Terça-feira, 21 de Maio de 2019
Manaus

Após retirada de invasores, áreas na antiga Cidade das Luzes recebe novas demarcações de loteamento

Após a visita de um grupo de pelo menos 50 ex-moradores da comunidade, localizada na Zona Oeste de Manaus, a área que passou por desocupação está demarcada por lotes para um possível retorno das famílias



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Loteamentos na Cidade das Luzes
05/01/2016 às 17:34

Antigos ocupantes da Área de Proteção Ambiental (APA) de 61 mil metros quadrados onde foi criada a invasão denominada Cidade das Luzes, no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, tentaram retornar nesta semana ao terreno, novamente de maneira ilegal. Nesta primeira tentativa de 2016, os invasores deixaram algumas partes do terreno demarcado como lotes.

Na manhã desta terça-feira (5), havia caminhões de sucata ainda retirando entulhos para ser vendido. Além dos veículos pesados, pessoas de outros cantos da cidade, a bordo de carros, também recolhiam quaisquer materiais que ainda poderiam ser reaproveitados, como tijolos, areia, seixos e telhas.

No meio das pessoas que recolhiam entulhos e material reutilizado, se encontrava o autônomo Mariano Fernandes, de 27 anos. Durante três meses ele e a irmã mais velha moraram na Cidade das Luzes. Após 27 dias da desocupação do terreno, esta foi a primeira vez que o autônomo resolveu ir ao terreno para ver se havia ficado alguma coisa da antiga casa.

“Tinhamos investido todo o dinheiro da nossa reserva para conseguir comprar o material e construir nossa casa. Pensava que vindo aqui, iria conseguir recuperar pelo menos a porta e as janelas, mas parece que tudo foi levado por terceiros”, disse.

Depois de sair da invasão, Mariano conseguiu alugar um quarto na comunidade Jesus Me Deus, na Zona Norte da capital. “Agora falta conseguirmos realizar o nosso sonho de ter a nossa casa própria, mas por enquanto estamos sem condições, principalmente financeiras”, comentou.


Desde o dia 11 de dezembro - quando ocorreu a desocupação da Cidade das Luzes -, um grupo de 25 famílias aguardam por ajuda do poder público para conseguir uma moradia para poder buscar trabalho e outros meios para sobreviver.

A autônoma Nete dos Santos, 38, que aguarda um retorno com a família em um dos barracos improvisados num galpão cedido próximo da antiga invasão, comentou que eles tentaram entrar no terreno para pelo menos tirar resto de materiais para vender e conseguir dinheiro, mas foram impedidos pela polícia.

“Aparece outro grupo, que nem sabemos se realmente moravam na Cidade das Luzes, com total liberdade para retirar o que é nosso. Nós não temos para onde ir e muito menos comida, quando conseguimos alguém que nos ajude a retirar as nossas coisas, somos barrados, mas todos os dias são diversos carros de sucata que saem com material da comunidade”, desabafou.

Prefeitura busca soluções

A Prefeitura de Manaus realiza estudos para definir que tipos de intervenções poderão ser realizadas no local, incluindo reflorestamento da área. A partir daí, serão definidas as ações a serem desenvolvidas na área.

No momento, o foco principal do trabalho, no caso da Área de Preservação Ambiental (APA) é impedir que haja o retorno dos invasores ao antigo local da ocupação. A prefeitura unformou que a Polícia Militar (PM) juntamente com a fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) estão monitorando a situação.

Quanto aos danos ambientais, a prefeitura afirmou que foram 57 hectares de florestas devastadas. Os levantamentos dos danos ainda está na fase inicial. “É certo que o impacto causado é enorme refletindo não somente na flora, mas também na fauna”, reforçou a prefeitura.

Pelos menos 110 famílias tiveram que desocupar a área invadida no dia 11 de dezembro.



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