Domingo, 26 de Maio de 2019
Manaus

Após tiroteio, moradores relembram momentos de pânico e se dizem ‘ilhados’ pela violência

Durante a manhã de ontem policiais militares fizeram ronda no beco onde houve o tiroteio. Os moradores, que já estavam assustados, temiam um novo confronto entre os bandidos após boatos sobre vingança



1.png
O comandante do CPE, disse que colocou três viaturas da Rocam na área e que os policiais estão fazendo incursões no beco de manhã, à tarde e à noite.
08/07/2015 às 11:21

“Eu me joguei ao chão e me fingi de morta para sobreviver ao tiroteio”. O relato é da dona de casa Mariana* (nome fictício), moradora do beco Boa Sorte, no bairro São José 2, Zona Leste, que foi alvejada com quatro tiros, a maioria de raspão, durante a invasão de homens encapuzados e armados no beco, ocorrida no fim da tarde de domingo. Durante a confusão, oito pessoas foram baleadas e uma criança de dois anos foi pisoteada. Duas pessoas morreram.

Ontem (7), o clima ainda era de medo entre os moradores, e policiais passaram o dia circulando pelas vielas, sob o olhar assustado e atento de moradores como Mariana. Ela recebeu alta na tarde de segunda-feira e, ontem, antes de ser levada por policiais da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) para prestar depoimento, contou como conseguiu sobreviver. Ela disse que estava saindo da casa de uma vizinha quando foi surpreendida pelo grupo de pelo menos dez homens, que já entrou no beco atirando.

O primeiro pensamento foi procurar o filho que brincava no beco com outras crianças. “Eu saí correndo entre as pessoas procurando o meu filho para colocá-lo para dentro de casa. Foi quando recebi o primeiro tiro nas costas”, contou.

Depois vieram os outros disparos. Foi quando ela se jogou no chão e se fingiu de morta enquanto os atiradores passavam. Mariana foi socorrida e levada para o hospital.

Outro morador, que preferiu não revelar o nome temendo represálias, disse que nunca tinha visto coisa assim. “Aqui parecia uma praça de guerra. Tinha gente caída por todos os lados e muito sangue pelas ruas”, contou.  De acordo com ele, todos estão com medo, pois os criminosos ainda andam pelo beco.

Depois da ‘guerra’

No beco, os moradores e quem precisa passar por ali diariamente ainda caminham com medo. A maioria prefere manter o silêncio, temendo ser o próximo alvo dos criminosos. As marcas da barbárie ainda estão nos telhados, nas varandas e nos muros das casas, em formato de buracos de bala.

“Eu preferia que a polícia não saísse mais daqui, principalmente durante a noite. Temo que eles voltem para cumprir o que prometeram”, disse uma mulher que caminhava pelo beco com os filhos. Segundo os moradores, os criminosos prometeram voltar para terminar o “serviço”.

De mudança

Depois do tiroteio, muitos moradores do beco colocaram placas de vendas em seus imóveis. “Não quero mais morar aqui. Estou com medo”, disse um deles. Mariana é outra que não se sente mais segura morando no local. Segundo moradores, a todo momento chegam “recados” de traficantes  ameaçando voltar.

‘Investigações avançadas’

A invasão ao beco  Boa Sorte está sendo investigada pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Ontem, o titular da especializada, Ivo Martins, disse que as investigações avançaram  e que o caso é prioridade dos investigadores da Zona Leste, que estão indo ao local coletar informações das vítimas que já receberam alta médica.

“Nós já temos o desenho e o motivo de como tudo aconteceu. Temos a certeza que a motivação é a disputa pelo tráfico de drogas. Já temos a identificação de pelo menos oito dos que partiram da invasão ao beco”, disse o delegado.

Segundo Ivo, de uma lado estão os traficantes Toddynho e Capuccio pela facção criminosa Família do Norte (FDN) e, do outro, pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) está  Janderson Rolin, o “Passarinho”.

O comandante de Policiamento Especial da PM, Cleitman Coelho, disse que colocou três viaturas da Rocam na área e que os policiais estão fazendo incursões no beco de manhã, à tarde e à noite, revistando suspeitos de envolvimento com o crime e abordando veículos. “Estamos saturando a área para evitar que haja um novo confronto que coloque em risco a vida de pessoas de bem”, disse Cleitman.

‘Fuga algemado’

Lucas Levy, que é apontado pela polícia como o líder do trio que trocou tiros com policiais militares na madrugada do dia 21 de fevereiro de 2013, depois de colidir o carro que eles haviam roubado com uma viatura do Ronda no Bairro, também é protagonista de outro fato, no mínimo, inusitado.

Em janeiro do mesmo ano, ele foi preso em flagrante no 9º Distrito Integrado de Polícia (DIP) por roubo. Levado por policiais à casa dele para pegar alguns documentos, ele conseguiu fugir de dentro da viatura policial, mesmo com as mãos algemadas para trás. Desde então, estava foragido.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.