Quinta-feira, 18 de Abril de 2019
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TRAGÉDIA

Amazonenses vão a Brumadinho ajudar nas buscas por vítimas de tragédia: ‘é devastador’

Equipe da Brigada Internacional Topos Aztecas Brasil auxilia o Corpo de Bombeiros de MG na procura por vítimas do rompimento da barragem da Vale. Até agora são 110 mortos e 238 desaparecidos


01/02/2019 às 09:53

As buscas por vítimas da tragédia que comoveu o mundo contam, desde a última terça-feira (29), com a ajuda de um grupo de seis amazonenses que decidiu enfrentar dez horas de vôo, de Manaus até Brumadinho, para se juntar às equipes de voluntários que procuram corpos em meio a um “mar de lamas”. O rompimento da barragem da Vale deixou 238 pessoas desaparecidas. Ao todo, 110 mortes foram confirmadas até esta sexta-feira (1).

“O cenário é devastador”, relata ao Portal A Crítica o empresário e bombeiro civil Álvaro Fernandes, 35, vice-presidente da Brigada Internacional Topos Aztecas Brasil, entidade que no País tem sede no Amazonas. “Onde a lama passou, saiu arrasando. Casas e plantações destruídas, carros virados”, descreve. “É muito complicado verificar a área, porque a lama é densa”, completa.

Do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, a equipe recebeu a missão de se juntar a outros voluntários para atuar nas margens do que Álvaro definiu como “mar de lama”. “Nossa missão é fazer toda a ‘margeação’, verificar se há corpos na margem do rio (Paraopeba), do mar de lamas, vamos dizer assim”, relata.

Álvaro Fernandes registra a dificuldade que é executar o trabalho de buscas por corpos. “Na margem (do rio) a lama chega a 15, 20, até 30 metros. O acesso é muito difícil, porque temos que romper uma mata primária. Na área descampada, por outro lado, enfrentamos muito sol”. Nesta quinta-feira (31), a equipe de voluntários amazonenses percorreu cerca de dois quilômetros.

“Quarta-feira uma equipe encontrou um corpo em avançado estado de decomposição”, lamenta Álvaro. “Nosso trabalho basicamente é ajudar na localização de corpos, sinalizar, informar através de GPS ao Corpo de Bombeiros, que vem com helicóptero e faz o resgate. E não é somente corpo. Outras equipes voluntárias já encontraram pernas, braços. É complicado”.

Os seis amazonenses que auxiliam nos trabalhos, em Minas Gerais, fazem parte da Brigada Internacional Topos Aztecas, criada no México, em 1985, a partir do esforço de um grupo de voluntários que decidiu ajudar nas buscas por vítimas de um terremoto que atingiu a Cidade do México, naquele ano. Em Manaus e no Brasil, a entidade, também conhecida como “Topos Birta”, chegou em 2014.

A equipe só conseguiu viajar até Minas Gerais porque usou recursos da própria entidade e contou com a ajuda de um grupo missionário. Em Brumadinho, os amazonenses estão hospedados em uma paróquia. 

“Cada pessoa que nos para no trajeto agradece pelo trabalho e nos dão apoio. Na cidade, todos se conhecem. Então, é comum encontrar alguém que perdeu amigos, vizinhos. Eles pedem ajuda para encontrá-los, independente se tiverem vivos ou mortos”, conta Jenner Queiroz, que também faz parte do grupo.

“Nossa função hoje é essa: independente de como estejam, que possam ser encontrados. Não é fácil passar por esse momento. Não tem sido fácil para ninguém”, afirma.

Brumadinho

A barragem da mina do Córrego do Feijão, da mineradora Vale, se rompeu no início da tarde da última sexta-feira (25), no município mineiro de Brumadinho. Um mar de lama varreu a região, tanto áreas da própria mineradora como regiões habitáveis. Cento e dez pessoas morreram, bem como animais. Outras 238 pessoas estão desaparecidas desde então.

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