Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
DIA DAS MÃES

Após 5 anos, mãe de Manaus reencontra filho desaparecido em Cuiabá-MT

Alex Farias Moça, 34, é deficiente auditivo e mental. Reencontro foi possível com apoio da Defensoria Pública dos estados do Amazonas (DPE-AM) e do Mato Grosso (DP-MT)



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Foto: Divulgação
12/05/2019 às 10:04

Dona Dagmar costuma dizer que está perdida em relação à idade. Afirma ter 56 anos, mas os familiares a contrariam e falam que ela está ainda mais perto dos 60. Perder, no entanto, era um verbo que a moradora do conjunto Viver Melhor, na Zona Norte de Manaus, não conjugava quando o assunto era a esperança de reencontrar o filho Alex Farias Moça.

E como se tudo que desejamos virasse realidade, a confiança valeu a pena. Com o apoio da Defensoria Pública dos estados do Amazonas (DPE-AM) e do Mato Grosso (DP-MT), o rapaz de 34 anos, que estava desaparecido há cinco anos, foi localizado em Cuiabá. Resultado: mudanças nos planos para o Dia das Mães, que este ano será celebrado por Dona Dagmar e família com um tambaqui especial, temperado com sabor de reencontro.

Dagmar tem dois filhos e uma filha: Alex e Iranildo, de 25 anos, que são deficientes auditivos, e Natalina, de 28. Alex também é deficiente mental. “Na época que ele desapareceu, eu trabalhava. Aí minha filha ligou para mim no trabalho dizendo que o Alex ia viajar, ia embora. Eu não sei como é que ele foi, como chegou em Cuiabá. Daí passou esses anos todinhos, e eu fui procurar alguma coisa. Uma mulher falou ‘procura a Delegacia Geral que eles vão te ajudar’. Eu levei foto e em março eu tive a resposta que encontraram ele”, conta a mãe.

O primeiro contato de Alex com a Defensoria Pública foi no dia 11 de janeiro de 2019, quando, acompanhado de Marcelo, um amigo que o rapaz fez em Cuiabá, disse que tinha perdido seus documentos e precisava tirar a 2ª via do Registro Geral (RG). Na ocasião, Alex disse que se chamava André Gomes Ferreira.

Uma das assistentes sociais da DP-MT que atou no atendimento, Eluidil Fontes, lembra que Alex não conhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e não é alfabetizado, o que os levou a se falarem com gestos, dificultando o entendimento. O contato seguinte foi no dia 21 do mesmo mês. Na ocasião, após muita dificuldade, ele foi informado que precisaria trazer um Boletim de Ocorrência registrando o extravio dos documentos.

“Diante da situação, sem que conseguíssemos nos comunicar direito, decidimos entrar em contato com a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), da Polícia Civil, e eles nos informaram, no dia 25 de janeiro, que com o nome de André G. Ferreira, existia uma identidade em Mato Grosso. Mas, que após o confronto das digitais, eles verificaram que não era do rapaz que auxiliávamos”, explica a assistente.

A partir de então, Alex buscou a Defensoria do Mato Grosso diariamente para conseguir seus documentos. A equipe do órgão procurou a Delegacia de Homicídios e Pessoas Desaparecidas, para pedir ajuda na divulgação de sua imagem. “Foi quando tivemos resultados concretos, com apoio da Polícia e da Imprensa”, lembra Eluidil.

No dia 18 de fevereiro deste ano, o Núcleo de Pessoas Desaparecidas de Cuiabá recebeu informações da Defensoria Pública do Estado do Amazonas relatando que André, na verdade, se chamava Alex, e que ele fazia parte do banco de dados de pessoas desaparecidas da Polícia Civil amazonense.

A assistente jurídica da DPE-AM, Ana Thereza Barbosa, foi quem atendeu a Dona Dagmar em Manaus.

“A Dona Dagmar nos procurou com uma comunicação de desaparecimento à família expedida pelo Instituto de Identificação de Cuiabá. Eu entrei em contato com o Instituto e eles me referenciaram para a Defensoria do Mato Grosso. Nesse processo, uma assistente social do Centro de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) de lá me contou que o Alex era envolvido com movimentos estudantis e indígenas, além de ser conhecido nas redes municipal e estadual de assistência. Assim nós estabelecemos comunicação com eles”, recorda Ana.

Passada a fase de localização, a DPE-AM intermediou com a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) o custeio das passagens para que Dona Dagmar viajasse a Cuiabá e trouxesse Alex de volta a Manaus.

O reencontro entre Dagmar e Alex aconteceu no dia 15 de abril, quando a mãe entrou pela primeira vez em um avião. “Meu coração tá alegre, vou reencontrar ele”, resumiu Dagmar antes da viagem. Em Cuiabá, mãe e filho passaram dois dias juntos até retornar ao Amazonas.

“Nós ficamos com receio de colocar o Alex em um avião e, em Brasília, ele se perder na hora da conexão. Nós ficamos muito felizes de poder propiciar esse Dia das Mães para a Dona Dagmar com o seu filho. É para isso, na verdade, que a Defensoria Pública existe: ser uma ponte entre o necessitado e a implementação de seus direitos”, destaca o defensor público Roger Moreira, que acompanhou o caso.

Busca pelo BPC

Depois da volta a Manaus, a assistência da Defensoria Pública para Dona Dagmar e Alex não acabou. Agora, a DPE-AM tem atuado para garantir atendimento médico ao rapaz, além de buscar o pagamento de seu Benefício de Prestação Continuada (BPC). O BPC garante o pagamento de um salário mínimo para pessoas com deficiência de qualquer idade ou idosos com idade de 65 anos ou mais que apresentam impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial.

“Daqui em diante é ele estar perto de mim para eu correr atrás da situação dele, porque ele tem problemas, e correr atrás dos documentos dele”, comemorou Dona Dagmar, que passou a semana antes do Dia das Mães andando com o filho nos órgãos para que Alex fosse atendido.

Em casa, a expectativa para este domingo era a melhor possível. “Conseguimos um dinheiro e vamos comprar um tambaqui para fazer o assado. Além do Dia das Mães, para comemorar a volta do Alex”, contou a irmã dele, Natalina. Sem perdas, um tambaqui com tempero de reencontro. 

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