no país vizinho no início do mês para realizar ao menos seis procedimentos estéticos. Um deles teria perfurado o pulmão dela. 13/09/2016 às 20:39 - Atualizado em 13/09/2016 às 20:53
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Dioneide Leite foi para a Venezuela de carro com duas amigas. Ela morreu na madrugada desta terça-feira. (Divulgação)
Kelly Melo Manaus (AM)

Após passar dias em coma, a parintinense Dioneide Leite, 36, morreu ontem, na cidade de Puerto Ordaz, na Venezuela, depois passar por vários procedimentos estéticos. A família agora luta contra a burocracia para trazer o corpo da mulher para o Amazonas. 

Dioneide, que era comerciante, saiu de Parintins (a 325 quilômetros de Manaus) no dia 29 de agosto, veio para Manaus e daqui seguiu para a Venezuela com duas amigas, de carro, para realizar ao menos seis cirurgias plásticas, entre elas implantação de próteses mamárias, abdominoplastia e lispoaspiração. A suspeita é de que este último  procedimento tenha causado as complicações na amazonense, que ficou em coma por cerca de 10 dias.  A suspeita da família é de que, durante a lipo, o pulmão de Dioneide tenha sido perfurado. 

Dioneide participava de grupos nas redes sociais onde especialistas venezuelanos influenciam as mulheres a viajarem até o país vizinho para realizar o procedimento, que é mais barato que no Brasil. 

Segundo pessoas próximas a comerciante, o médico responsável pela cirurgia seria o venezuelano Oscar Hurtado, que nas redes sociais também se identifica como cirurgião geral, cirurgião oncológico, cirurgião estético e mastologista.

No Facebook, vários amigos da comerciante se manifestaram durante os dias em que ela  apresentou complicações no pós-operatório.  No dia 5 de setembro, a amiga Lidiane Barros postou a frase “você vai sair dessa”, para encorajar a amiga. 

No dia 9, Manilda da Silva fez outra postagem de consolo a comerciante. “Sobre a sua casa está as mãos do Senhor. Seja forte”, disse. Outra postagem que chamou a atenção foi realizada no último sábado (10), onde um outro amigo publicou uma foto de um venezuelano doando sangue para a parintinense, o que pode indicar que o quadro dela já havia se agravado. 

A CRÍTICA entrou em contato com o Consulado Brasileiro em Caracas, mas não obteve resposta até o fechamento da  matéria. O Itamaraty, em Brasília, também foi procurado, mas sem sucesso. 

“Turismo da beleza”

Não é de hoje que o “turismo da beleza” atrai dezenas de brasileiras, principalmente do Norte do País,  para realizar procedimentos estéticos em países vizinhos como a Venezuela.

Em abril deste ano, a representantes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) estiveram em Manaus para denunciar clínicas de estéticas e salões de beleza na capital que atuavam como “agenciadores” de brasileiros interessados em fazer esse tipo de procedimento no país vizinho. 

O cirurgião plástico Euler Ribeiro Filho lamentou o ocorrido com a amazonense e afirmou que a maioria das pacientes que vêm da Venezuela apresentam complicações no pós-operatório. “99,9% das pacientes que vêm de lá apresentam complicações porque o procedimento não é bem feito e isso é muito preocupante”, alertou o médico, ao afirmar que o Brasil é o 2º país do mundo a realizar o maior número de cirurgias plásticas.

Ainda de acordo com o médico  Euler Ribeiro Filho,  as pacientes que desejam realizam qualquer  procedimento estético devem se preocupar em verificar qualificação do profissional, para não se expôr a riscos como o que Dioneide passou. “O barato pode sair caro e no Brasil temos os melhores especialistas, enquanto na Venezuela não há tradição alguma”, disse. 

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