Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019
ALEITAMENTO

Apenas metade das mulheres do Amazonas têm o hábito de amamentar

Levantamento da Secretaria de Saúde do Amazonas mostra que só 50% opta por amamentar filhos recém-nascidos por diversos fatores



aagora_aleitamento_dois_AE344629-08BA-48A7-ADBA-A74C767B2DAF.JPG Keityane orienta outras indígenas sobre a importância do aleitamento. Foto: Roberto Carlos/Secom
02/08/2019 às 07:20

Dados do Ministério da Saúde mostram que no Brasil apenas 40% das mulheres que acabaram de ter filhos têm o hábito de amamentar. No Amazonas a situação é pior: apenas metade pratica o ato, conforme levantamento preliminar.

Interrupções constantes do sono, feridas nos seios, problemas inerentes à criança e falta de prática são alguns dos fatores responsáveis pela baixa incidência, de acordo com a coordenadora estadual de Saúde da Criança, Rhamilly Amud Karam,  ue abordou o tema na abertura da Semana Mundial do Aleitamento Materno em Manaus. O evento aconteceu na manhã dessa quinta-feira (1), no Instituto da Mulher Dona Lindu, Zona Centro-Sul.

A campanha é promovida pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam) e continua até o dia 7 deste mês com uma série de atividades que visam incentivar a sociedade na defesa desse ato. Entres os principais benefícios do aleitamento materno estão o desenvolvimento saudável da criança, criação de vínculos entre mães e filhos e ativação das diversas conexões cerebrais do bebê.

“A criança que não toma leite materno pode desenvolver hipertensão, diabetes e obesidade. Isso tem efeitos sociais, econômicos e no desenvolvimento do bebê”, destaca Rhamilly. “A mulher precisa ser apoiada desde o pré-natal. Há mulheres que amamentam tranquilamente, outras sentem dificuldade. O bico fere, ela não encontra a posição correta, o bebê tem problemas... por isso, há desistência da amamentação na primeira semana (de vida)”, explica a coordenadora.

O foco da campanha deste ano é a rede de apoio à mulher, enfatizando a atenção paterna e familiar no auxílio e na facilitação dessa atividade, uma das principais influências da diminuição da mortalidade infantil no país. “Historicamente, sabe-se que apenas a mãe e o bebê são incluídos nesse processo. É uma questão de conduta social. Precisamos rever esse conceito”, analisa Dayana Souza, secretária executiva de saúde da capital.

Segundo Rhamilly, não há dados conclusivos sobre o índice de mulheres que costumam dar o leite materno a seus filhos no Amazonas. No entanto, levantamento prévio feito pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) da Susam estima que apenas cerca de 50% da população feminina do Estado compartilha desse hábito.

A ação de ontem fez parte das ações do “Agosto Dourado”, mês de incentivo ao aleitamento, cuja programação será vasta.

Dificuldades

A enfermeira Samanta Evangelista confessa que sentiu dificuldades ao dar o alimento ao filho Gabriel nos três meses e meio após o parto. No entanto, ela garante que não abre mão dos benefícios do que costuma chamar de “vacina natural”, inclusive por razões profissionais.

 “Ao fazer a orientação, falo às pacientes que o leite materno é a vacina do bebê. É um remédio que nós, mulheres, temos a capacidade de produzir. Não há indústria no mundo que possa imitar”, conta. “E os bebês que acabaram de receber vacina conseguem se recuperar dos efeitos mais rápido”, observa. “É um processo muito complicado. Depois da fase inicial, é como andar de bicicleta, você pega o ritmo e não desaprende mais”, ilustra a enfermeira.

Dieta adequada

A artesã Keityane “Bururi” Vieira, da etnia Sateré-Mawé, ensina a dieta adequada para produzir a quantidade suficiente para alimentar o recém-nascido. “Devemos beber bastante água e líquidos, como caldos”. A indígena diz que, devido às exigências do mundo contemporâneo, algumas mulheres da comunidade acabam optando por outro tipo de leite. “Promovemos debates sobre o assunto e mantemos a cultura de dar o peito para o filho”, ressalta.

Repórter freelancer de A Crítica

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