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Manaus
‘Setembro verde’

Amazonense recebe rim de jovem de 25 anos e fala da felicidade de ter a vida salva

No mês da Campanha Nacional de Doação de Órgãos, o homem que há pouco mais de um ano recebeu o transplante é prova de que o ato de doar órgãos pode salvar vidas 18/09/2016 às 18:56 - Atualizado em 19/09/2016 às 09:41
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Feliz, Renildo Rebelo do Carmo posa com a esposa, Graça Muller. Foto: Euzivaldo Queiroz
Luana Carvalho Manaus

“É uma felicidade sem explicação. Todos os dias agradeço e peço a Deus que abençoe a família que doou os órgãos da jovem de 25 anos. Eles salvaram uma vida”, disse o servidor público Renildo Rebelo do Carmo, de 46 anos. No ‘Setembro Verde’, mês da Campanha Nacional de Doação de Órgãos, o homem que há pouco mais de um ano recebeu o transplante de um rim, é prova de que o ato de doar órgãos pode salvar vidas.

“Há seis anos desenvolvi problemas sérios nos rins por conta de hipertensão. Primeiro, perdi um rim, depois o outro. Foram cinco anos de muito sofrimento, fazendo hemodiálise, aguardando na fila de transplante. Fiz três tentativas com parentes e amigos antes de conseguir um órgão que fosse compatível comigo”, relata.

Enquanto aguardava por um rim, Renildo também sofreu dois infartos, mas nunca perdeu a esperança. “Eu lutei pela minha sobrevivência. E neste processo todo, minha família foi fundamental. Foi quem me apoiou desde o início. Só quem faz hemodiálise sabe o quanto é dolorido”.

Depois de cinco anos convivendo sem o funcionamento dos rins, ele recebeu uma ligação do médico falando de um órgão que poderia ser compatível. “Era 23h30  quando ele atendeu a ligação. Quase que ele desmaia. Tínhamos que ir naquela mesma hora para o hospital. Junto com ele, tinham mais três pacientes para fazer os exames de compatibilidade. Foi uma benção que ele tenha sido o mais compatível”, relembra a esposa dele, Graça Muller, 64.

A cirurgia durou cerca de seis horas e a recuperação em torno de 30 dias. “Não tive rejeição e nos primeiros dias o rim começou a funcionar. Fiquei muito feliz. Me livrei da máquina de hemodiálise, que me dava uns dias a mais de vida, para viver normalmente de novo. É uma liberdade sem tamanho”, desabafa.

‘Permanece vivo’
“Ele não está morto, está vivo em nossos corações e também tem um tecido dele vivo por Manaus ou em outro Estado”, diz, emocionada, Viviane Nascimento de Lima, 37,  irmã de Felix Nascimento, que faleceu no ano passado aos 30 anos. Após a morte, ela e a família se reuniram e decidiram doar as córneas de Felix.

“Tem muita gente que não entende, é até complicado para a família neste momento tão delicado, mas doar órgão, de certa forma, ameniza a nossa dor. Ver as pessoas que recebem felizes, vivas, podendo enxergar bem, como foi o caso do nosso irmão, nos traz uma alegria muito grande”.

A espera de uma doação
De acordo com a coordenadora estadual de transplantes, Leny Passos, existe no Estado em média 300 pacientes aguardando na fila de doação de órgãos (córnea, rim e fígado).  Em todo Brasil, são aproximadamente 40 mil pessoas cadastradas no Sistema Nacional de Transplante (SNT).

No Amazonas, são realizados três tipos de transplantes: em primeiro lugar córnea, rim, seguido de fígado. Com exceção dos órgãos que podem ser doados por pessoas vivas, como o rim, as doações de pacientes falecidos só podem ser feitas mediante constatação de morte cerebral e autorização da família.

“São feitos dois exames clínicos em períodos diferentes por médicos diferentes. É obrigatório fazer os testes de apneia, retirar o ventilador e colocar só o oxigênio, e até mesmo um exame complementar, que pode ser, por exemplo, a angioplastia. Se não tiver os sinais vitais, o médico comunicará a família da morte cerebral. Porém, uma outra equipe, treinados para isso, conversa com os familiares a respeito da doação”.

Para a especialista, é importante que os profissionais da saúde também se sensibilizem para a causa.  “Antes das famílias, eu me dirijo às pessoas que trabalham nos hospitais, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem. É importante essas pessoas estarem atentas para esta necessidade da doação de órgãos de tecidos, comunicar a central que existe alguém que poderá estar em morte encefálica”.

Em relação às famílias, Leny faz um apelo. “Uma vez que foi realmente comprovado a morte cerebral, pedimos que as famílias se sensibilizem no sentido de entender que para aquele ente querido o órgão não vai mais servir.  Mas para  quem está nas filas vai ser de muita utilidade e vai salvar uma vida. Esse ato de solidariedade pode significar uma continuidade de vida”, explicou.

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