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Após retirada de camelôs, lojistas invadem de forma abusiva as calçadas do Centro de Manaus

Lojistas burlam ordens do poder público e aproveitam para ocupar espaços liberados pelos camelôs com araras e ‘expositores ambulantes’ de produtos 12/11/2014 às 10:09
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Parte dos lojistas alega que a ‘invasão’ é uma forma de atrair clientes para a loja
Perla Soares Manaus (AM)

Saem os camelôs e entram as “araras”. As ações da Prefeitura de Manaus que pretendem revitalizar o Centro, com a implantação de galerias populares e a retirada dos camelôs das calçadas, abriu espaço para os lojistas fazerem a exposição irregular de produtos, de roupas e calçados a bolsas e todo tipo de acessório, que agora são vendidos por “expositores ambulantes”.

Em parte das ruas do Centro não existem mais bancas de camelôs, mas o espaço deixado por eles está sendo ocupado por vendedores contratados pelas lojas, que circulam pelas calçadas com os produtos nas mãos, oferecendo-os aos pedestres, apesar da fiscalização diária dos órgãos competentes.

Os “expositores ambulantes” reforçam a “invasão” promovida por lojistas, que colocam cavaletes e araras do lado de fora das lojas, ocupando espaço nas calçadas, semelhante ao que faziam os camelôs e vendedores ambulantes retirados do local.

Antes da retirada dos camelôs, o discurso de lojistas era que o comércio varejista tinha a possibilidade real de voltar a ter resultados expressivos, tirando os camelôs da informalidade e das ruas, e transformando-os em comerciantes. Assim, todos ganhariam e a cidade voltaria a ter um centro ordenado, onde as pessoas pudessem caminhar com maior liberdade para realizar suas compras.

Mas o discurso passou longe da prática. Pelo menos, é o que se pode constatar ao caminhar pela rua Marechal Deodoro, onde vários expositores, araras, e cavaletes de lojas ocupam as calçadas. Questionados pela reportagem sobre a prática irregular, os gerentes das lojas deram as mais variadas explicações. A maioria informou que estava apenas “arrumando ou limpando” a loja e, por isso, colocou os produtos para fora apenas temporariamente. Um dos lojistas questionados, inclusive, “convidou” a equipe de reportagem a se retirar do local.

Nilton Arruda, 35, gerente de uma loja na rua Henrique Martins, disse que a mercadoria estava na rua somente naquele horário porque tinha acabado de se mudar para o local e ainda estava arrumando. “Já estou colocando tudo para dentro, só estou organizando as coisas na loja”, disse. Na loja Rima Confecções, a gerente Regina Cardoso, 41, disse que estavam lavando a loja, por isso as araras estavam para fora. “Nossa mercadoria não fica fora, o rapaz lavou a loja e esqueceu de tirar da calçada”, explicou.

Desinformados

Desculpas à parte, o principal argumento dos lojistas entrevistados que mantinham produtos na calçada era a falta de informação. Muitos disseram não saber que a medida era proibida. Outros, como Mara Ferreira, 35, gerente de uma loja na rua Marechal Deodoro, alegaram que a medida é uma forma de atrair clientes.

“O movimento está muito fraco. Mas meus manequins não ficam o dia todo nas calçadas, só pela manhã ou pela tarde, e não atrapalham ninguém nem fica feio” alegou.

Desobstrução será cumprida

De acordo com o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bicharra Filho, o acordo firmado com a prefeitura, com o objetivo de desobstruir as calçadas do Centro, será cumprido.

“Nós estamos querendo uma cidade melhor, sem aquele odor de antes, sem obstáculos nas calçadas e, principalmente, sem sermos abordados por assaltantes durante as compras. Para isso, assumimos o compromisso com a promessa de que os comerciantes não colocariam nada no passeio público”, disse.

Ismael ainda se disse surpreso com o desrespeito por parte de lojistas, que não cumpriram o acordo. “Estou bastantes supreso com o que está acontecendo no Centro e queremos informar que o lojista que não está de acordo terá que se enquadrar para obter o que estávamos almejando, que é o direito de ir e vir do cidadão respeitado. Não pode utilizar os passeio público e vamos procurar os responsáveis por isso para informarmos os fiscais, pois temos que aprender a viver em urbanidade. Estamos trabalhando para sermos uma classe unida e ordeira”, disse Ismael.

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