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Antigo balneário da Zona Norte é invadido por cerca 300 pessoas

Área localizada no bairro Santa Etelvina foi desapropriada pela Prefeitura de Manaus para construção de um conjunto habitacional, mas permanecia sem utilização desde 2009 10/08/2015 às 10:14
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Moradores já construíram tendas e pequenas casas
Juliana Geraldo Manaus

Ontem, completou uma semana desde que a área do antigo balneário Dona Conceição, localizado na avenida Torquato Tapajós, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte, foi invadida por cerda 300 pessoas.

O local foi desapropriado pela Prefeitura de Manaus para a construção de um conjunto habitacional, como parte do programa Minha Casa Minha Vida, e permanecia sem utilização desde 2009, mas foi tomada por moradores de diversas zonas de Manaus e já tem instaladas tendas e pequenas casas desde o dia 2 deste mês.

Entre os ocupantes estão famílias vindas de cidades próximas a Manaus como Manacapuru e até de outros Estados, como o Ceará. Moradias mais bem estruturadas com armação de madeira e telhas resistentes começam a ser erguidas no local e até um pequeno comércio com venda de alimentos começa a ser montado no local. 

Pessoas que ocupam a área informaram à equipe de A CRÍTICA que na última sexta-feira policiais militares foram ao local na tentativa de desocupar o espaço. “Eles derrubaram nossas construções, cortaram punhos de redes e até jogaram uma bomba de gás atingindo algumas crianças” reclama uma das ocupantes, Hilderlane Matos, 18.

Outro membro do movimento que preferiu não se identificar disse ainda que nenhum documento de posse do terreno ou de qualquer outra natureza foi apresentado pela polícia, que informou apenas estar cumprindo ordens da prefeitura.

A expectativa dos próprios ocupantes é de que mais pessoas se juntem ao movimento, chegando a 400 ocupantes nesta semana. “Já voltamos a erguer nossas casas e não vamos a lugar nenhum porque não temos para onde ir”, alegou outro integrante da invasão.

Os ocupantes informaram que a polícia deve voltar hoje ao local e dizem não querer conflitos. Eles solicitam a presença do prefeito Arthur Neto para encontrar uma solução para o impasse.


Expectativa deles é que mais pessoas se juntem ao movimento. Foto: Evandro Seixas

Reintegrações na AM-070

Na semana passada, outra invasão, desta vez instalada no quilômetro 11 da rodovia Manoel Urbano (AM–070), e batizada de “Leão de Judá” passou, pela quarta vez (dois só nesse ano),  pelo processo de reintegração de posse. 

Mais de 1,2 mil pessoas ocupavam um terreno de 700 mil metros quadrados.  A reintegração foi em cumprimento à ordem judicial assinada pela juíza de direito da 1ª Vara da Comarca de Manacapuru, Vanessa Leite Mota e desta vez  havia mais de 1,2 mil pessoas ocupando a área. Segundo a Polícia Militar, 600 famílias estavam ocupando o local.

Já no quilômetro 6 da mesma rodovia),  a invasão denominada “Comunidade Deus é Por Nós”, teve três meses antes de passar por uma reintegração de posse, que teve a duração de três dias. Ao todo, foram 50 mil metros quadrados de terreno invadido. Boa parte dos invasores havia negociado os lotes com a líder que se diz indígena.

Denúncia

Os ocupantes do terreno na área do balneário Dona Conceição alegam que a proprietária da área de 385 mil metros quadrados espera receber da Prefeitura de Manaus um valor de R$ 11,6 milhões pela desapropriação, desde 2009.

Em razão do não pagamento, ela estaria dando “carta branca” aos invasores para a ocupação. De acordo com ela, a área seria utilizada pela prefeitura para o programa Minha Casa Minha Vida.

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