Terça-feira, 23 de Julho de 2019
MEDIDA

Após mortes em presídios, MP-AM pede transferência de líderes de facções

Presos devem ser transferidos para unidades federais fora do estado. Segundo o Ministério Público, confronto entre lideranças de uma mesma facção provocaram a chacina com 55 detentos mortos



leda_90D8052D-7844-48F5-A4E9-5BFAD34E31A7.JPG Foto: Sandro Pereira
27/05/2019 às 21:35

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP/AM) recomendou ao Governo do Estado, na tarde desta segunda-feira (27), que realize o quanto antes a transferência de líderes de facções criminosas que estão presos no Amazonas. O pedido foi realizado logo após a morte de 40 presos dentro das unidades prisionais de Manaus e um dia após 15 detentos terem morrido em uma chacina no Complexo Anísio Jobim (Compaj).

Em coletiva de imprensa realizada na noite de hoje, na sede do MP/AM, a procuradora-geral de Justiça, Leda Mara Albuquerque, disse que a medida visa amenizar o quadro de crise do sistema prisional do estado. “Fizemos algumas recomendações ao governador Wilson Lima e a transferência é uma das principais formas de minimizarmos a possibilidade de confrontos entre as facções”, comentou.

Ainda conforme a procuradora-geral, também foi realizado um pedido ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, para que uma força de intervenção penitenciária do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) seja deslocada ao Amazonas para ajudar a controlar o imbróglio nos presídios. “É uma união de esforços de todo o sistema prisional brasileiro para que venha uma força-tarefa ao nosso estado para ajudar o governo a conter a crise penitenciaria”, disse.

Em vídeo divulgado na sua página oficial no Instagram, o governador Wilson Lima declarou que os mandantes da chacina nos dois dias foram identificados e que já pediu ao governo federal a transferência deles para presídios de segurança máxima. Ainda segundo Lima, uma força-tarefa será encaminhada para o Amazonas, após conversa com o ministro Sérgio Moro, para reforçar o grupo de intervensão prisional do estado. 

O Ministério Público reforçou o pedido para que revistas sejam realizadas nas prisões. Conforme investigações do MP, todas as mortes registradas na manhã desta segunda-feira (27), tiveram sinais de estrangulamentos provenientes do uso de lençóis, além do uso de armas brancas como estoques, principalmente o uso de escovas de dente com a ponta afiada para serem utilizadas para perfurarem as vítimas.

Briga interna

Segundo Leda Albuquerque, os confrontos de domingo (26) e desta segunda-feira (27) tem uma particularidade que faz destoar de outros confrontos recentes realizados no sistema prisional amazonense. “A informação que temos é que houve um confronto entre lideranças de uma mesma facção criminosa que atua no estado, não entre facções rivais”, apontou.

O MP/AM não divulgou qual seria a facção criminosa autora da chacina. 

Em 2017, um confronto entre membros da facção criminosa Família Do Norte (FDN) e Primeiro Comando da Capital (PCC), resultou na morte de 56 detentos no Compaj, após reclamações de superlotação e revanche entre as facções rivais.

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