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Após mulher correr risco de ficar cega, câmeras devem ajudar a identificar ação de PMs no Galo

Segundo esposo da vítima, bomba de gás atirada por policiais atingiu em cheio o rosto de Ivaneide Fonseca durante confusão na Banda do Galo, na última terça (9). Ivaneide continua internada 10/02/2016 às 18:53
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Narciso, marido de Ivaneide, ferida pela bomba disparada pela polícia, mostra as marcas sofridas
Joana Queiroz Manaus (AM)

orrer às imagens de câmeras particulares para identificar os policiais da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) que, na noite de terça-feira (9), lançaram uma bomba de gás lacrimogêneo que atingiu o olho esquerdo da empregada doméstica Ivaneide Oliveira Fonseca, 46. O acidente ocorreu enquanto ela se divertia no Bloco Galo de Manaus, tradicional festa realizada na avenida das Torres.

A mulher está internada no Hospital 28 de Agosto, e conforme avaliação médica, corre o risco de perder a visão. Hoje pela manhã, Ivaneide será submetida a uma cirurgia para tentar reverter a situação. O vigilante Narciso Luciano Bahia de Souza, 37, marido de Ivaneide, também teve ferimentos leves nas pernas e no braço. Ele recebeu cuidados médicos e foi liberado.

Ontem à tarde, Luciano foi à Corregedoria Geral da Secretária de Segurança Pública (SSP) para denunciar a ação dos policiais. Até ontem ele não sabia exatamente quantos policias estavam envolvidos na ação e disse que todos estavam sem a identificação.

O comandante geral da Polícia Militar James Frota disse que assim que foi informado do ocorrido mandou verificar todas as guarnições que estavam trabalhando na segurança do Bloco Galo de Manaus.

O vigilante foi ouvido por oficiais da Polícia Militar, membros da corregedoria, que o informaram que vão instaurar um procedimento administrativo para avaliar a conduta dos militares e ainda vão encaminhar o depoimento dele para a Divisão de Justiça e Disciplina (DJD). Frota disse que já determinou que fosse instaurada uma sindicância para apurar os fatos e dependendo do resultado será ou não instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar o caso criminalmente.

A Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública do Amazonas informou, por meio de nota enviada à imprensa, que "será feita instauração de inquérito administrativo e que o caso também será encaminhado à Polícia Militar do Amazonas (PMAM) para instauração de inquérito policial militar".

Ainda abalado emocionalmente o vigilante disse que não costuma sair de casa, principalmente à noite, mas como o evento estava acontecendo perto da casa onde mora,  os vizinhos o convidaram. Então ele e a mulher decidiram ir brincar Carnaval.

Por volta das 21h30, o casal já estava retornando para casa a pé e pararam para ouvir musicas em dois veículos nos chamados paredões. Não demorou cinco minutos, um grupo de rapazes começou a brigar.

Rocam chegou para contornar briga

O vigilante Narciso Luciano disse que a  Rocam chegou no local e passou a prender  as pessoas envolvidas na briga. Algumas que estavam ali não gostaram e começaram a jogar garrafas de vidro para cima dos policiais.

De acordo com Luciano, ele, a mulher e os vizinhos saíram correndo em direção à casa onde moram. “Logo ouvimos estouro de bombas de gás e uma delas explodiu diretamente no rosto da minha esposa” relatou o vigilante. Ainda de acordo com Luciano, a mulher não conseguiu mais enxergar e o sangue começou a escorrer pelo rosto.

Desesperado, o vigilante disse que saiu pedindo ajuda, primeiramente da própria PM, que disse que não tinha como ajudá-lo. Uma pessoa que passava pelo local levou a vítima para o pronto socorro 28 de Agosto.


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