Quinta-feira, 29 de Julho de 2021
ÊXODO NA SAÚDE

Amazonenses cogitam cancelar planos de saúde para fugir de novas cobranças

Reajustes nas mensalidades assustam clientes que acabam migrando para outros planos ou até mesmo decidem ‘viver do SUS’



1047326_B6AE67BE-535A-4AC9-8348-5B6F87AF8C6A.jpg Foto: Reprodução/Internet
15/02/2021 às 07:20

As próximas cobranças para planos de saúde surpreenderam muitos consumidores. Além do reajuste anual, o ano de 2021 trouxe também a recomposição de reajustes suspensos por conta da pandemia do coronavírus. Esse foi o principal motivo responsável por fazer muitos amazonenses migrarem para outro plano de saúde. Outros consideram até o cancelamento do serviço para ter apenas o Sistema Único de Saúde (SUS) como amparo.

Esse é o caso de Ana Paula Nascimento, de 25 anos, ela contratou um plano de saúde individual no começo de 2020, que cobre assistência médica, odontológica e hospitalar. Porém, com os reajustes por idade, está considerando se ainda é uma vantagem continuar pagando o plano de saúde particular.



"Para te ser sincera, durante todo o ano passado, eu me consultei umas três ou quatro vezes ao médico. Mas, algo de rotina mesmo. Com a pandemia, no começo muitas consultas foram suspensas, demorando um pouco para voltar. Sei que o plano de saúde é uma forma de prevenir acontecimentos. Mas a gente também tem que procurar o serviço que mais adequa nossa situação financeira. Temos que analisar o quanto pesa no nosso bolso", contou.

Ana Paula ressaltou que apesar do sistema de saúde ter colapsado, acredita na capacidade de atendimento e assistência do SUS no Amazonas. Foto: Arquivo pessoal

"Eu tento ser bastante saudável, para não adquirir doenças. Não suporto ir em médico, para falar a verdade. Vou quando é necessário e para fazer exames de rotina. Mas assim, se por acaso eu tenha algum acidente por exemplo, acredito que serei bem assistida nos prontos-socorros públicos. Às vezes o atendimento é até melhor que em hospitais particulares", ressaltou Ana Paula.

Reajustes

Os reajustes anuais e por mudança de faixa etária foram suspensos entre setembro e dezembro de 2020 – para alguns consumidores, até por mais meses, após decisão da ANS em função da queda econômica acarretada pela pandemia, e de redução da utilização dos serviços de saúde no período. Dessa forma, a medida da ANS buscou conferir alívio financeiro ao consumidor, preservando a manutenção do plano de saúde, sem desestabilizar as regras e os contratos estabelecidos.

Entretanto, a recomposição dos reajustes suspensos foi iniciada a partir de janeiro de 2021 em 12 parcelas mensais e de igual valor. Segundo a ANS, buscou-se diluir o pagamento, com a recomposição a ser feita de forma escalonada para minimizar o impacto para os beneficiários e preservar os contratos estabelecidos.

A Agência estabeleceu ainda que, para que o usuário do plano de saúde saiba exatamente o que está sendo cobrado, os boletos ou documentos de cobrança equivalentes deverão conter de forma clara e detalhada: o valor da mensalidade; o valor da parcela relativa à recomposição e  o número da parcela referente à recomposição dos valores não cobrados em 2020.

"Cabe esclarecer que o percentual de reajuste autorizado para o período de maio de 2020 a abril de 2021 observou a variação de despesas assistenciais entre 2018 e 2019, período anterior à pandemia e que, portanto, não apresentou redução de utilização de serviços de saúde. Os efeitos da redução serão percebidos no reajuste referente a 2021", informou em nota.

Crescimento de adesões

Apesar disso, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informou ao A Crítica que, ainda não é possível informar se houve redução no número de beneficiários de planos de saúde no Amazonas por conta dos reajustes, pois nos últimos seis meses, o número de pessoas que aderiram a planos de saúde apenas cresceu.

O setor de planos de saúde encerrou 2020 com 47,6 milhões de beneficiários em planos de assistência médica – um aumento de mais de 560 mil usuários em relação a dezembro de 2019. O número é o maior registrado desde janeiro de 2017 - antes disso, foi superado em dezembro de 2016, quando foram contabilizados 47.631.754 usuários em planos de assistência médica. Na segmentação odontológica, foi constatado crescimento de 1,2 milhão de beneficiários no comparativo com dezembro de 2019, e o setor encerrou 2020 com 27 milhões de usuários nessa modalidade.

O Estado do Amazonas, conforme dados da ANS, acompanhou esse crescimento: em dezembro de 2020, foram registrados 535.767 beneficiários em planos de assistência médica, um aumento de 19.466 beneficiários em relação a dezembro de 2019; e 482.312 em planos exclusivamente odontológicos – aumento de 35.478 em relação a dezembro de 2019.

Monitoramento

Além disso, a reguladora informou que vem acompanhando com atenção o cumprimento pelas operadoras de planos de saúde das regras estabelecidas pela reguladora para a recomposição dos reajustes suspensos em 2020 em razão da pandemia pelo Coronavírus. Além de acompanhar as operadoras, a Agência vem realizando desde março de 2020 (início da pandemia) o monitoramento diário das demandas registradas em seus canais de atendimento ao consumidor para pedidos de informação e registro de reclamações. Os dados estão disponibilizados em ferramenta específica no portal da Agência. Confira aqui.

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Repórter de A Crítica
Amazonense, nascido e criado em Manaus. Graduado em Jornalismo e mestrando em Antropologia Social, ambos pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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