Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
SEGUNDO DIA DE JULGAMENTO

Amigo de advogado morto diz que Sotero ofereceu bebida e piscou para casal

Em depoimento, Alexandre Mascarenhas relatou ao promotor que, após o primeiro disparo de Sotero, Wilson Justo ficou acuado em uma mureta na tentativa de se defender



julgamento_0CA2A977-883A-4A86-85AD-5233BFB246C2.JPG Psicológico Alexandre Mascarenhas durante julgamento de Gustavo Sotero. Fotos: Junio Matos
28/11/2019 às 11:38

O psicólogo Alexandre Mascarenhas, 38, amigo do advogado Wilson Justo Filho, morto no dia 25 de novembro de 2017, chorou durante o depoimento prestado na sessão desta quinta-feira (27), segundo dia do julgamento do delegado de Polícia Civil Gustavo de Castro Sotero.

Na noite do crime, Alexandre, testemunha chave do caso, acompanhava Wilson e a esposa, a dentista Fabíola Rodrigues Pinto de Oliveira, na casa noturna situada na Zona Oeste de Manaus, onde o crime ocorreu. Ao promotor público George Pestana, o psicólogo afirmou que antes dos disparos, Sotero em um gesto ofereceu bebida a Wilson e, em seguida, o réu piscou em direção ao casal.



"Fabíola e Wilson estavam abraçados debaixo da escada. Wilson ficou incomodado com algo. E ouvi ele dizer a Fabíola 'é para ti'. E  só depois notei a presença do delegado", disse Alexandre.

Nas imagens da câmera de segurança, durante os disparos, o psicólogo fica próximo a escada do estabelecimento e presencia todo o fato. Em continuação ao depoimento, Alexandre relatou ao promotor que, após o primeiro disparo, Wilson ficou acuado em uma mureta na tentativa de se defender. Segundo ele, Sotero continuou os disparos. "Ele (Wilson) passou correndo em direção ao palco. Notei que já cambaleava. Eu vi a Fabíola no chão e tentei acalmá-la", disse o psicólogo.

Nas imagens do circuito interno é possível notar que Alexandre coloca o braço entre Wilson e Sotero. Questionado pela promotoria para onde e o que dizia, Mascarenhas afirmou que falava com Sotero. "Eu disse ao réu 'não, para! Por favor'. E puxei o casal para mais próximo da escada", pontuou o psicólogo.

Clima

A sessão de hoje (27) iniciou em clima de tensão. O advogado Cláudio Delladone, principal advogado de defesa, e o fonoaudiólogo Ricardo Molina, assistente de acusação, contracenaram um atrito na entrada do plenário. Molina entrou no meio da entrevista que Dalledone concedia à imprensa na porta do plenário.

Fonoaudiólogo Ricardo Molina e o advogado Cláudio Delladone

No tribunal, o juiz Celso de Paula, titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri, solicitou compostura dos advogados de ambos os lados. Dalledone acusa George Pestana de ficar com "gracejos". Por sua vez,  o promotor afirma para a acusação que "é apenas o trabalho". O plenário também foi advertido por manifestações.

Em tom mais alto, Celso de Paula advertiu os advogados em razão das perguntas. "Aqui é um trabalho sério. Senhores não façam perguntas com 'eu acho'. Façam a pergunta direta e pronto. Sem rodeios", enfatizou Celso.

O início

A sessão começou com o depoimento de tuas testemunhas que estavam na casa noturna na noite do fato. A advogada Schelle Silva da Rocha, tanto para a promotoria quanto para a defesa, disse não se lembrar muito bem do que houve naquela noite. E em menos de uma hora foi liberada do Tribunal do Júri, no Fórum Ministro Henoch Reis, no bairro São Francisco, Centro-Sul.

Segurança Waleandro Silva durante depoimento no julgamento de Sotero

Em seguida, o segurança Waleandro Silva, funcionário da casa noturna onde ocorreu o crime, afirmou ao promotor que apenas fez a cautela da arma de Sotero, porém não verificou se estava carregada. O assistente da acusação e representante da OAB-AM, o advogado Aniello Miranda Aufiero, questionou o segurança onde ele estava no momento do crime.

"No primeiro depoimento o senhor disse que se escondeu dentro do banheiro feminino e aí eu pergunto: o senhor é mesmo segurança?", questionou Aufiero. Em seguida, a promotoria cochichou algo no ouvido do advogado e ele encerrou a fala.

Prontamente, Wanderson se prontificou a responder a pergunta feita por Aufiero. "Eu não me escondi. Quando eu ouvi o disparo a multidão foi me arrastando para o banheiro feminino. Eu fui levado pela multidão", pontuou o segurança.

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