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Manaus
AGRESSÕES

Após casos de violência na Ufam, professores aprovam criação de frente antifascismo

Agressões ocorreram em sala de aula. Os docentes também querem imediata apuração dos casos, com consequente punição dos agressores 17/10/2018 às 09:53
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Foto: Arquivo A Crítica
acritica.com

Em virtude dos recentes casos de violência contra professores e alunos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), inclusive em sala de aula, que foram intensificados após o resultado do 1º turno das eleições para presidente do Brasil, os docentes decidiram criar uma frente antifascismo na instituição, com intuito de promover a defesa da democracia e da liberdade dentro e fora do campus universitário,

A categoria deliberou, durante Assembleia Geral nesta terça (16) em Manaus e em Parintins, e segunda (15) em Humaitá, por exigir da Administração Superior da Ufam a imediata apuração dos casos, com consequente punição dos agressores. Segundo eles, não pode haver sensação de impunidade na instituição.

Os docentes decidiram encaminhar ao Conselho Universitário (Consuni), instância máxima deliberativa da universidade, cuja reunião ordinária ocorrerá nesta quinta (18) e sexta-feira (19), uma moção de repúdio aos ataques contra professores e estudantes e ainda de solidariedade às vítimas agredidas, não somente de discursos de ódio, mas de violência de motivação política.

A comissão, formada por professores que se voluntariaram durante a Assembleia, terá o 1º encontro nesta quarta (16), às 17h, na sede da Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA-SS), no Campus Universitário, para articular o contato de discentes e técnicos, e ainda definir um calendário de ações para os próximos dias, entre elas, a realização de aulas e debates públicos dentro e fora da Ufam.

Além disso, também foi aprovada a realização de uma Assembleia Geral comunitária para discutir os riscos da destruição do estado democrático de direitos. Para os professores, as eleições são apenas parte de uma “batalha” que pode custar a perda de uma série de direitos duramente conquistados em tempos difíceis na história recente do Brasil e que põe em xeque inclusive os serviços públicos.

“Em nome da autonomia do sindicato, que é marcado historicamente por sua independência em relação a governos e partidos, o ANDES-SN se posiciona contra o fascismo. E na defesa da construção de frentes únicas o fascismo, o sindicato toma lugar nesta conjuntura e assume aquilo que está previsto nos seus estatutos, que a finalidade classista e, portanto, não político-partidário”, disse o presidente da ADUA-SS, Marcelo Vallina.

Fora da sede

Os pontos de pauta foram discutidos também em assembleias nos Institutos de Educação, Agricultura e Meio Ambiente (IEAA) e de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia (Icsez), na noite desta segunda-feira (15), e na manhã desta terça-feira (16), respectivamente. No IEAA, no município de Humaitá, os presentes defenderam a necessidade da Ufam, enquanto instituição, apurar os fatos e identificar os envolvidos nos casos de ataques a docentes, na universidade.

Posicionamento defendido pelo professor da unidade, Valmir Flores Pinto. “Devem-se apurar os fatos e, ao identificar os culpados, tomar providências imediatas, seja por abertura de processo administrativo ou por outros meios. E não ficar somente emitindo nota de repúdio”, criticou.

Levando em consideração a necessidade de ampliação do debate e a urgência do esclarecimento da comunidade acadêmica sobre o fascismo, a professora Viviane Vidal sugeriu a criação de uma campanha informativa ou de eventos voltados aos discentes, docentes e comunidade externa sobre o crescimento da onda de ódio que tem gerado ataques do tipo. “As medidas contribuirão também para a criação da frente antifascismo”, argumentou.

O diretor da ADUA-SS Leonardo Dourado também sugeriu que seja realizado um Dia de Paralisação Nacional Contra o Fascismo em parceria com todos os sindicatos e organizações sociais. A proposta também foi aprovada pelos presentes.

ICSEZ

No ICSEZ, em Parintins, a 2ª vice-presidente da ADUA-SS e docente dos instituto, Milena Barroso fez uma análise da conjuntura atual e ressaltou as particularidades e a gravidade do cenário atual. A diretora informou ainda que, na última reunião da categoria (IFES), na última terça (9), a questão foi discutida, e que o momento exige um posicionamento mais direto da categoria. “Como resultado, o ANDES-SN encaminhou roda de assembleias para que a base possa se posicionar sobre o contexto atual que coloca em questão os rumos da universidade pública”, destacou ao passar a fala aos demais participantes.

Na Assembleia descentralizada de Parintins, os docentes aprovaram ainda que a Assessoria Jurídica da ADUA preste apoio e instrução os casos de agressões a docentes, técnicos e discentes.

Em articulação com docentes da Ufam e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) serão realizadas também as seguintes atividades: Aula Pública no próximo dia 23 de outubro às 19h na Praça da Liberdade (em Parintins), com o tema “Fascismo, com Intervenções Culturais, Aula de Capoeira em Homenagem ao Mestre Moa do Kadendê (assassinado em Salvador); a Ampla divulgação da Carta Nacional dos Professores socializada, em 15 de outubro deste ano; e a produção de vídeos de um minuto, alertando sobre o momento de tendências fascistas e de apelo a Democracia.

*Com informações da assessoria de imprensa

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