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Após 15 anos, drenagem volta a ser problema em comunidade da Zona Norte de Manaus

Mais de 20 casas foram atingidas pela água  que transbordou do igarapé. Há mais de 15 anos o problema não acontecia 26/02/2015 às 20:50
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Obras de drenagem profunda da Seminf foram mal executadas, dizem moradores da comunidade Raio de Sol
LÍVIA ANSELMO Manaus (AM)

A dona de casa Tina da Costa, 31, fica aflita a cada novo dia que a chuva ameaça atingir a Zona Norte. Após 15 anos morando na comunidade Raio de Sol, no Nova Cidade, a preocupação com o igarapé que margeia as casas da rua M se tornou rotina.  Uma obra de drenagem profunda  do igarapé foi iniciada e tubulações foram colocadas para que a água escoasse, no entanto, o volume é muito para o espaço e as alagações iminente.

Além das casas da rua M, os moradores da rua Girassol e da avenida Margarita, principal via do bairro, também colocam  a situação como um problema. Em vídeos filmados pelos moradores, a avenida ficou interditada por conta do volume de água na pista. Nas casas, a água invadiu e deixou prejuízos.

No local, a revolta dos moradores se dá principalmente pelo ocorrido do último dia 23 de fevereiro. “Em 15 anos, nunca tinha passado por isso. O igarapé sempre passou atrás do quintal e nunca foi uma preocupação. O problema é que mexeram e fizeram isso”, reclama Tina.

O autônomo Enildo Júnior, 37, mora na via principal e o quintal dele também margeia o igarapé. Em um vídeo, o veículo dele, que estava em frente  à casa, teve as 4 rodas cobertas pela água e uma parte da parede da casa desabou. “A força da água descendo para o lado da minha casa foi tanta que aconteceu isso”, explicou.

Eles desconhecem a autoria da obra. Alguns alegam pertencer à Prefeitura de Manaus e outros ao proprietário de um balneário próximo ao local. “Nós queremos saber se vão continuar a obra, se vai ser finalizada e o que vai acontecer com a gente. O que não pode é deixar assim”, disse a dona de casa Nelma Nascimento Lima, 33. Os moradores dizem acreditar que obra está sendo realizada para beneficiar o empresário, já que o terreno do balneário fica maior com o aterro colocado sobre da tubulação da drenagem.

Conflito

A administradora do balneário Luar do Sertão, Daniela Cavalcante, disse que a propriedade tem sido utilizada apenas para dar suporte aos técnicos e trabalhadores da prefeitura que estão na obra. Segundo ela, há duas semanas a obra está parada por conta da chuva. “Há um conflito porque a comunidade acredita que nós estamos com a obra parada e trazendo esses problemas, mas não somos. As máquinas ficam aqui porque nós cedemos o espaço para guardar”, explicou. 

Daniela ressaltou ainda que os moradores devem procurar a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf)  para entender o que está sendo feito no local. “Eles estão vindo nos cobrar, mas nós não temos nada a ver com isso”, disse.

Risco de desabamento na área

A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), por meio da assessoria de imprensa, confirmou que a obra pertence ao órgão.  Segundo a secretaria, a obra de drenagem profunda foi realizada porque havia risco de desabamento na avenida Margarita.

 Todo o processo foi realizado entre dezembro e janeiro deste ano, no entanto, até hoje ainda se encontram pedaços de tubulação no local.

Apesar de já ter sido finalizada a obra,  por conta das denúncias e  reclamações dos moradores, uma equipe técnica será enviada ao local para verificar o que ocorre, conforme informou a assessoria de impresa.

A Seminf negou que o trabalho tenha sido realizado para beneficiar o empresário do balneário Luar do Sertão.


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