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Americano reforma imóveis do patrimônio histórico de Manaus

Empresário norte-americano, radicado no Estado há 20 anos, reforma com riquezas de detalhes imóveis do Centro histórico 09/06/2015 às 08:58
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Historiador e biólogo por formação, Baker se encontrou no Centro de Manaus
oswaldo neto ---

Embora o sotaque americano ainda seja forte e presente na fala de Mark Joseph Baker, 62, ele pode ser considerado um desbravador “gringo” da história de Manaus. Com pouco mais de duas décadas no Amazonas, ele se preocupa em guardar os nossos registros promovendo a reforma de imóveis do Centro construídos no ciclo da borracha. “Essa cidade é minha também”, afirma.

Formado em História e Biologia, Baker nasceu no pequeno Estado de Rhode Island, com pouco mais de um milhão de habitantes, nos Estados Unidos. Ao sair de lá e chegar a Manaus, o americano enxergou aqui um espaço que une características dos seus maiores conhecimentos: uma biodiversidade rica e um passado marcado por grandes episódios. E foi num desses espaços que ele resolver viver, na avenida 7 de Setembro, Centro. Lá, Baker exibe com entusiasmo o seu patrimônio, onde acredita-se que foi um local de grande importância para a história amazonense.

“Os vizinhos dizem que aqui foi o consulado de Portugal na ‘Belle Èpoque’, e o cônsul morou na casa ao lado”, explicou. No local, Baker administra, ainda, um negócio com o intuito de promover o turismo da região. É que para conseguir pagar um empréstimo feito em bancos americanos, Baker mantém uma empresa que transporta turistas até municípios vizinhos de barco.

Questionado sobre o custo do investimento na época, ele afirma, envergonhado, que não gosta de falar de valores. “Só sei dizer que não foi barato. E faz muito tempo também. Hoje a moeda é até outra”, brinca.

História ‘reformada’

De acordo com o empresário, cinco imóveis restaurados por ele ficam na avenida 7 de Setembro e um sexto está localizado na rua Visconde de Mauá. Ele ainda conta que uma equipe de arquitetos e artistas amazonenses participou da reforma das residências, que estão com placas de venda há poucas semanas.

Baker mostra o interior dos imóveis comentando sobre a fidelidade à história, uma das suas principais exigências. Os detalhes, a pintura, o piso e o estilo corintiano da estrutura foram alcançados após muita pesquisa.

“Conseguimos chegar nessas condições após muita luta. Muitas coisas só ficaram parecidas por meio de visitas, pesquisa e ajuda de outras pessoas que conhecem Manaus. Até telha antiga procurei na cidade. Lembro que pedimos permissão para ir ao salão Nobre do Teatro Amazonas para tirar umas fotos e conseguir reproduzir nesses quadros”, comenta.

Incentivo ao turismo ecológico

 Apaixonado pela Amazônia, a vida do americano mudou de cenário após a saída de Baker do Pará. Lá, conforme ele conta, a renda era proveniente da derrubada de árvores. Curiosamente, hoje ele sobrevive incentivando o turismo ecológico por meio de visitas guiadas em um barco.

“A minha intenção não é transformar tudo em um museu, muito pelo contrário. Acho importante que a história de Manaus chegue até as pessoas e elas mesmas conheçam onde nasceram”.

Sobre o que pode ser melhorado na área, Baker não deixa de criticar as atuais condições do Porto de Manaus. “Acho muitas coisas dependem desse Porto. As cargas pesadas bloqueiam o acesso ao público. Acredito que um investimento lá pode ser a chave da restauração do Centro”.

Patrimônio

Conforme levantamento preliminar do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Amazonas (IPHAN/AM), aproximadamente três mil imóveis compõem a área de tombamento do Centro Histórico da capital. O órgão informou que a área compreende as construções localizadas entre a orla do rio Negro e o entorno do Teatro Amazonas.


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