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Manaus
DE PAI PARA FILHO

Apesar da modernidade, a pesca artesanal é um costume que continua vivo em Manaus

A pesca e a venda de pescado são atividades tradicionais e comuns em bairros como o Puraquequara 09/09/2017 às 15:57
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A Feira do Peixe é tradicional atração no Puraquequara, na Zona Leste (Foto: Márcio Silva)
Álik Menezes Manaus (AM)

A pesca e a venda de pescado são atividades tradicionais e comuns em cidades da região amazônica. Apesar da modernidade no processo de pesca industrial e do crescimento de grandes projetos de piscicultura no Estado, o costume, que passa de pai para filho, se mantém vivo, em bairros como o Puraquequara, na Zona Leste da cidade. 

O vendedor de peixes Cleuton Ferreira de Souza, 48, contou que há 35 anos vive da venda de pescado na Feira do Peixe, localizada na orla do bairro. Cleuton aprendeu o ofício com o pai, aos 13 anos de idade e nunca trabalhou em outro segmento.

“Comecei cedo, na adolescência, e tenho orgulho da minha profissão. O alimento é a fonte da vida das pessoas. Antes eu pescava e vendia aqui, mas de um tempo para cá estou me dedicando mais à venda”, disse, Cleuton, enquanto tratava um peixe da espécie Aracu. O trabalho dele na banca garante o de outros pescadores no lago do bairro. 
Diariamente, antes mesmo do sol nascer, o peixeiro já está limpando a banca e esperando o carregamento de peixes. Segundo ele, o fluxo de clientes no local é alto e intensifica nos feriados e finais de semana. “Chego cedo para arrumar as coisas, lavar, limpar e esperar os pescadores trazerem o peixe. Muitas vezes, logo cedo, na madrugada, já tem bastante cliente esperando, eles gostam do peixe fresco”, contou. 

Na Feira do Peixe, do bairro Puraquequara, é comum encontrar pessoas que aprenderam o ofício com os pais e fazem questão de manter a tradição viva na família. O vendedor Raimundo Nonato Oliveira, 52, é mais um deles. Mas, há dois anos, ele “migrou” para a venda, deixando o ofício nos lagos para os mais jovens. “Antes ia embora lá para dentro do lago para pescar, mas a idade chegou e agora eu prefiro pegar esse pescado com amigos e trabalhar apenas com a  venda”, contou. 

O vendedor também é conhecido na feira e mantém uma clientela fixa, que prefere pescados que sequer tiveram contato com o gelo. “Com o passar do tempo, a gente acaba ficando conhecido, construindo e mantendo uma relação de amizade com as pessoas”. 

Movimento

O fluxo de pessoas na feira é intenso durante todo o dia, mas principalmente no início da manhã e no entardecer. “Pessoas de todas as zonas da cidade vêm aqui na feira comprar o nosso pescado. Acho que eles gostam de interagir com a pessoa que pescou e está vendendo e também a questão do preço que praticamos aqui, que influencia bastante”, contou o pescador Severino José de Oliveira, 40.

Vazante deixa peixe mais barato

Com a vazente dos rios, de peixes varias espécies ficam mais baratos em inúmeras feiras da cidade.  No Puraquequara, na Zona Leste, é possível comprar até 100 peixes por  R$ 30.
Sardinha e pacu são os mais em conta, segundo feirantes, mas os preços variam ao longo do dia. Conforme o vendedor Cleuton Ferreira de Souza, 48, às 5h e às 15h, o cento de peixe, dependendo da espécie,  pode ser comprado direto do pescador ou em barracas a preços especiais.

 “Nessa época tem muito peixe, é muita fartura, é preciso vender barato e em grande quantidade para que não haja perdas. É um crime pescar e deixar estragar, por isso vendemos bem barato. É para chegar e levar um monte”, disse. 

Mais vendidos 

Sardinha e pacu são os peixes mais vendidos na feira e, quando há muitas toneladas, são comercializados a preços mais acessíveis. Há feirantes que saem de outras zonas da cidade para comprar no Puraquequara, na Zona Leste.

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