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Manaus
Casamento

Amazonense que ficou ‘preso’ na Venezuela finalmente consegue se casar em Manaus

O noivo perdeu o próprio casamento após fronteira ser fechada, e retornou ao Brasil com os amigos fazendo travessia ilegal pelo mato 20/12/2016 às 18:08 - Atualizado em 20/12/2016 às 18:18
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Raynilson e Lívia Rocha se casaram no civil em um cartório da cidade (Foto: Divulgação)
Vinicius Leal Manaus (AM)

Depois de ficar impedido de voltar ao Brasil da Venezuela, perder o próprio casamento em Manaus e atravessar ilegalmente a fronteira entre os países pelo mato, finalmente o microempresário amazonense Raynilson Rocha, 27, conseguiu se casar na capital amazonense, na tarde desta terça-feira (20). Ele disse e ouviu o tradicional “sim” para Lívia Rocha, de 17 anos, agora atual esposa.

“Foi em um cartório no bairro da Glória, só no civil. Agora vamos comemorar em uma churrascaria da cidade, com a família e os amigos mais próximos”, disse Raynilson, à reportagem do Portal A Crítica, pelo telefone. A cerimônia no civil, assim como promete ser a festa, foi em um formato simples e bem reservada. “Vai ser para 60 a 100 convidados”, explicou.

Diferente dos casamentos comuns, o casório de Raynilson e Lívia tem um gostinho a mais para os “pombinhos”. Ele passou por um sufoco para retornar a Manaus. “É a realização de um sonho e também um alívio por ter conseguido voltar em segurança e tranquilidade daquele tormento. Realizar o sonho que vínhamos planejando há um tempo e também um alívio por ter dado tudo certo”, disse.

Após cerca de um ano de namoro e noivado, e agora casados, Raynilson e Lívia vão começar uma nova vida. “Já começamos a morar juntos, na mesma casa”, disse. Os dois apaixonados vão partir para viagem de lua-de-mel, porém para um destino “mais seguro”. “A gente vai viajar também. Mas com certeza vai ser em algum lugar pelo Brasil, onde seja mais tranquilo”, disse Raynilson, aos risos.

Relembre o caso

Raynilson e mais cinco amigos ficaram impedidos de voltar ao Brasil na semana passada após a fronteira com a Venezuela ser fechada pelo governo do presidente Nicolás Maduro. Devido ao bloqueio, o microempresário não conseguiu chegar a Manaus para a própria cerimônia de casamento, marcado para a quinta-feira (15). Ele estava de férias no país vizinho e, assim como outros brasileiros, ficaram presos no local.

“A viagem foi tranquila, mas não imaginávamos que teríamos esse problema quando fosse retornar”, disse Raynilson. Ele foi de carro para a Venezuela no dia 5 de dezembro, com o irmão Rainey Rocha, 32, e os amigos Alexsandro Aguiar, 24, Carlos Correa, 25, e Júnior Tiago de Paula, 33. Eles retornariam no dia 13 de dezembro, mas ficam impedidos de passar pela fronteira.

Na madrugada da última sexta, dia 16, os seis amazonenses decidiram atravessar o limite entre Brasil e Venezuela por um trajeto ilegal de vegetação e lama, cerca de dois quilômetros e meio, durante um tempo estimado de 15 a 30 minutos. “Fizemos todo o trajeto a pé. Era um terreno irregular, com lama e o mato na altura da cintura. Parecia que a gente estava afundando quando pisava. Estávamos despreparados para aquilo, de calça jeans, tênis e com bolsas e malas pesando de 30 a 40 quilos”, disse Rainey, irmão do noivo.

Fronteira aberta

Um acordo firmado ontem, segunda-feira (19), entre o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e o governo venezuelano permitiu que os brasileiros que ficaram retidos na fronteira entre os dois países possam começar a voltar para casa legalmente. Um grupo 30 brasileiros já foram liberado para regressar ao Brasil.

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