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Manaus
ACOLHEDORA

O lado bom da Copa em Manaus: organização, calor humano e segurança

De antes lembrada apenas pela sua forte temperatura e pelo exotismo da floresta, a capital do Estado mostrou organização, simpatia e hospitalidade com quem veio prestigiar o maior evento do futebol mundial 10/06/2018 às 07:00 - Atualizado em 11/06/2018 às 08:32
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Torcedores da Alemanha se congraçam em meio a torcida brasileira no Largo São Sebastião, um dos points da Copa de 2014 em Manaus / Foto: Márcio Silva-13/07/2014
Paulo André Nunes Manaus (AM)

As quatro partidas de Copa do Mundo de 2014 mostraram que Manaus sabe lidar com grandes eventos internacionais. De antes lembrada apenas pela sua forte temperatura e pelo exotismo da floresta amazônica, e criticada, lembremos disso, a capital do Estado mostrou organização, simpatia e hospitalidade com quem veio prestigiar o maior evento do futebol mundial e, claro, deu segurança aos craques das oito seleções participantes e seus respectivos torcedores.

Se tudo não foi 100%, é claro, o que ficou foi a melhor impressão possível em meio a um período turbulento do País onde alguns chegaram a levantar a bandeira do famigerado “Não vai ter Copa” (que anos depois ganhou vários derivados igualmente políticos). A Fifa, organizadora da Copa, ressaltou o caráter organizacional de Manaus em algumas oportunidades, uma delas antes do fim da participação da cidade no Mundial. A entidade publicou, em sua revista “The FIFA Weekly” uma matéria intitulada “Futebol na Selva”, assinada pelo jornalista suíço Thomas Renggli e retratando a capital amazonense como “acolhedora, tímida e culturalmente rica”.

Segurança

Todos os quatro jogos da Copa na cidade contaram com um grande aparato montado pelos órgãos de segurança pública, mas, um deles gerou toda uma preocupação antes: a partida do dia 22 de junho daquele ano entre Estados Unidos 2 x 2 Portugal, que trazia de um lado a superpotência mundial contra o esquadrão que trazia ninguém menos do que o português Cristiano Ronaldo, o melhor jogador do mundo naquele ano e atualmente. No confronto, a então Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (Seseg) mobilizou 1.200 policiais militares no entorno da Arena, com direito a veículo “Caveirão” (viatura blindada anti-tumulto), Cavalaria e até reforço de agentes do FBI.


Veículo "Caveirão" utilizado na Copa na capital amazonense há 4 anos / Foto: Márcio Silva 

A operação Copa 2014 foi organizada em ciclos. O primeiro foi o de planejamento, quando foram produzidas todas as ações de plano estratégico, tático e operacional integrado. O segundo ciclo é o de operação nos jogos, e incluiu as operações e as ações de comando e controle que foram realizadas até o final daquele Mundial. A estréia dos jogos em Manaus ocorreu em 14 de junho com a vitória da Itália sobre a Inglaterra. Em seguida, dia 18/6, a Croácia fez 4 a 0 em Camarões, seguido do jogo de EUA contra os lusos. E encerrando dia 25 com Honduras 0 x 3 Suíça. Hoje, restam as lembranças daquela época.

Busão da torcida

Os torcedores que foram assistir aos quatro jogos da primeira fase da Copa do Mundo Brasil 2014 na Arena da Amazônia Vivaldo Lima, em Manaus, contaram com linhas de ônibus exclysivas saindo de oito pontos da cidade para o estádio. Era exigido a apresentação do ingresso dos jogos no momento do embarque no ônibus.

Em números

3

É o número de estádios de Manaus para a Copa: a Arena  e a Colina - que tiveram a estrutura antiga implodida) e o Carlos Zamith (os dois últimos foram Centro Oficial de Treinamento (COT).

Largo virou ‘centro do mundo’ em 2014

Nem a organização da Copa do Mundo em Manaus previu o que se transformou o Largo São Sebastião: o local virou o point dos turistas durante o Mundial, recebendo milhares de pessoas durante o período da competição para acompanhar os jogos, conversar, se divertir e fazer um dos mais destacados intercâmbios culturais de toda a história do Amazonas.


Tradicional local virou espaço de intercâmbio mundial na Copa do Mundo em Manaus / Foto: Márcio Silva

À época, a Secretaria de Estado da Cultura (SEC) colocava, 500 cadeiras nos dias de jogos para o público prestigiar as partidas, ao passo que outra boa parte dos torcedores se dividia em assistir às partidas nos bares ou mesmo na praça São Sebastião. Um desses locais era o tradicional Bar do Armando: 200 grades de cerveja eram vendidas diariamente no estabelecimento, que concentrava cerca de 3 mil pessoas em sua frente em dias de jogos, tendo um crescimento de 80% nas vendas em relação ao  mesmo período de 2013, de acordo com o proprietário Roberto Carvalho.

O sucesso de público foi tão grande que o local superou até mesmo a Fan Fest da Fifa instalada no anfiteatro da praia da Ponta Negra e que, teoricamente, recebeu toda a atenção e o aparato para aguardar o público amante do futebol.

A mídia internacional rendeu louvores e Manaus ganhou os holofotes do mundo em artigo como o do jornal britânico “The Telegraph”, um dos principais do Reino Unido. Em 2014, no texto intitulado “Legado da Copa do Mundo no Brasil: o Carnaval dos Animais na Amazônia” a correspondente Donna Bowater retratou os dias em que esteve em Manaus, inclusive durante o Mundial. “Fiquei encantada com a floresta, o rio, a comida, a cultura, mas, sobretudo, com os manauaras que sempre me recebem com um carinho enorme. Achei um povo bem receptivo, simpático e caloroso”, disse a jornalista em entrevista à Prefeitura de Manaus.

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