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Manaus
Que tempo bom!

Antiga opção de lazer de Manaus, balneário do Parque Dez está abandonado

De área aprazível, e de uma época onde esses espaços eram chamados de “banhos”, ele era dotado de uma irresistível piscina natural abastecida pelo igarapé do Mindu, um zoológico e um restaurante que oferecia a culinária regional. Hoje, o que era um point de lazer e satisfação da família amazonense está resumido a ruínas, e cada vez mais sendo depredado. 31/10/2016 às 19:13 - Atualizado em 31/10/2016 às 21:55
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Pavilhão principal do antigo balneário hoje está ruínas, como todo o local / Fotos: Márcio Silva e Corrêa Lima
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Outrora um dos locais mais concorridos da cidade, o extinto balneário do Parque Dez de Novembro, entre as avenidas Efigênio Sales e Mário Ypiranga Monteiro, não lembra nem de longe os tempos de fama e glamour. De área aprazível, e de uma época onde esses espaços eram chamados de “banhos”, ele era dotado de uma irresistível piscina natural abastecida pelo igarapé do Mindu, um zoológico e um restaurante que oferecia a culinária regional. Hoje, o que era um point de lazer e satisfação da família amazonense está resumido a ruínas, e cada vez mais sendo depredado.

A criação do balneário do Parque Dez remonta aos meados de 1940, tendo sido fundado na administração do engenheiro-agrônomo Antônio Botelho Maia, quando prefeito de Manaus (1937-1940), período em que o Amazonas esteve sob a intervenção do irmão dele, Álvaro Botelho Maia. Foi estruturado para receber as famílias amazonenses em sua piscina natural, abastecida pelas águas então limpas do igarapé do Mindu, numa vasta área verde de 50 hectares. Estrategicamente posicionado, o antigo pavilhão, uma edificação em estilo colonial, de 20 metros de comprimento por 16m50, está totalmente abandonada e caindo aos pedaços. Antes, havia um bar com avarandado de estar na face da frente e laterais, um dancing de 13m40 por 10m, além de seções de bar, orquestra e vestiários.

Atualmente está destelhado, com o piso quebrado e coberto pelo matagal predominante em quase tudo que se vê (e pisa) ali junto com as telhas de barro. Os azulejos sujos lembram malmente o que eram os banheiros.

O lixo é comum naquele espaço: sacos plásticos, pets de refrigerantes, recipientes de isopor e outros objetos descartados tanto pelos moradores de rua quanto pelos transeuntes.

No exterior do pomposo pavilhão, suas clássicas colunas estão a cada dia mais desgastadas, não sendo surpresa, para qualquer leigo em engenharia, dizer que podem cair a qualquer momento, colocando a estrutura abaixo.

O acesso ao balneário se dava pela rua Recife, hoje Mário Ypiranga Monteiro. Nas imediações, onde hoje está a avenida Ephigênio Sales, uma vereda, antigamente conhecida por V-8 (que dá nome a essa parte da cidade até hoje), levava a inúmeras chácaras, todas tendo ao fundo o igarapé do Mindu, formando banhos particulares. O bairro estava nos limites extremos de Manaus e, ao atravessar o igarapé, a floresta predominava no local que permaneceu por muito tempo como uma das principais fontes de lazer dos manauenses.

Atualmente, em uma das suas vias de entrada, pela Mário Ypiranga, para chegar ao pavilhão principal é preciso atravessar uma ponte de concreto que está quebrada e prestes a cair.

Perto do fimA partir da década de 1970 o balneário do Parque Dez começou a perder seu encanto, ao passo que população buscava novos recantos de lazer: a abertura de novas vias de acesso para outros balneários como Ponta Negra e o Tarumã favoreceu a isso. Outro fator é o inchaço populacional do próprio Parque Dez e da cidade em si, no que alguns governantes chamam de “progresso”.

Numa tentativa de restaurar o antigo atrativo do balneário, o então prefeito de Manaus, José Fernandes (1979-1982), empreendeu reforma na área, mas não alcançou o mesmo sucesso de outrora devido ao comprometimento da qualidade das águas do igarapé do Mindu: inúmeras residências já despejavam os esgotos em seu leito.

A partir de 1991 o pavilhão sediou o Memorial Álvaro Maia. Na administração do hoje deputado federal Alfredo Nascimento (PR) como prefeito (1997-2004), o local sediou a Fundação Villa-Lobos e, um prédio em anexo, a então Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sedema).

Em novembro de 2013, a então Secretaria Municipal de Finanças, Tecnologia da Informação e Controle Interno (atual Semef), que tinha responsabilidade sobre a área, informou que estava providenciando a legalização da situação do imóvel para verificar a possibilidade dele abrigar outra secretaria, o que não ocorreu até hoje.

A CRÍTICA entrou em contato com a assessoria de comunicação do órgão para verificar sobre novos projetos, mas não houve resposta até o fechamento desta edição.

Corrêa Lima

Enquanto isso, pessoas como o ex-fotógrafo Corrêa Lima, 85, que trabalhou em A CRÍTICA, lembram com saudades do antigo balneário que ele tanto fotografava. “Hoje está tudo diferente, só ficou a saudade. Morreu mesmo e não tem quem cure. Frequentei muito o balneário do Parque Dez e lá ficava lotado, mas não tinha briga. Os governos são os maiores responsáveis por ter deixado nossos igarapés assim. Até hoje estão invadindo. O progresso acabou com tudo”, disse o saudosista.

Blog: Geraldo dos Anjos, historiador

"O balneário do Parque Dez era um programa de final de semana como é hoje a Ponta Negra. Essas coisas ficaram na memória e na fotografia. Participei muito desse balneário, tomei muito banho lá e me lembro que tinha até zoológico. Não houve preservação nem conservação da área. O fim do balneário aconteceu prol do dito ‘desenvolvimento’. Antes não fizeram nada, e se hoje forem fazer não adianta mais por razões de saúde pública, já que o igarapé está poluído. Mas infelizmente, em prol da evolução, aconteceu tudo isso. É muito triste essa situação. Hoje, é preciso que as atenções estejam voltadas para áreas como em Presidente Figueiredo, onde as populações estão chegando aos poucos e, daqui a pouco, vamos perder, também, os balneários de lá”.

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