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Após divergências, manifestação de professores se dispersa e grupo fecha entrada da ALE-AM

Cerca de 300 pessoas caminham em direção à Assembleia Legislativa do Amazonas, na avenida Mario Ypiranga Monteiro, onde pretendem acampar no local, a fim de pressionar parlamentares a ouvir suas reivindicações 26/03/2015 às 13:08
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Professores seguiram para a ALE-AM, onde negociam a entrada do grupo para diálogo com parlamentares. Cerca de 300 pessoas participam deste segundo ato
Lívia Anselmo e Janaína Andrade Manaus (AM)

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A manifestação organizada por profissionais da educação municipal e estadual, que se concentraram durante toda a manhã desta quinta-feira (26) na avenida Constantino Nery, ficou dividida depois que uma confusão tomou conta do ato. Após não concordarem com a decisão dos líderes da Associação Movimentos de Luta dos Professores de Manaus (Asprom) de acampar na frente da sede do Governo do Estado e da Prefeitura de Manaus, um grupo de professores manifestantes seguiu em direção a Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) e dialoga com o presidente da Casa, deputado Josué Neto.

Segundo a Polícia Militar (PM) cerca de 300 pessoas caminharam em direção à Assembleia. Mais cedo, a PM afirmou que 2 mil pessoas participavam do protesto, enquanto os organizadores falam em quase 4 mil participantes. A dispersão se deu por conta de um conflito durante a Assembleia Geral realizada para definir qual seria o futuro da manifestação.

Os professores chegaram na sede da ALE-AM por volta de 11h30, horário em que servidores geralmente saem para o almoço. Uma fila de carros foi formada no portão da ALE e servidores estão impedidos de deixar o local por cerca de 40 minutos, inclusive os que estão a pé, como uma servidora que estaria com um bebê no colo. A empresa que fornece alimentação para alguns funcionários também não conseguiu acessar a ALE.

Segundo o responsável pela segurança, o capitão da PM Vital, o problema do bloqueio nos dois portões é causado pelo desentendimento entre os próprios manifestantes. De acordo com Vital, os professores não entraram em consenso sobre a formação de uma comissão que entraria na Casa para conversar e deliberar as reivindicações com os deputados. Outra causa seria a quantidade de vagas no plenário: apenas 200, e do lado de tem 300.


Foto: Janaína Andrade

Após mais de uma hora de deliberação, uma comissão formada por seis professores se reuniu em uma sala com o presidente da ALE, Josué Neto, além do presidente da Comissão de Educação, deputado Dr. Gomes, o líder da oposição, deputado Luiz Castro, e o líder do governo, David Almeida. Enquanto isso, o resto dos manifestantes foi para a quadra polioesportiva da Assembleia.

O deputado Josué Neto lamentou a impossibilidade dos professores irem para o plenário da Casa. “Infelizmente é um dia em que a agenda na Assembleia está atribulada”. Neto disse que foram recebidos secretários de governo, o presidente do TCE Josué Filho e o procurador-geral de Justiça Fábio Monteiro, em reuniões previamente agendados.

Dr. Gomes afirmou que as reivindicações dos professores precisam ser deliberadas de forma mais aprofundada. “Vamos ouvir as demandas. Pelo que se percebe, não são pautas terminativas, que já tenham decisão”. Ele citou ter conhecimento das divergências existentes entre grupos de professores, mas que todos serão ouvidos.

Decisão forçada

Ainda na concentração da avenida Constantino Nery, o coordenador da Asprom, Lambert Melo, sugeriu o acampamento na frente da sede do Governo e, em votação, perdeu. A proposta vencedora foi do movimento Professores Unificados, liderada pelo professor Jevaldo Silva, de construir um calendário para novas manifestações e encerrar o ato desta quinta-feira com uma reunião no sábado (28), para definir datas de novos atos.

Mesmo sem ter vencido em votação, Lambert tentou impor a decisão e desconsiderou a votação na proposta do movimento oposto. Revoltados, os professores se dispersaram, considerando a atitude de Lambert um desrespeito com a categoria.

Segundo Jevaldo, são atitudes como as do líder da Asprom que enfraquecem o movimento da categoria. "Não adianta colocar meia dúzia de pessoas acampadas em frente à sede do Governo. Queremos organizar mais momentos como esses, de união, onde conseguimos reunir um número significativo de professores para lutar", explicou, ao defender sua proposta.

Lambert precisou ser retirado no carro de som para não ser agredido. "Nós queremos dois dias de luta seguidos. Essa é a nossa proposta e é o certo", defendeu ele.


Sem participar, Sindicato mostra apoio

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam) divulgou nota à imprensa dizendo que "agradece o envolvimento dos professores na manifestação de hoje".

“Não somos contra a manifestação. Iniciamos essa semana o processo de negociação com Prefeitura e Governo do Estado. Quanto mais gente em defesa da educação, melhor. Educação e valorização profissional são nossas prioridades" disse o presidente do sindicato, professor Marcus Libório.

O comunicado segue: "Aproveitamos para informar que abrimos a negociação tanto com o prefeito Artur Neto quanto com o governador José Melo esta semana, depois de realizar assembleia da categoria, que decidiu, entre outras coisas, pelo reajuste salarial de 20%". 

Liborio informou, ainda, que a paralisação é o último recurso dentro do processo de negociação, quando todas as outras possibilidades forem esgotadas. “Por enquanto está havendo diálogo. Vamos aguardar que o processo de negociação seja concluído." explicou.

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