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Manaus
IMIGRANTES

Ao chegarem em Manaus, venezuelanos se deparam com 'guerra' para vagas de trabalho

Fugindo da crise na Venezuela, os imigrantes têm fé que possam recomeçar suas vidas no Brasil, mas conseguir emprego formal não tem sido uma tarefa fácil 08/07/2018 às 08:34
Show venezuelano 1
Clamor por emprego é feito diariamente em semáforo de grande avenida (Fotos: Junio Matos)
Álik Menezes Manaus (AM)

Imigrantes venezuelanos viram no Brasil a oportunidade de recomeçar e melhorar de vida, no período em que seu país de origem passa por graves crises política, social e econômica.  Ao desembarcar em solo amazonense, eles têm fé que suas vidas começem a melhorar, mas, no entanto, conseguir emprego formal não tem sido fácil para um grande número de imigrantes, que, mesmo qualificados, recebem propostas de pagamento inferior à média do mercado.

Apesar das dificuldades, eles acreditam que no Brasil têm mais chance de recomeçar, poupar dinheiro e, futuramente, voltar para a Venezuela após a crise. Contudo, imigrantes relataram à reportagem de A CRÍTICA as dificuldades diárias que enfrentam na busca de empregos. Muitos deles, inclusive, vê na informalidade a possibilidade de se tornar independente na capital amazonense e deixar abrigos mantidos pelos governos e Igreja Católica.

Roni Rosale, 32, desembarcou na capital amazonense no dia 4 de maio deste ano, junto com outros 121 venezuelanos, que foram acolhidos no processo de interiorização dos imigrantes, realizado pelo Governo Federal e a Organização das Nações Unidas (ONU). Rosale, que trabalha como pedreiro, pintor, serralheiro, soldador e na carpintaria, tem dificuldades para conseguir emprego, mesmo tendo várias habilidades.

“Na Venezuela está pior, muito pior. Aqui estamos melhores, mas precisamos de emprego para nos reerguer, sustentar nossas famílias e conseguir sair do abrigo. Estava trabalhando como pedreiro, mas me machuquei. Agora já estou em busca de outro”, comentou Rosale, que está morando, junto com a esposa e três filhos, na Casa de Acolhida Santa Catarina de Sena.

Na Avenida das Torres, um grupo de venezuelanos, que pediu para não ser identificado, mostrava cartazes pedindo emprego. Há mais de cinco dias no local, uma mulher, de 32 anos, disse que ninguém parou ou ligou para oferecer emprego ou deixar qualquer tipo de ajuda. “Nossa única esperança é que apareça trabalho, mas não tem sido tão fácil”, disse a mulher, enquanto o marido mostrava um cartaz pedindo ajuda aos motoristas que passavam pelo local.

Exploração

A assistente social da Casa de Acolhida Santa Catarina Sena, Soraia Araújo, relatou outra dificuldade enfrentada pelos imigrantes. Segundo ela, hoje, a casa acolhe 77 pessoas, sendo 35 crianças, e muitos adultos conseguem empregos informais, mas, geralmente, no sistema de pagamento por diária. No entanto, os pagamentos oferecidos aos venezuelanos é metade do valor que seria pago a um brasileiro.

“Uma diária (de faxina) pagam 100 reais, para as venezuelanas só pagam 50 reais”, comentou a assistente social.

Topando desafios

Apesar do medo e da incerteza ao chegar no Brasil, o venezuelano Sérgio Rafael Moreno Torrealva, de 25 anos, decidiu sair em busca de um emprego para não depender de um amigo, que lhe deu abrigou quando chegou à cidade, há um ano e meio.

Ao passar pela frente de um salão de beleza, mesmo sem ter experiência na área, Torrealva entrou no estabelecimento e se ofereceu para uma vaga de emprego como cabeleireiro. “Ele perguntou se eu sabia, eu disse que não, mas apreendia rápido. A dona  me ensinou tudo e  duas semanas depois já estava cortando cabelo”, relatou o imigrante, que saiu do primeiro emprego e hoje trabalha na Barbearia Grajaú, no Centro.

Engli Gonzalez, de 42 anos, veio para Manaus há três meses e já começou a trabalhar em um hotel no Centro. A camareira disse que um filho dela chegou antes, o que tornou a chegada dela mais fácil. “Espero que meu país supere essa crise para eu poder voltar para a minha casa”, disse a venezuelana, que lamentou a situação de outros imigrantes que não tem tanta sorte e precisam ir às ruas do Centro vender frutas, verduras e água.

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