Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019
Manaus

Ao lado de escola na Zona Leste, terreno baldio com acúmulo de ferro velho e lixo preocupa

Funcionários da Escola Estadual Manoel Rodrigues reclamam do barulho vindo do local, situado no bairro Armando Mendes, e temem contrair doenças



1.jpg Dono de uma oficina de metais disse que usa o terreno para depositar metais recolhidos do bairro. Materiais viram criadouros para o mosquito Aedes aegypti
11/02/2015 às 22:12

O depósito de um ferro velho instalado em um terreno baldio na avenida Itacolamy, bairro Armando Mendes, Zona Leste, seria uma boa alternativa para dar direção aos metais que não são mais utilizados pela comunidade. Apenas seria. Isso porque somente um muro com arame farpado divide o local de uma escola pública que ainda não entrou em atividade este ano, mas deve abrigar aproximadamente 1.600 alunos a partir de março.

O local está carregado de entulho metálico, composto principalmente por carcaças de veículos, grades de residências, latas de tintas e camburões. No local foi observado ainda, que muitos deles são espaços propícios para o desenvolvimento do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e da febre ckihungunya.



O dono de uma oficina de metais instalada em frente ao terreno, Manoel Fabiano, 79, admitiu que usa o espaço para depositar os materiais metálicos. O ferreiro não soube informar de quem o terreno seria propriedade. Ele explica, ainda, que coleta os objetos  no próprio bairro para vender em São Paulo e que outras duas oficinas também despejam materiais no local.

Ao ser questionado sobre os riscos, ele nega que o ferro velho possa causar problemas à comunidade. “Os médicos inventam essas coisas de dengue. Moro aqui há mais de 20 anos e nunca peguei. Mas mesmo assim capino para não ter risco”.

Funcionários de outra oficina próxima contaram que o terreno pertenceria à Escola Estadual Manoel Rodrigues de Souza, porém a informação não foi confirmada.  

Escola

As aulas na Escola Estadual Manoel Rodrigues iniciam somente em março, mas o problema com o ferro velho ao lado já é antigo. Segundo o diretor da escola que não quis se identificar, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) já foi informada sobre o problema em gestões anteriores, mas até o momento nenhuma providência havia sido tomada sobre o ferro velho. Funcionários da escola também contam que além de doenças, outros problemas causados pelo ferro velho tiraram o sossego dos alunos e professores.

“Teve época que os professores não queriam dar aula. Isso porque um homem veio por esse terreno baldio e pulou o muro. Ele apontou uma arma para um professor e uma aluna. O barulho de martelo também é insuportável todos os dias, os alunos não conseguem se concentrar”, contou uma servente.

 Terreno sem dono

A Seduc informou, por meio de nota, que o terreno onde é feito o descarte de objetos metálicos não pertence à Escola Estadual Manoel Rodrigues e que, por isso, somente o proprietário do local poderia tomar as providências necessárias.

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) disse que está realizando um levantamento de pontos estratégicos na capital que possam estar servindo de abrigo para criadouros e que irá reforçar as ações de controle nesses locais. O órgão ainda explicou que somente a Fundação de Vigilância Sanitária (FVS) possui autonomia para multar proprietários de terrenos baldios.



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