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Manaus
ENTREVISTA

Após atentado criminoso, delegado do município de Guajará (AM) será remanejado

Vítima de um atentado na semana passada, Paulo Jorge Gadelha está em Manaus aguardando transferência de cidade 11/07/2017 às 00:39 - Atualizado em 11/07/2017 às 07:23
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Delegado Paulo Jorge Gadelha mostra as marcas do atentado. Foto: Márcio Silva
Kelly Melo Manaus (AM)

O delegado de Guajará (distante 1.467 quilômetros da capital), Paulo Jorge Gadelha, que na semana passada foi vítima de um atentado criminoso, vai ser transferido para outra delegacia. A informação foi confirmada pelo próprio delegado que está em Manaus, aguardando o remanejamento.

Gadelha estava lotado no município há cinco anos e, apesar da mudança, o trauma ainda não foi totalmente superado. Mesmo assim, ele afirmou que continuará as  investigações rigorosamente, independente de onde seja o novo posto de trabalhado.  “A minha esposa ainda está muito abalada, principalmente porque temos uma criança de apenas quatro meses. Mas eu vou continuar fazendo o meu papel, prendendo criminosos, sejam eles quem for”, destacou.

Quatro suspeitos de terem participado do atentado contra o delegado já foram identificados e presos. O mandante do crime seria José Vagner Silva de Souza, o “Pastor”, que contratou Francisco Silva Pinheiro, o “Nego”, e Antônio Laene  Silva do Vale, o “Laene” para atear fogo no carro e na casa do delegado. Por sorte, apenas o veículo  dele foi atingido.  Além dos três, a polícia descobriu que Jonatha da Silva e Silva também participou da ação criminosa e foi preso no último sábado, pela Polícia Militar.

Segundo Paulo Gadelha, Pastor é um traficante conhecido na cidade e foi preso diversas vezes por ele. No entanto, o delegado afirma que nunca havia recebido uma ameaça diretamente. “Não houve ameaça. Só depois do ocorrido, soubemos que eles estavam tramando a minha morte há pelo menos dois meses. Agora o delegado que for designado para lá vai dar andamento às investigações até mesmo para saber se existem outras pessoas envolvidas nesse crime”, explicou.  O inquérito policial tem 30 dias para ser concluído.

Déficit

O atentado contra o delegado Paulo Gadelha, em Guajará, também chama a atenção para o déficit de policiais civis no interior do estado e a falta de estrutura. A  Associação de Delegados de Polícia do Estado (Adepol-Am), estima a ausência de pelo menos 600 policiais para atender as delegacias do interior, dado este que não foi confirmado pela Polícia Civil.

“Lá em Guajará, era apenas eu e um investigador.  E isso se torna bastante arriscado porque a polícia não consegue intimidar como tem quer ser”, contou Gadelha. “Nós estamos acompanhando o caso do delegado Gadelha e sem dúvida, a falta de policiais civis nas delegacias é um fator que aumenta o risco de um atentado. Por isso temos cobrado um reforço policial para os municípios não só para evitar ocorrências dessa natureza, mas principalmente combater a criminalidade”, explicou o presidente em exercício da Adepol, Sandro Sarkis.

Concursados de 2009 serão convocados

O Delegado-Geral Adjunto da Polícia Civil, Ivo Martins, informou que a Delegacia Geral está trabalhando para chamar aproximadamente 300 candidatos entre investigadores e escrivães do concurso de 2009.  “Estamos promovendo tratativas que possibilitarão o chamamento de cerca de 300 candidatos que foram prejudicados na prova de digitação no concurso de 2009. Todos esses servidores quando entrarem, serão lotados no interior”, sinalizou Martins.

Já para suprir a falta de delegados nos municípios, a PC está fazendo remanejamentos, para atender a demanda.

No caso de Guajará, ainda não há um novo delegado para continuar as investigações no local, mas segundo o diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI), Mariolino Brito, o delegado do município mais próximo vai ser nomeado para atender as duas cidades temporariamente.  

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