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Após completar 35 anos de existência, bairro São José necessita de espaços para lazer

Considerado o segundo bairro mais populoso de Manaus, São José Operário, localizado na Zona Leste, passou por momentos turbulentos 23/03/2015 às 10:53
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Evangelista da Silva, 60, chegou no bairro Sãp José há 32 anos, na época em que as ruas ainda eram de barro e as casas de madeira. Hoje ele é dono de um bar
Luana Carvalho Manaus (AM)

“Cheguei aqui quando só tinha barro. Não existia asfalto, energia elétrica e nem transporte público. Todas as casas eram de madeira”, lembra o comerciante Evangelista da Silva, 60, um dos primeiros moradores do segundo bairro mais populoso de Manaus, o São José Operário, na Zona Leste, que na última quinta-feira completou 35 anos de existência.

“Evan”, como é conhecido pela comunidade, mudou-se para o bairro há 32 anos para fugir do aluguel. Ele vivia na Cachoeirinha e abriu mão da infraestrutura do bairro da Zona Sul em busca da casa própria. Foi no São José Operário que ele criou, junto com a esposa, dois filhos e agora uma neta. “Lembro que na época o prefeito era José Fernandes. Fizeram um loteamento das terras e doaram os terrenos. Muitas famílias carentes também conseguiram a primeira casa por meio da doação”, comentou.

Dono de um bar bastante frequentado no São José 1, ele lembra, como se fosse ontem, todas as dificuldades que moradores do bairro já passaram. “Só depois de 12 anos, desde que vim morar aqui, que o fornecimento de água e luz passou a ser regular, mas ainda assim, até hoje a comunidade sofre com problema de falta d’água. O transporte público também era de péssima qualidade, não tinha ônibus para o bairro”, relembra o comerciante, que presenciou manifestações da população por melhorias no transporte. “Era uma quebradeira de ônibus. O povo ficava muito revoltado”.

O bairro carregou por muitos anos o estigma de local violento. Por muitas vezes o comerciante pensou em sair do local para fugir do problema. “Na época das galeras, na década de 90, os índices de violência eram altíssimos. Até hoje ainda é, mas infelizmente não é um problema apenas para a Zona Leste. Pensei algumas vezes em deixar o bairro, mas resolvi ficar e foi aqui que construí minha vida”, comentou.

Apesar de ainda ser considerada área vermelha, o bairro São José se destaca pela área comercial. “Aqui pode faltar espaços para lazer, mas tudo que precisamos comprar, encontramos na Zona Leste. Temos até shopping”, disse a dona de casa Sandra Vieira, 45, que reside no bairro há 15 anos.

Sem contar com os ônibus alimentadores, o bairro conta com 7 linhas de ônibus que fazem o trajeto bairro/Centro. Mas ainda falta investimento, de acordo com Sandra. “Precisam colocar mais ônibus de qualidade para a população, que cresce cada vez mais”.

O bairro conta com uma delegacia, uma policlínica, o Hospital Pronto Socorro João Lucio e a maternidade Ana Braga.

Carnaval

Uma das maiores escolas de samba de Manaus, o Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba A Grande Família, está sediada no bairro São José e é onde grande parte da comunidade teve o primeiro contato com o samba. A ‘Grande Família’ estreou oficialmente Grupo Especial das Escolas de Samba de Manaus no ano de 1995.

Moradores clamam por áreas de lazer

A presidente da Associação dos Moradores do São José I, Marluce Perdigão, conta que uma das maiores carências da comunidade do bairro São José Operário são espaços de lazer. “Nós temos Complexo Esportivo Paulo Roberto Souto, mas clamamos pela construção de um Centro de Convivência da Família, para que as famílias tenham mais opções de lazer e atividades”, comentou.

Atualmente, os moradores contam apenas com as atividades realizadas pela Associação de Moradores, que oferece mais de 17 cursos dos mais variados segmentos, além de aulas de balé e lutas para as crianças. Todos os cursos são mantidos pela comunidade. “São cursos de corte e costura, moda intima, acessório para cozinha, doces e salgados, entre outros”, completou.

Aproximadamente 1.800 famílias são atendidas pelo pro grama Mesa Brasil e pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Além disso, cerca de 380 idosos participam do projeto ‘Vida Ativa’ na associação.

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