Domingo, 28 de Novembro de 2021
POLUIÇÃO

Apesar de esforços para despoluição, igarapés de Manaus seguem campeões dos lixos

Locais que um dia embelezaram a cidade, hoje são depósitos de lixo a céu aberto



show_IGARAP___1__C6641245-5714-4E9D-A156-69B84E555B45.jpeg Foto: Arquivo/AC
20/11/2021 às 08:00

Uma das principais características de Manaus é o fato da capital amazonense ser entrecortada por cursos d'água, os igarapés que um dia embelezaram a cidade e serviram tanto como fonte de lazer, quanto de alimentação. O avanço desordenado da região urbana da cidade mudou essa realidade. De acordo com a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), mais de 25 toneladas de lixo são retiradas todos os dias das águas em Manaus. Por ano, esse número pode chegar a mais de 200 mil toneladas em toda capital, sendo que grande parte deste dado é proveniente do material descartado nos vários igarapés da cidade.

Materiais como garrafas pet e resíduos domésticos são alguns dos principais tipos de lixo a serem encontrados nos igarapés de Manaus, o que acaba causando diversos transtornos para moradores das proximidades desses locais. Esse é o caso do aposentado Wanderley Ribeiro, que mora nas proximidades do ‘igarapé do 40’, entre os bairros Japiim e Distrito Industrial I, e convive diariamente com o cenário de poluição.




Foto: Arlesson Sicsu

“No tempo da cheia dá aquela ‘chuvada’ que inunda isso aqui [o igarapé]. A limpeza aqui também precisa melhorar, eles fazem, mas é muito devagar e não é aquela coisa constante. Pra mim aqui devia ser uma limpeza regular, porque quando chove acumula muito lixo aqui”, afirma Wanderley Ribeiro. 

De acordo com o titular da Semulsp, Sabá Reis, a limpeza nos igarapés de Manaus tem sido feito de maneira constante, e mostrado que tais locais vêm sendo contaminados não apenas com material descartável, mas até com cadáveres de animais.

“Tem uma coisa que é pior do que garrafas pet e coisas do tipo. As pessoas têm criado seus animais [cachorro em especifico] e quando eles morrem, são descartados nos igarapés. Isso compromete os lençóis freáticos e a vida dos nossos igarapés. Já houve um dia que tiramos nos igarapés para os aterros, 600 toneladas de lixo e no meio disso havia 15 cachorros. Eles incham e poluem os igarapés”, afirma.


Foto: Arlesson Sicsu

Ainda segundo o secretário, atualmente 41 equipes trabalham na limpeza da cidade – e consequentemente na limpeza dos igarapés. Segundo Sabá Reis, por conta de contratos da gestão municipal passada, até o momento nenhuma contratação ou licitação foi feita pela Semulsp para aumento de pessoal na secretaria.

Mesmo com isso, a expectativa do atual governo municipal é que por ano sejam destinados cerca de R$ 200 milhões para a limpeza urbana na capital, sendo boa parte deste valor utilizado na limpeza dos igarapés locais. Além das ações em campo, a Semulsp também realizaria ações de conscientização e reciclagem.

“Temos um trabalho quase que invisível, que é o da conscientização, para que as pessoas nos ajudem a não jogar lixo da forma que jogam na rua. Temos duas equipes de conscientização que andam casa a casa, bairro a bairro. Paralelo a isso, todos os dias fazemos podas nas arvores de Manaus e todo o material descartado, que antes era jogado no aterro, hoje é trocado por tijolos com as olarias de Iranduba. Vamos também instalar uma maquina aqui para triturar vidro, que posteriormente vira areia para fazer massa, e quando estivermos efetivamente fazendo esse serviço, vamos deixar de jogar garrafas de vidro no aterro”, afirma.

Segundo Sabá Reis, tais ações visam também estender a vida útil do atual aterro da cidade, que segundo ele pode ser utilizado apenas por mais quatro anos. No entanto, a ideia do governo municipal é que esse tempo seja estendido.


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