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Manaus
PORTE ILEGAL

Após ser preso, Jardel diz que não sabia de arma, mas polícia descarta ‘prova plantada’

Ex-candidato a governador pego com arma roubada diz que não acompanhou buscas e diz sofrer perseguição de policiais 29/12/2017 às 12:28
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Jardel alegou que estava de costas quando PMs encontraram revólver no carro, mas delegado nega arma “plantada” (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Joana Queiroz Manaus (AM)

Após ser preso e dar versões contraditórias sobre a arma roubada encontrada por policiais militares em um fundo falso do porta luvas de seu próprio carro, o cabeleireiro e ex-candidato a governador do Amazonas Jardelvone Nogueira Deltrudes, o “Jardel”, manteve o depoimento do auto de prisão, no qual diz não saber como o revólver, roubado em 2016, foi parar dentro do veículo que ele comprou há três meses. Ele ainda alegou que os policiais já estavam o seguindo antes mesmo da abordagem e não permitiram que ele acompanhasse a revista, colocando em “xeque” o flagrante.

“Eu estava algemado, deitado na pista e com o rosto voltado para o chão e não permitiram que eu acompanhasse as buscas no meu carro”, afirmou o cabeleireiro, que disse acreditar ter sofrido retaliações.

No entanto, a hipótese de a arma ter sido plantada por policiais militares dentro do carro dele foi descartada pelo titular do 17° Distrito Integrado de Polícia (DIP), Jamilson Pacheco, que presidiu as investigações. De acordo com o delegado, em depoimento prestado no auto de prisão em flagrante, o amigo de Jardel que estava dirigindo o carro do cabeleireiro afirmou que acompanhou as buscas e confirmou que arma estava escondida no fundo falso do porta luvas. A arma foi roubada no ano passado, de um segurança da empresa de transporte de valores Prossegur.

Na tarde de quarta-feira (27), o cabeleireiro foi encaminhado para a audiência de custódia no Fórum Henoch Reis, onde foi colocado em liberdade provisória. De acordo com informações da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), o inquérito será encaminhado para o setor de distribuição e, de lá, será sorteado para uma vara criminal. O órgão não informou prazos para que os trâmites ocorram.

‘Perseguido’ por policial

Autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo e receptação, Jardel atribui a prisão dele a uma disputa envolvendo um terreno, cujo genro da outra parte, que foi identificada como Miriam Prudêncio da Silva, é um policial militar. “Eu comprei o terreno de um conhecido e ele morreu e agora a viúva quer ficar com o terreno”, alegou.

Ontem, Miriam acusou Jardel de ser um estelionatário: segunda ela, ele falsificou os documentos do imóvel para ficar com a propriedade.

Essa “briga” judicial, diz o cabeleireiro, pode estar por trás da prisão dele. Jardel contou que, na noite em que foi preso, ele estava com um amigo e duas amigas e que ele estava no banco de trás com uma das mulheres. O cabeleireiro contou que saiu de casa, no conjunto Shangrilá, bairro Parque 10, Zona Centro-Sul, para ir ao bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste, visitar o neto e, quando estava na avenida das Torres, notou que estava sendo seguido por uma viatura da Polícia Militar.

Quando já estava voltando, na avenida Torquato Tapajós, ele notou que estava sendo novamente seguido e, logo depois, foi abordado por uma viatura da Força Tática. “Paramos em um posto de gasolina. Eu e meu amigo fomos rendidos, colocados no chão e algemados”, disse ele, que ainda acusou os policiais de agressão. “Me deram chute nas costelas quando eu estava no chão”, denunciou. “Eu fiquei por mais de uma hora no xadrez da viatura estacionada no pátio da delegacia, esperando para ser apresentado”, disse.

Acusado de homicídio

O cabeleireiro Jardel é acusado de envolvimentos e em outros crimes. Entre eles o de homicídio contra Juarez da Silva Barbosa, ocorrido em 2001, juntamente com Ronaldo Ferreira da Silva, e Daniel Cativo Marques. Eles tiveram a punibilidade extinta pela juíza da 1ª Vara do Tribunal do Júri Mirza Telma de Oliveira, por conta de haver prescrito.

Agressão à ‘ex’

Jardel também foi denunciado pela ex-mulher na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM) por agressão verbal. Ontem, a ex-mulher de Jardel, por telefone, confirmou ter feito a denúncia, mas disse que a retirou porque registrou o BO em um momento de raiva.

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