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Manaus
PROBLEMAS CONSTANTES

Após cancelamentos, Anac cobra explicações da Insel Air, que deve ser vendida

Presidente da Amazonastur, Oreni Braga, disse que procurou a Insel e foi informada de que a empresa será adquirida pela Avianca, que deve operar a rota Manaus-Curaçao 02/03/2017 às 18:52 - Atualizado em 03/03/2017 às 08:22
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Empresa começou a operar em Manaus em julho de 2015, mas já está de saída (Foto: Reprodução)
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Após constantes cancelamentos de voos no trecho Manaus/Curaçao e Curaçao/Manaus, a Agência Nacional de Aviação Civil vai oficiar a companhia Insel Air para que a empresa preste informações sobre os problemas nas operações. A agência informou que está acompanhando a situação dos passageiros oriundos do Aeroporto Internacional de Manaus, por meio dos fiscais que trabalham no Núcleo Regional de Aviação Civil. A Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur) também buscou explicações e informou que a companhia deve ser negociada com outra empresa, a Avianca. 

“Em território brasileiro, a empresa é obrigada a prestar assistência aos passageiros impactados por atrasos e cancelamentos, tais como direito à comunicação, alimentação e acomodação adequada, bem como reacomodação em outro voo próprio ou de outra companhia. Entretanto, a empresa fechou o escritório no Aeroporto de Manaus”, informou a Anac, sobre a atual situação da Insel Air no Brasil. 

Desde o ano passado, diversos casos de cancelamentos, falta de assistência e ausência de informações têm sido expostos por clientes. Segundo a agência, as práticas são passíveis de autuação com aplicação de multa por infração cometida contra cada passageiro. “Além disso, a agência pode aplicar outras sanções à empresa área, de acordo com as irregularidades apontadas”, declarou.

A presidente da Amazonastur, Oreni Braga, afirmou que o Estado tem buscado justificativas para os constantes casos de cancelamento da Insel Air. 

“Buscamos junto ao representante da Insel Air em Manaus, senhor Rodaon Gonzaga e junto ao secretário de turismo em Curaçao, Hugo Clarim, entender o porquê dos cancelamentos de voos da companhia em Manaus e em Curaçao, e quais as providências que estavam sendo tomadas para evitar tais constrangimentos. A resposta do secretário foi de que a Insel Air está sendo negociada pela Avianca, a qual passará a atender o trecho Manaus/Curaçao com suas aeronaves”, informou a presidente. 

Ainda segundo ela, o secretário de turismo da ilha caribenha disse que a negociação seria consolidada nesta semana. “Paralelamente a isso, estamos discutindo com outras companhias que tenham interesse em operar o trecho Manaus/Curaçao e que possa ter como destino final Amsterdã. A Gol é a companhia que pode entrar nesse negócio, se achar interessante”. 

Direitos

A Anac explicou que denúncias podem ser feitas pela central de atendimento gratuito no número 163. “A abertura de procedimento administrativo junto à Anac não prejudica nem impede o passageiro de buscar eventuais indenizações por danos morais e/ou materiais decorrentes do descumprimento do contrato de transporte aéreo perante os órgãos de defesa do consumidor e ao Poder Judiciário”. 

No caso de passageiros brasileiros em Curaçao impactados pelo cancelamento de voos, a agência orienta que eles devem procurar assistência e informações por meio da Representação do Brasil na República de Trinidad e Tobago. As regras de assistência da Anac não são aplicáveis fora do Brasil, pelo princípio da extraterritorialidade.

Outras medidas poderão ser aplicadas pela Anac contra à empresa, a partir da análise das informações obtidas pela agência na apuração do caso.

Problema recorrente 

Desde o final do ano passado, diversos voos da Insel Air foram cancelados. No dia 29 de dezembro de 2016, o voo que partiria de Manaus para Curaçao não ocorreu e uma confusão se instalou no Aeroporto Eduardo Gomes. Na ocasião, passageiros disseram que o tumulto iniciou após a aeronave ter apresentado falhas, como o não funcionamento dos ar-condicionados e dos banheiros, além de falta de informação. 

A companhia aérea hospedou os passageiros em hotéis e providenciou a troca da tripulação, para que eles seguissem a viagem. Outro grupo, porém, optou por seguir para Curaçao na mesma aeronave em um vôo previsto para sair durante a noite. 

No dia 9 de janeiro, outro caso de cancelamento foi registrado, dessa vez na rota Curaçao-Manaus. Pelo menos 60 passageiros da Insel Air tiveram o voo de Curaçao com destino a Manaus cancelado pela empresa e nenhuma justificativa oficial foi dada. 

Na época, uma funcionária chegou a dizer a um grupo de turistas que o voo das 20h50 foi cancelado porque não havia piloto. Todos foram orientados a pegar as malas, ir para um hotel pago pela empresa e retornar no outro dia, pois o voo seria remarcado para a manhã do dia seguinte.  No entanto, ao invés do alívio, o que se seguiu foram mais transtornos. Ainda segundo os passageiros, eles só conseguiram deixar o aeroporto cerca de duas horas após o cancelamento do voo, em pequenos grupos de sete pessoas por van. Ao chegar no hotel, os turistas souberam que ao invés de 8h, o novo trajeto aéreo para Manaus seria feito somente às 20h50 da terça-feira. 

Em 29 de janeiro, um outro grupo de passageiros passou pelo mesmo problema na rota Curaçao-Manaus e demorou dois dias para conseguir retornar à capital amazonense. Na volta, eles ainda se depararam com malas extraviadas pela empresa caribenha. 

No dia 28 de fevereiro, passageiros registraram uma nova queixa de cancelamento da rota Curaçao-Manaus. Os passageiros deste voo, aproximadamente 90 brasileiros, ainda estavam na ilha caribenha até a noite desta terça-feira. Segundo eles, a esperança era de conseguir retornar para a capital amazonense nesta sexta-feira, três dias depois do que estava inicialmente previsto. 

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