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Após 10 anos vivendo na rua e ser dado como morto, autista reencontra família em Manaus

O ex-morador de rua Francisco Zavaski, de 59 anos foi localizado por familiares graças a solidariedade de um psicólogo e ajuda das redes sociais 23/10/2014 às 09:05
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Após quase dez anos vivendo na solidão das ruas, Francisco reencontrou a irmã, Zélia, que mora no Pará
FLORÊNCIO MESQUITA Manaus-AM

Emoção, choro e final feliz. Há dez anos desaparecido e considerado morto pela própria família, o morador de rua Francisco Zavasque reencontrou a irmã, na terça-feira (21), numa cena emocionante, no Serviço de Acolhimento Institucional (SAI), Amine Daou Lindoso, em Manaus. Francisco Zavaski, 59, morou quase uma década em condições precárias nas ruas do Centro da capital, agravadas pelo fato de ser autista. Ele foi acolhido pelo abrigo, trocando a solidão da rua pela atenção humana, assistência social, alimentação e atendimento médico que recebeu dos servidores.

O reencontro só foi possível pela sensibilidade do psicólogo Carlos Alberto Almeida, 55, que está apenas há três no abrigo. Ele se interessou pela história e percebeu que o sobrenome singular de Francisco poderia ser uma pista para reencontrar a família dele na rede social Facebook. Embora educado, Francisco nunca falou mais que um “oi” ou um “bom dia” com os servidores do abrigo. Sempre foi de pouquíssimas palavras, evitando qualquer tipo de interação mais longa com as pessoas. Carlos conseguiu romper tal barreira e estabeleceu um canal de comunicação com Francisco, que negou diversas vezes ter família.

O psicólogo insistiu e, em julho deste ano, encontrou o perfil de uma jovem no Facebook, com o mesmo sobrenome de Francisco, morando em Santarém, no Pará. A jovem não sabia, mas era sobrinha de Francisco. Apesar da garota responder, inicialmente, que não tinha nenhum parente chamado Francisco, o psicólogo a convenceu a falar com os demais parentes. Ela comentou o assunto com a mãe dela, a agricultora, Zélia Zavasque, 44, que imediatamente ficou emocionada ouvindo o nome do irmão, dado como morto. “Fiquei chocada, mas a primeira coisa que pensei foi que tinham encontrado meu irmão, mas morto”, disse Zélia.

Carlos comunicou a equipe do abrigo que encontrara a família de Francisco. A notícia causou um misto coletivo de alegria, lágrimas e comemoração nos servidores. Ao ser informado sobre a própria família, Francisco relutou e disse que não reconhecia os nomes da sobrinha ou da irmã. Carlos descobriu outros familiares de Francisco e imprimiu as fotografias de cada um. O apelo visual era o que faltava para ele lembrar da infância e reconhecer os rostos dos irmãos e da mãe dele.

Reencontro

O encontro com a irmã Zélia foi planejado durante dois meses com a equipe do abrigo até a chegada dela, em Manaus, na segunda-feira. Todos os funcionários e pessoas que recebem assistência do abrigo pararam tudo para receber Zélia, em grande comemoração. Um choro coletivo tomou conta do lugar, numa prova que é possível acreditar em mudanças de vida e ter esperança de um final feliz.

Francisco está de malas prontas para voltar para o Pará, onde irá morar com a mãe dele que, segundo Zélia, não vê a hora de reencontrar o filho.

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