Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
Ambulantes

Ambulantes burlam fiscais e fazem vendas nas ruas do Centro de Manaus

Aproveitando ‘brechas’ na fiscalização, eles ocupam o espaço liberado pela saída de camelôs das calçadas



jfdglkdfg.JPG Com fiscalização ineficaz, a cada dia o número de vendedores ambulantes ocupando as calçadas do centro aumenta (Foto: Antonio Menezes)
10/08/2016 às 14:17

O comércio informal é um problema antigo no Centro de Manaus. Depois de passar por um longo processo de revitalização, a avenida Eduardo Ribeiro voltou a ser alvo de vendedores ambulantes de água, frutas, verduras, lanches e até de celulares.

Apesar da proibição, os comerciantes não temem as fiscalizações e até criam novas estratégias para fugir do “rapa” e conseguir “ganhar a vida”. Agora os comerciantes, que antes preferiam ficar fixos em alguns locais, investem em bicicletas e carrinhos para expor seus produtos e conseguirem fugir quando a fiscalização chegar.

Na esquina da avenida Eduardo Ribeiro com a rua 24 de Maio, dois homens vendem frutas e verduras. Eles não quiseram divulgar seus nomes, mas contaram que sabem que é proibido vender naquela área. Contudo, aquela é a única fonte de renda deles, alegam os dois. “Eu não sei fazer outra coisa da vida. Sempre trabalhei vendendo alguma coisa e aqui é um bom ponto porque o fluxo de pessoas é grande”, contou o comerciante de verduras, que disse ter 55 anos.

O vendedor contou que já comercializou vários outros tipos de produtos na avenida, mas antes era “fixo” em alguns lugares. Ele usava uma mesa com expositor, mas decidiu investir no carrinho para conseguir se locomover com mais facilidade e fugir do “rapa”. “É mais viável para mim e também consigo atender outros clientes em outras ruas aqui do Centro”, disse.

O vendedor de água Paulo Alves, 32, afirmou que poucos fiscais atuam naquela área, mas mesmo assim ele fica “esperto”. Ele começou a vender água há três semanas na avenida Eduardo Ribeiro e disse nunca ter visto os fiscais advertindo os vendedores. “Eles ficam andando de um lado para o outro aqui na rua e nunca vi eles mandando ninguém sair daqui”, contou.

Alves disse que, mesmo que fosse expulso pelos fiscais, voltaria a trabalhar na área porque está desempregado e essa é a única forma que tem de garantir a renda da família. “Se me mandarem embora eu vou, só que assim que virarem as costas eu volto porque é daqui que consigo o aluguel da minha casa e o nosso alimento”.

No caminho

A maioria dos pedestres ouvidos pela reportagem afirmam que entendem que a atividade informal é a fonte de renda de muitas famílias, mas criticam a ocupação irregular das calçadas. Para a odontóloga Natalia Cavalcante, 29, além de ocuparem as calçadas os vendedores “comprometem” a beleza da avenida, que foi revitalizada há poucos meses. “É muito complicado caminhar aqui porque eles estão em todos os locais. Se não tiver cuidado a gente esbarra nas mercadorias deles e eles ainda ficam bravos”, contou.

Subsecretaria diz que fiscaliza, mas não adianta

A Subsecretaria Municipal de Abastecimento, Feiras e Mercados (Subsempab) informou que fiscais atuam diariamente na avenida Eduardo Ribeiro e em outras ruas do Centro, combatendo as vendas e, em alguns casos, até apreendendo os produtos dos comerciantes, mas que eles não se intimidam e voltam a comercializar na área.

A Subsempab informou, ainda, que orienta os comerciantes a não ficarem na área, mas os fiscais chegam a ser ameaçados pelos irregulares. “A Subsempab tem fiscalizado essas vendas ilegais, mas a falta de emprego e a imigração tem aumentado em Manaus. Eles têm procurado uma maneira mais fácil de ganhar o sustento da família”, diz o órgão, por meio de nota à imprensa.

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