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Manaus
ESCOLAS PÚBLICAS

Após aluno sofrer infarto, pais e professores apontam falta de estrutura de escolas

Desde que aluno de 14 anos morreu durante a aula de educação física em Centro Educacional de Tempo Integral, muitos pais ficaram preocupados com a falta de estrutura das escolas 26/03/2017 às 05:00
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O estudante Edibeth Pereira era aluno do Ceti Professor Engenheiro Sérgio Pessoa Figueiredo, na Cidade de Deus. (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Álik Menezes

Nem todas as escolas públicas do Amazonas têm um controle sobre a saúde dos alunos, e a maioria não conta com estrutura para atendê-los em caso de emergência. Essas medidas poderiam evitar mortes como a do estudante Edibeth Pereira da Silva, 14, que sofreu um infarto durante a aula de educação física no Centro Educacional de Tempo Integral (Ceti) Professor Engenheiro Sérgio Pessoa Figueiredo, na Cidade de Deus, Zona Norte, e morreu antes de receber atendimento médico adequado, no último dia 3 deste mês.

A escola onde Edibeth estudava não contava com estrutura para atender o estudante, assim como a base do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que fica perto do Ceti, onde não havia médico nem desfibrilador.

E isso não é um problema isolado. Uma professora da Escola Municipal de Educação Especial André Vidal Araújo, localizada na Vila Amazonas, Zona Centro-Sul, disse que a unidade também não possui nenhum tipo de estrutura para primeiros socorros em casos emergenciais envolvendo as crianças. Nem mesmo um prontuário médico dos alunos a escola tem.

Segundo ela, recentemente uma criança precisou de atendimento e os professores ficaram desesperados. “Não sabíamos se ela tinha alguma alergia porque a escola não tem esse controle. Ficamos muito desesperados, sem saber o que fazer”, completou a professora. 

Na Escola Estadual Sant’Ana, localizada na avenida André Araújo, alunos, que pediram para não serem identificados, também informaram que a escola não tem nenhum tipo de informação sobre a saúde deles. “Nunca preenchi nenhum formulário informando se tenho alguma doença ou alergia”, disse um aluno de 17 anos. 

Pais atuantes
Sempre preocupada com a possibilidade dos filhos passarem mal na escola, a gestora de recursos humanos Sulier Brito, 31, sempre  informa as professoras e a direção da escola sobre a tipagem sanguínea e alergias dos filhos.

“Têm escolas que não pedem essas informações no ato da matrícula, mas eu informo”, conta a gestora. Os filhos dela estudam nas escolas da rede estadual Senador Antóvila Mourão Vieira (no São Jorge, Zona Oeste) e Bom Pastor (no Crespo, Zona Sul). Sulier se surpreendeu no início deste ano, quando recebeu um formulário para informar se os filhos tinham algum tipo de doença crônica ou alergias, mas não acredita que apenas isso basta.

“Lá me pediram. Me assustei porque nas públicas é muito raro pedirem, mas apenas isso não vai salvar meu filho se ele passar mal”, contou. A dona de casa Paula Rosa, 37, disse que, na Escola Estadual de Tempo Integral Djalma da Cunha Batista, na avenida General Rodrigo Otávio, e na escola Benício Leal, localizada no Japiim, Zona Sul, no ato da matrícula precisou preencher “fichas” informando sobre a saúde dos filhos, e aprovou a medida.

A médica pediatra Camila Maria Viana Batista disse ser fundamental as escolas terem dados com relação ao histórico de alergias dos alunos  e também estarem preparadas para atender qualquer emergência. Segundo ela, apesar de serem raros os casos de ataque cardíaco em  adolescentes, é muito importante que as escolas tenham profissionais para atender os alunos. “Nem precisa ser profissional da saúde, basta estar capacitado para prestar os primeiros socorros, que é a reanimação cardiopulmonar. O desfibilador externo automático pode ser utilizado por qualquer pessoa, mas treinada. É importante a capacitação das pessoas que estão na escola”, disse. 

Semed diz que lei não obriga

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que não há nenhuma legislação prevendo a obrigatoriedade de equipamentos básicos de saúde nas escolas municipais, mas desenvolve ações preventivas e educativas. “Os profissionais de educação física também estão capacitados para fazer o primeiro atendimento. A orientação é que, em primeiro lugar, seja chamado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e, durante o aguardo, sejam realizados os procedimentos básicos. A menos que seja uma emergência com risco de morte, a orientação é de que o estudante não seja levado a uma unidade de pronto-socorro, mas espere a chegada do atendimento de urgência”, informou, em nota.

Até o fechamento desta edição não obtivemos resposta da  Secretaria de Estado da Educação (Seduc) quanto aos assuntos tratados na reportagem.

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