Quarta-feira, 22 de Maio de 2019
TRAGÉDIA

Ano foi marcado pelas mortes de crianças sugadas por bueiros em Manaus

Problema tirou a vida de três crianças nas zonas Norte e Centro-Oeste. A última vítima foi o pequeno Gustavo Silva Araújo, de 7 anos



1177969.jpg
(Foto: Márcio Silva)
31/12/2016 às 14:41

Brincar pelas ruas de Manaus parece ter ficado mais perigoso este ano, não só por causa da violência, mas também devido à grande quantidade de bueiros sem tampas espalhados por todos os bairros. Esse problema tirou a vida de três crianças nas zonas Norte e Centro-Oeste ao longo de 2016. A última vítima foi o pequeno Gustavo Silva Araújo, de 7 anos.

Ainda abalada com a morte do neto, a dona de casa Tereza Amâncio da Silva, 65, relata que ainda é difícil conviver com a ausência do pequeno Gustavo. “Ainda dói muito. Sabemos que ele não vai voltar, mas tem como nos conformar com essa perda. Estamos levando a vida como dá”, disse ela.

A criança caiu em um bueiro sem tampa e sem grade de proteção na rua Louro Chumbo, no Monte das Oliveiras, em outubro. Na época, Gustavo brincava na chuva com um dos primos em frente à casa da avó quando foi sugado pelo bueiro. O menino foi encontrado morto dois depois, em um igarapé no Tarumã, na Zona Oeste. Segundo os bombeiros, o corpo dele percorreu por pelo menos sete quilômetros (em linha reta) desde o ponto onde ele caiu.

Segundo Tereza, após o acidente, todos os bueiros da rua foram devidamente fechados. Mas ela lamentou o fato de a medida ter sido tomada somente após a tragédia. “Infelizmente chegamos a esse ponto. Se esse bueiro tivesse sido fechado antes, com certeza, isso não teria acontecido com o meu neto”, destacou.

Cuidado redobrado

A mesma preocupação toma conta até hoje dos moradores do bairro Novo Aleixo (antigo Mutirão), na Zona Norte da cidade, onde o pequeno André Pereira Crescenço, de 6 anos, caiu em um bueiro durante uma chuva, em abril.

A industriária Tainá Costa, 20, que mora na rua 1, conta que os primos dela de 3, 4 e 5 anos não brincam mais na rua para evitar um outro acidente. “A gente colocou até um portão aqui em casa para eles não saírem. Ficamos muito assustados e os cuidados com as crianças redobraram desde que o Andrezinho morreu”, afirmou.

Mesmo que os bueiros da rua dela e de outras tenham sido tampados, a preocupação persiste porque alguns bueiros ainda representam riscos, como os da esquina da rua 1. “Depois desse episódio, todos os bueiros daqui foram fechados com tampas e barra de ferro, mas a gente acredita que uma criança pequena ainda passa entre uma abertura e outra, porque ficou um espaço grande. E nós ficamos com medo do que possa acontecer por isso, é melhor evitar deixar as crianças se aproximarem”, ressaltou Tainá.

Os familiares do pequeno Andrezinho também não superaram tragédia. Para evitar as más lembranças, o pai dele, Davison Lúcio Pereira, 31, se mudou do endereço e evita falar sobre o assunto que tanto o machuca. “Ele fica muito emocionado. Ele amava muito aquele filho, assim como eu amava meu sobrinho. Nós ficamos traumatizados com essa história. A dor é muito grande até porque o André era uma criança muito amável”, contou a tia da criança, Rafaela Pereira, 29.

Menino foi tragado

Guilherme Guerreiro, 7, também foi vítima do descaso.  Em maio, durante uma chuva, o garoto escorregou e foi tragado por uma boca de lobo sem proteção rua Ovídio Gomes Monteiro (antiga rua 11), às margens do igarapé da Sapolândia, no bairro Alvorada 2, Zona Oeste.  Ele foi achado morto, horas depois, em um igarapé, no Dom Pedro.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.