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Após confronto entre invasores e PMs, reintegração de posse acontece em clima tranquilo

A pedido do Governo estadual, um contigente de 400 policiais militares começou a desocupação de um terreno de 132 mil metros quadrados, ocupado por mais de 500 pessoas há mais de um mês. Após resistência e três prisões, ação ocorre pacificamente 03/12/2014 às 14:26
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No início da ação, houve confronto entre invasores e policiais militares
Perla Soares e Victor Affonso Manaus (AM)

CONFIRA DE GALERIA DE IMAGENS

Teve início na manhã desta quarta-feira (3) a reintegração de posse de um terreno de 132 mil metros quadrados no bairro Santa Etelvina, na Zona Norte de Manaus, próximo ao parqueamento do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM). Cerca de 300 famílias moravam no local há mais de um mês.

A ação acontece desde às 6h, a pedido do Estado. O mandato foi expedido pelo juiz Márcio Rothier Pinheiro Torres, da 4a Vara, e o oficial de justiça Marcel Tupinambá acompanha a reintegração. O contigente da Polícia Militar no local é de cerca de 400 policiais, entre Grupamento Metropolitano, Força Especial de Resgate e Assalto (Fera), Comando de Policiamento Especializado (CPE, que inclui canil e cavalaria) e Grupamento de Radiopatrulhamento Aéreo (Graer), além de agentes do Serviço de Inteligência da Polícia Militar (PM2) e da Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema).

Logo no início, houve confronto entre invasores e PMs. Os habitantes do terreno jogaram pedras e tijolos na direção da barreira policial montada no local. Os policiais revidaram com bombas de efeito moral e gás lacrimogênio, acalmando a situação. Barreiras foram montadas ao longo das vias que dão acesso ao local e também enorme área verde degradada. Foram encontrado três garrafas com gasolina, que seriam usadas como coqtel molotov, intactas. Até o momento, três pessoas foram presas por resistirem à desocupação.

Após o conflito, a operação ocorre normalmente e as pessoas estão deixando seus barracos improvisados com lonas pacificamente, ocupando as laterais da via principal com móveis e eletrodomésticos. Os lotes 35 e 37 na área pertencem ao Governo do Estado, enquanto que outra grande parte pertence à Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror).


Às 10h, houve novo confronto, após a chegada do advogado dos invasores e um mal-entendido. Abdala Sahdo, que assessora e defende judicialmente os ocupantes do terreno particular, havia pedido que algumas poucas famílias voltassem aos seus barracos para retirar itens pessoais. Os moradores, que estavam impedidos de entrar na área pela PM, aguardavam na via do lado de fora da invasão mas, ao ver a presença do advogado e algumas pessoas entrando, acreditaram que a reintegração estava suspensa e voltaram correndo às suas casas.

Até então relaxados, os policiais, tanto dentro quantro fora do terreno, entraram em estado de alerta com a correria e foram agredidos com tijolos jogados pelos invasores. Eles voltaram a responder com bombas de efeito moral, mas não conseguiram controlar a situação de imediato. Foi quando o helicóptero do Graer sobrevoou bem baixo e lançou bombas de gás lacrimogênio na multidão, acalmando os ânimos no solo.

Pelo menos duas mulheres ficaram feridas. O oficial de justiça presente reclamou com o advogado, culpando-o pelo conflito, e pediu para ele acalmar seus clientes. Por dentro, a polícia conseguiu expulsar as pessoas da invasão novamente, e a situação foi controlada 40 minutos depois. Agora, os dois lados discutem se deixam ou não as pessoas voltarem às suas casa para terminar a desocupação. "É complicado pois, se entrarem, não vão mais querer sair", disse um agente do Grupo FERA à reportagem.


Histórico

A invasão do terreno começou tímida, no dia 21 de outubro, mas enquanto os olhos estavam voltados para o processo eleitoral que aconteceria naquela semana, o número de invasores triplicou em apenas uma semana, conforme apurou reportagem de A CRÍTICA na época. Toda a área havia sido “dividida” e os “lotes” eram vendidos a R$ 500, R$ 700 e até R$ 1 mil.

Uma espécie de milicia foi instalada no local, e um grupo de 15 pessoas se revezava desde o início da ocupação ilegal na "proteção" da área. O terreno está situada logo atrás do condomínio Viver Melhor 4, nas proximidades do Parque de Exposições Eurípedes Lins (antiga Expoagro).

De acordo com relatos, a invasão teria a presença de “indígenas”, mas órgãos competentes não confirmaram a informação. Como vem acontecendo em todas as invasões, pessoas se autointitulam índios com o objetivo de atrasar as decisões judiciais, uma vez que processos envolvendo indígenas são de competência da Justiça Federal.

Os invasores também haviam desenvolvido um mecanismo de “aviso” aos demais. Quando há jornalistas, fotógrafos e polícia nas imediações, eles soltam fogos de artifício. Isso aconteceu quando eles viram A CRÍTICA no local pela segunda vez, ainda em outubro. De acordo com relatos, a maior movimentação acontece à noite, quando “param carrões e ônibus lotados".

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