Sábado, 31 de Julho de 2021
Nível estável

Após atingir marca histórica, vazante do Rio Negro pode começar na próxima semana

A baixa oscilação no crescimento das águas e o déficit de precipitação de chuvas na região já indicam que a vazante do rio Negro poderá começar



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31/05/2021 às 17:11

O nível do rio Negro em Manaus apresentou estabilidade mais uma vez, apresentando o mesmo nível do último domingo (30) quando atingiu a marca histórica de 29,97 metros. A baixa oscilação no crescimento das águas e o déficit de precipitação de chuvas na região já indicam que a vazante do rio Negro poderá começar na próxima semana.

Segundo Luna Gripp Simões Alves, pesquisadora em Geociências do do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), a cheia de 2021 aparenta está no seu fim, devido a baixai incidência de chuvas.



"Em Manaus, entre janeiro e fevereiro o nível do rio subiu muito. Resultado das grandes chuvas. Entre fevereiro e março a velocidade não foi tanta acima do esperado. Tivemos algumas manchas de chuva abaixo. Ao que tudo indica pelo que observamos em termos gráficos. O que parece é que a gente observa uma finalização do processo de enchente. Se comparado em 2012 e as demais cheias máximas", informou a pesquisadora.

Apesar da baixa oscilação, a previsão é que o rio Negro cresça até pelo menos 30 metros, conforme índice do CPRM.

"O rio está subindo um, dois centímetros, ou até mesmo zero. A medição varia muito. Depende da hora do dia que você mede, o rio pode subir ou descer. O que nossos modelos preveem? Há 80% de probabilidade do nível do rio Negro chegar a 30 metros, com mais ou menos 2 centímetros de margem de erro", destacou Alves.

'Repiquete' descartado

A descida repentina do rio (repiquete), fenômeno natural que provoca uma queda abrupta do rio e depois um retorno de crescimento como no ano de 2009 que registrou 29,77 metros, também foi descartado pelos pesquisadores do CPRM.

"O repiquete é quando temos uma inversão do processo, Em 2009 o que aconteceu? Ao final do mês de maio o rio apresentou uma certa estabilização indicando que provavelmente cairia. Só que em junho voltou a subir. Se analisarmos as condições climáticas de 2009 com o ano de 2021, podemos afirmar que não há possibilidade deste fenômeno acontecer", ressaltou Alves.

Intervenções humanas

Questionada pela A CRÍTICA sobre os níveis de atribuição à ação humana na ocorrência de eventos extremos como a cheia e seca na bacia amazônica, a pesquisadora em Geociências destacou que não é possível afirmar de forma clara os impactos causados pelo homem.

"Acredito que não é tão nítido esse sinal de padrão efeito antrópico para as bacias da Amazônia. Temos uma grande quantidade de elementos que influenciam. Em termos de climatologia isso não é tão claro porque temos outros eventos naturais. O efeito aquecimento global vem das ações do homem. Apesar das demais bacias brasileiras estarem afetadas pelas ações do homem, para a Amazônia ainda não é tão nítido assim", respondeu a pesquisadora.

O meteorologista do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), Renato Cruz Sena, também aponta que ainda não é possível demarcar até que ponto o fato das cheias severas estarem ocorrendo com mais frequência estão relacionadas ao cuidado que a humanidade tem com o planeta.

"A gente não pode negar que desses eventos das sete maiores cheias que ocorrem nesse século. Isso é um número frequente. Assim como as secas que ocorreram no final dos anos 70. É bastante difícil fazer essa associação. Aparentemente ele existe. Mas dizer que isso é ação do homem é muito forte afirmar esse processo. Tem uma série de coisas que poderiam identificar isso, temos processo de mancha solar, a história da humanidade. As grandes cheias e grandes secas da Amazônia já eram conhecidas pelo planeta antes mesmo da humanidade", acrescentou.

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Repórter de A Crítica
Amazonense, nascido e criado em Manaus. Graduado em Jornalismo e mestrando em Antropologia Social, ambos pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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