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Após prender chefões da facção FDN, polícia procura pela última peça que faltava: ‘Jucy’

Polícia tenta prender Jucimar “Jucy”, que é importante engrenagem na Família do Norte. Ele faz a ponte entre a FDN e os produtores de droga 29/02/2016 às 14:12
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‘Jucy’ vive na Venezuela e de lá comando o tráfico de drogas com João Branco a quem ajudou fugir da polícia brasileira
acritica.com ---

Com os recentes golpes impostos pelas forças policiais ao crime organizado ainda resta para ser preso o narcotraficante Jucimar Salinas Pontes o “Jucy”, que de acordo com as investigações policiais era um forte aliado, na Venezuela, do narcotraficante João Pinto Carioca o “João Branco”, preso pela Polícia Federal na quinta-feira, em Pacaraima (RR), quando tentava ingressar em território brasileiro.

Foi Jucy quem deu guarida ao narcotraficante João Branco, quando este fugiu do sistema semi-aberto do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, (Compaj) no Km 8 da BR-174, há quase dois anos, logo depois de ter assassinado o delegado da Polícia Civil Oscar Cardoso Filho, no dia 9 de março de 2014.

De acordo com informações policiais, Jucy é fornecedor de droga e não se envolve com homicídios e outros assuntos da Facção Criminosa Família do Norte (FDN), mas foi ele quem forneceu logística e dinheiro num primeiro momento para João Pinto Carioca.

Fugitivo da Justiça amazonense há mais de 14 anos e morando atualmente na Venezuela, para a polícia, Salinas Pontes representa um perigoso aliado do crime organizado no exterior, de acordo com o secretário de segurança pública Sérgio Fontes. Informações colhidas pela polícia é que Jucy é o intermediário entre os cartéis de droga colombianos, com os produtores de coca peruanos e o crime organizado no Amazonas.

Antes de ser preso pela Polícia Federal em 2000, Salinas Pontes era o elo entre os colombianos no abastecimento de drogas para as cidades de Manaus, Belém e Fortaleza, além de Frankfurt, na Alemanha. Usava um comércio de gêneros alimentícios para driblar os agentes federais.

A polícia tem informações que Jucy reside atualmente na cidade turística Puerto de La Cruz conhecida como “Pequena Veneza”, devido aos inúmeros canais urbanizados e com ancoradouros, além de ser banhada pelo mar do Caribe. O mesmo recebe proteção da polícia local, o que dificulta a sua prisão.

FDN sem comando e sem poder

O delegado da Polícia Federal Rafael Machado, que presídio as investigações da operação La Muralla, disse que não será fácil a FDN se reestruturar. De acordo com ele, com as prisões, apreensões de droga, de bens e de dinheiro a FDN ficou fragmentada, sem comando e com poucas pessoas de confiança e com representatividade nas ruas.

De acordo com o delegado, dentro dos presídios federais onde a principal liderança está presa em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), ela tem grandes dificuldades em enviar ordens. Sem esquecer que o principal líder, o traficante José Roberto Barbosa, - o “Zé Roberto da Compensa” - era quem mantinha a união do grupo criminoso.

Para Machado, nunca existiu harmonia na facção, mas muitos desafetos, com interesses distintos, trabalhavam juntos por imposição do comando. Nem todos concordavam com os homicídios, com o dinheiro recolhido na caixinha para ajudar o “irmão” em suas necessidades e com diversas outras imposições. “O tráfico não vai terminar na cidade, mas dificilmente a FDN vai conseguir se reestruturar da forma e com o poder que possuía antes”, disse.

Depois da prisão de João Branco, na quinta-feira, dois integrantes da FDN foram presos. O foragido da operação "La Muralla" Afonso Celso Caldas, 36, preso na sexta-feira com 70 kg de cocaína, e Janderson Araújo, o “Boca Rica”, com dois quilos de cocaína. Eles eram quem recebiam e distribuíam a droga para abastecer as bocas de fumo em Manaus.

João Branco será transferido para o presídio federal de Catanduvas (PR)

A Polícia Federal está providenciando a documentação necessária para fazer a transferência do narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, para o presídio federal de Catanduvas, no Paraná, estabelecimento prisional destinado exclusivamente a presos de alta periculosidade. A confirmação do destino do criminoso veio do delegado de Polícia Federal Rafael Machado, que ontem disse ainda não ter a data exata da transferência do criminoso.

A Penitenciária Federal de Catanduvas tem celas individuais, com cerca de 7 metros quadrados, uma cama, uma pia, um sanitário, uma mesa com banquinho – todos de concreto – e um chuveiro.

“Branco” atualmente está preso na Superintendência da PF em Manaus, após ser capturado em Pacaraima (RR), que faz fronteira com a Venezuela. “João Branco” tentava entrar no Brasil, com documentos falsos.

Fuga espetacular

Salinas Pontes foi preso em 2000 pela Polícia Federal em frente ao Conjunto Tocantins, Chapada, com ele foram apreendidos, dois carros e R$ 7.500,00 e várias jóias. Depois de dois anos ele fugiu.

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