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Após oito horas de protesto, manifestantes liberam trecho da av. Constantino Nery

Segundo manifestantes, houve confusão com a polícia minutos antes de liberarem a via. Protesto causou congestionamento quilométrico na Constantino, fazendo até a faixa azul do BRS ser liberada 24/02/2015 às 16:59
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Moradores usaram pedaços de madeira, colchões, cadeiras e mesas para bloquear avenida
Luana Carvalho e Vinicius Leal Manaus

Depois de quase oito horas de protesto, moradores do bairro Presidente Vargas, “Matinha”, na Zona Sul de Manaus, liberaram o trecho da avenida Constantino Nery, em frente ao Terminal de Ônibus 1 (T1), por volta das 13h30 desta terça-feira (24). Segundo os manifestantes, houve confusão entre a polícia e moradores minutos antes de liberarem a via.

“Nós já tínhamos combinado que íamos sair e aguardar uma resposta da comissão que foi até a Sede do Governo. Só foi a imprensa ir embora e os policiais agiram com truculência. Nos xingaram e um policial jogou spray de pimenta. Uma moça que estava grávida passou mal”, relatou uma das manifestantes, Gerusa Costa de Oliveira.

Apesar da via ter sido liberada, a medida não é definitiva, uma vez que os manifestantes prometeram fechar novamente a Constantino caso não haja uma resposta positiva por parte da coordenação do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim). “Estamos aguardando nossa comissão nos dar um parecer. Se a resposta for negativa, voltaremos a bloquear a avenida”, completou Gerusa.

Manifestação

A manifestação foi iniciada por volta das 6h em frente ao Terminal de Ônibus 1 (T1). O protesto era organizado por moradores do bairro Presidente Vargas, “Matinha”, que reivindicavam a inclusão de famílias do bairro em programas habitacionais do Estado. Até as 12h o trecho continuava bloqueado, mas uma faixa foi liberada após negociação.

A faixa azul da av. Constantino Nery, exclusiva para ônibus BRS, chegou a ser liberada pelo Instituto Municipal de Engenharia de Trânsito (Manaustrans) para todos tipos de veículos com intuito de aliviar o extenso congestionamento, no sentido bairro/Centro, ocorrido por conta de uma manifestação.


O trecho da faixa azul na Constantino que foi liberada fica próximo à concessionária Peugeot, na entrada do bairro São Jorge, no sentido bairro/Centro. A rua Pará, que dá acesso à av. Djalma Batista, foi usada para desviar veículos da Constantino, com exceção dos ônibus, que seguiam rumo ao Centro mesmo com a retenção.

Alternativa

Carros e ônibus que tentavam acessar o Centro da cidade ficaram retidos. Alguns usuários do transporte coletivo desembarcaram dos ônibus e foram andando até o Centro. Parte da via chegou a ser liberada, mas foi bloqueada novamente. Ônibus e carros usaram um retorno antes do Terminal 1 para conseguir dar meia-volta e sair dali.

Polícia

Policiais militares da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) foram acionados para conter a manifestação e ajudar agentes de trânsito do Manaustrans a trabalharem na fluidez da via. Soldados do Exército também foram ao local, mas em seguida foram embora. Um helicóptero da Polícia Militar também foi usado durante os trabalhos.

Negociação

Após negociação com a PM, seis representantes dos moradores foram à sede do Governo do Estado, na avenida Brasil, bairro Compensa, para tentar uma negociação sobre as reivindicações deles, sem definição de quem iriam recebê-los. Se a resposta fosse negativa para as reivindicações, o grupo fecharia toda a via novamente.

Protesto

Conforme o tenente Ronald Martins, da 24ª Companhia Interativa Comunitária, os moradores que moram à beira de um igarapé, em área alagadas e de risco, reivindicam a inclusão de famílias do bairro em programas habitacionais do Estado. A área passará por obras do Programa Social dos Igarapés de Manaus (Prosamim).

Segundo os moradores, a coordenação do Prosamim deixou de cadastrar algumas famílias no programa, e por isso eles têm medo de terem suas casas desapropriadas e derrubadas durante as obras, e de ficarem sem moradia. Em 2015, a subida das águas já deixou muitos municípios do Amazonas em situação de emergência.

Prosamim III

Antes da negociação na sede do Governo, a Unidade Gestora do Prosamim (UGP) havia informado por meio da assessoria de imprensa que o cadastramento para reassentamento no bairro Presidente Vargas já foi encerrado e que, até o final do primeiro semestre de 2015, o Prosamim vai reassentar apenas as 304 famílias já incluídas no programa.

Conforme o Prosamim, a área do Presidente Vargas, que tem intervenções previstas no Prosamim III e contempla a Bacia do São Raimundo, teve o cadastro de moradores beneficiados concluído em 2009. O reassentamento dos cadastrados tem acontecido gradativamente desde o início da execução do Prosamim III, em 2012.

De acordo com a assessoria, cerca de 50 famílias do bairro Presidente Vargas já foram reassentadas. Mais treze iniciam esta semana as oficinas de preparação para o reassentamento, oferecidas pelo programa. No total, as obras da terceira fase do Prosamim III beneficiarão cerca de 50 mil pessoas que moram nos igarapés que compõem a Bacia do São Raimundo.

Sem Prosamim

A UGP do Prosamim informou que não há previsão de abertura de novo cadastro para moradores de residências erguidas após o cadastramento já realizado. A estimativa é que existam cerca de 60 casas erguidas após a conclusão do cadastro, segundo a assessoria. Ou seja, os manifestantes que bloquearam a Constantino não conseguirão o que querem.

O coordenador do Prosamim, Frank Lima, informa que a situação de novas moradias só é analisada após o término daquilo que foi planejado para ser feito pelo Programa. “Estas novas famílias, provavelmente, terão que buscar inserção no cadastro social da Superintendência de Habitação do Amazonas ou da Prefeitura de Manaus”, analisa o gestor.

Financiamento

O contrato para esta fase do programa é de US$ 400 milhões, sendo US$ 280 milhões financiados pelo BID e US$ 120 milhões pelo Governo do Amazonas. O prazo de desembolso é de cinco anos, a partir da data de assinatura do contrato, portanto, o mesmo se estende até 2017.

Na Bacia do São Raimundo, a execução de trabalhos está planejada para cinco bairros: Aparecida, São Raimundo, Glória, Presidente Vargas e Centro e deve beneficiar, de forma direta, 4 mil famílias que somam quase 20 mil pessoas.

Indiretamente as obras que já estão sendo executadas na Bacia do São Raimundo vão contribuir com a melhoria da qualidade de vida de 10 mil famílias, que representam 50 mil pessoas.

Até agora o Prosamim já reassentou das áreas de intervenção de obras na Bacia do São Raimundo 3.555 famílias, o que representa 17.775 pessoas. Somando todo o beneficio social, de 2006 até janeiro deste ano, o Prosamim já atendeu 13.948 famílias, ou quase 70 mil pessoas, nas zonas Sul e Oeste de Manaus.

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