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Manaus
Escolaridade

10% dos detentos do sistema carcerário no Amazonas possuem Ensino Fundamental

O perfil confirma ainda mais a previsão do antropólogo Darcy Ribeiro, nos anos 80, quando afirmou que se os governantes não construíssem escolas, em 20 anos faltaria dinheiro para construir prisões 15/01/2017 às 05:00
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Foto: Antônio Lima
Luana Carvalho Manaus (AM)

A população carcerária do Amazonas é, em sua maioria, formada por jovens entre 18 e 24 anos sem escolaridade completa. Em um universo de 10.356, apenas 10% concluíram o ensino fundamental. O perfil confirma ainda mais a previsão do antropólogo Darcy Ribeiro, nos anos 80, quando afirmou que se os governantes não construíssem escolas, em 20 anos faltaria dinheiro para construir prisões. 

E em meio a uma das maiores crises do sistema penitenciário brasileiro,  o ministro da Justiça Alexandre de Moraes anunciou que o governo federal destinará R$ 430 milhões para as obras de novas penitenciárias e melhorias no sistema carcerário do país. A medida, para o antropólogo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ademir Ramos, é insuficiente e demonstra que não há preocupação com a principal falha do Estado: mais investimento em educação. 

“O crime nos faz pensar sobre a ordem instituída. Remete diretamente aos investimentos na educação, questão do combate a desigualdade social, políticas geradoras de emprego, trabalho e renda. Com ausência de investimento na educação, o Brasil continua campeão de exclusão de jovens escola”. 

A crítica também chegou a ser feita pela presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármem Lúcia, quando afirmou que um detento  custa R$ 2,4 mil por mês aos cofres públicos enquanto um estudante do ensino médio custa R$ 2,2 mil por ano. 

Mas, ainda segundo Ademir, o investimento em educação deve ir muito além de construção de prédios. “É preciso investir num projeto político pedagógico, discutir todo o investimento de ensino de escola de tempo integral, muitas delas se tornaram depósito de criança, enquanto deveriam haver atividades voltadas para a  arte, educação, ciência. Não adianta construir prédios se a gestão é péssima”, completou. 

O educador destaca, ainda, que o envolvimento da comunidade é importante para evitar a debandagem dos jovens para o mundo do crime.  “Não havendo escolas, vai haver penitenciária. E esse problema do abandono escolar é muito pior quando chega no Ensino Médio. Até o fundamental alguns pais ainda acompanham, depois, abrem mão. A exclusão fica ainda mais evidente no Ensino Médio”.
 
Perfil

De todos os detentos do sistema carcerário do Estado, somente 2% possuem o ensino superior completo e 11% possuem o ensino médio completo e outros 11% não concluíram. 

Dentro das unidades, somente 675 presos estão estudando, sendo que 399 estão em fase de conclusão do ensino fundamental e 117 estão finalizando o ensino médio. Todas as informações constam nas estatísticas do portal da transparência da  Secretaria de Administração Prisional (Seap). 

Número
1.139 é
 o número de detentos do Amazonas que concluíram o Ensino Fundamental, do total de 10.356 internos. O número equivale a 11% de toda a população carcerária do Estado. Apenas 11% possuem o Ensino Médio Completo.

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