Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2020
EM FAMÍLIA

Abrindo portas e corações para receber e dar amor no fim de ano

Muita gente se propõe a doar um pouco do tempo para preparar um almoço espacial para idosos em abrigos, confraternizar com pessoas desconhecidas que foram abandonas pela família ou tiveram que abandonar uma vida para recomeçar do zero



portal1_C65D7893-7C01-4EC7-8ED8-30E86EBDC352.JPG Silvana Araújo e a afilhada estão na expectativa para as festividades das próximas semanas / Fotos: Eraldo Lopes/freelancer
21/12/2019 às 17:36

O período que compreende as festas de fim de ano é, para muitos, uma época de solidariedade e partilha. A maioria aproveita as datas festivas para presentear, visitar os parentes e amigos distantes. Mas, você já se perguntou: como é a noite de Natal para quem não tem família por perto, mora em abrigos ou simplesmente não tem condições de ter uma comemoração como a maioria de nós? 

Se nunca parou para pensar nisso, saiba que muita gente se propõe a doar um pouco do tempo para preparar um almoço espacial para idosos em abrigos, confraternizar com pessoas desconhecidas que foram abandonas pela família ou tiveram que abandonar uma vida para recomeçar do zero.



Mães do coração

Muitas dessas pessoas, como a cabeleireira Silvana Araújo, 48, mesmo já fazendo trabalhos voluntários do decorrer do ano, resolveram compartilhar o amor e a união com quem precisa.  Ela, além de ser voluntária no Lar Batista Janel Dolly, apadrinhou uma das crianças do local, que vai passar a noite de Natal com ela e sua família em casa. 

Ela conta nunca ter ido  antes em abrigos  e conheceu  o Janell através de uma das filhas. “Fiquei encantada com as crianças, senti no coração que podia fazer algo por elas, dando o amor que elas tanto necessitam. Sou madrinha de uma linda menina de apenas três anos e, sempre que a liberam, a levo para casa e dou muito amor. Há um ano, eu a apadrinhei e faz um ano que encontrei o verdadeiro amor”, diz.   

A pequena, que mora atualmente no abrigo, vai passar o Natal com Silvana e com os familiares da cabeleireira. Silvana afirma que o ato de amor é fundamental, não só na vida dela e da família, mas principalmente na vida da pequena. “Sempre que eu posso eu trago ela para casa e ela passa dias comigo. Faço aniversários, ela passa Natal e ano comigo. É inexplicável o amor que a gente sente por essas crianças. É uma coisa que não tem como descrever. Eu resolvi ser madrinha porque senti no meu coração a necessidade dessas crianças, por falta de amor. Muitas delas são muito carentes e vieram de situações complicadas em casa”, contou, emocionada. 

Assim como Silvana, a pensionista Edilene Mendes também se tornou madrinha afetiva de duas crianças que vivem hoje no Núcleo de Assistência a Criança e à Família (Nacer) e vai promover uma ceia de Natal na sua casa para a família e os afilhados do coração. 


Edilene Mendes  já está preparando tudo para recepcionar o afilhado
 

“Minha filha fez parte de um projeto e o grupo foi fazer uma ação com as crianças de lá, um café da manhã com brincadeiras. Ela me chamou pra participar e eu fui. No dia, uma das responsáveis pelo abrigo falou sobre o projeto de apadrinhamento afetivo e sobre o projeto de apadrinhamento no Natal. Nós nos interessamos e nos apaixonamos por uma criança de lá. Um tempo depois voltamos no abrigo para amadrinhar essa criança, mas ela já tinha padrinhos e ficamos com outro que não tinha ainda.  Ele também gostou de nós e passamos a visitá-lo para que ele nos conhecesse e confiasse em nós. No Natal passado, ele já teve mais segurança para ficar conosco”, relatou.  

Ela conta que a experiência foi tão boa que esse ano adotou afetivamente outra criança para passar as festas de fim de ano  na sua casa. “A experiência de abrir as portas de casa e do nosso coração foi tão incrível. Ele nos fez bem, alegrou a casa e saber que eu também pude dar carinho e amor para ele é muito bom. Mas com certeza, quem mais ganhou fomos nós. Hoje, ele já voltou para o seio familiar, mas ainda temos enorme carinho por ele. Esse ano, amadrinhamos outra criança que também vem passar o Natal conosco. Certamente continuarei fazendo isso nos próximos anos. Se a criança que amadrinhamos voltar para o seio da sua família, amadrinharemos outra. É algo sem igual”, afirmou.

Frase

"A experiência de abrir as portas de casa e do nosso coração foi tão incrível. Ele nos fez bem, alegrou a nossa  casa”

Edilene Mendes, madrinha

Frase

É inexplicável o amor que a gente sente por essas crianças. É uma coisa que não tem como descrever”

Silvana Araújo, madrinha

Celebrar a data com os idosos

No decorrer da semana, muitas ONGs promovem ações especiais para celebrar o Natal. Seja com a distribuição de brinquedos ou cestas de alimentos, a intenção é promover um momento de alegria e descontração em uma data que simboliza a fraternidade, o amor e o renascimento. Novatos na “arte de fazer” o bem também saem a campo. 

A família da fisioterapeuta Elissandra Maia, por exemplo, vai promover um almoço especial de Natal para 25 idosos que moram na Casa do Idoso São Vicente de Paulo. Ela conta que os familiares e amigos têm o hábito de ajudar o próximo, mas não fazem parte de uma ONG. A intenção, segundo ela, é poder proporcionar um pouco de amor e carinho para os que não têm mais essa afetividade por parte da família. 

“A gente visitou os idosos algumas vezes e vimos como eles precisam de amor. Vamos fazer essa ceia especial para eles. A gente conseguiu algumas coisas para fazer o almoço, no dia 24 mesmo, e vamos levar presentes também. O grupo apadrinhou os idosos e cada um vai levar o que eles pediram”, disse. 

Os preparativos, segundo ela, vão começar cedo e tem um cardápio todo especial em virtude da idade e saúde de muitos moradores da casa de idosos. “A gente passou o cardápio para uma nutricionista porque tem que ter todo um cuidado. A gente faz isso porque acha muito importante. Vai ser um momento de muita alegria. A gente está doando um pouco do nosso tempo nesse dia para eles. Natal significa estar do lado de quem a gente ama, significa o amor, ajudar o próximo. Por isso a gente sentiu que deveria fazer isso na véspera de Natal mesmo”, falou ela que pretende virar voluntária do abrigo em 2020. 

Assim como no abrigo, outros locais devem ter programação especial na semana do Natal. Na quarta-feira, 25, os voluntários do grupo “Mudadores de Rua” vão fazer uma ação social chamada “Natal da Rua”. O grupo arrecadou doações, durante alguns dias, e vai distribuir para famílias de uma comunidade próxima ao Porto da Ceasa, na Zona Sul de Manaus. “Vai ser uma ação para umas 500 pessoas. Vamos fazer uma ceia, vai ter papai noel, vamos distribuir roupas e brinquedos para as pessoas  carentes”,  explicou o responsável pelo grupo, Magno Correa.  
 

 

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Repórter de Cidades
Formada em 2010 pela Uninorte, é pós-graduada em Assessoria de Imprensa e Mídias Digitais pela Faculdade Boas Novas. Repórter de Cidades em A Crítica desde 2018.

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