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Após um ano, vítimas do incêndio na comunidade Artur Bernardes ainda não têm onde morar

Incêndio foi o maior já registrado em Manaus, com 528 residências destruídas 08/11/2013 às 09:28
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Enquanto esperam a entrega das casas, moradores dependem do aluguel social
Jéssica Vasconcelos Manaus, AM

A menos de três semanas do “aniversário” de um ano do maior incêndio registrado na cidade, que destruiu 528 casas na comunidade Artur Bernardes, bairro São Jorge, Zona Oeste, em 27 de novembro de 2012, os moradores do local ainda sofrem com a demora para entrega das novas moradias.

Segundo o presidente da comissão de moradores da comunidade, Leonardo Farias, muitas pessoas ainda estão desempregadas e vivendo somente com a ajuda do aluguel social, no valor R$ 400, concedido pelo Estado. Pelo balanço da associação, 30 famílias estão sem receber o aluguel social, que este mês está atrasado há sete dias e tem previsão para ser pago somente no dia 10 de novembro.

De acordo com Leonardo, o valor é muito baixo e famílias estão passando dificuldade e sendo cobradas pelos locatários, que não aceitam receber o pagamento com atraso.

Apesar dos problemas, os moradores do Artur Bernardes ainda têm esperança de conquistar a casa própria, como é o caso da dona de casa Jane Maria da Rocha, 52, que mora há 20 anos na comunidade e espera ansiosa por uma solução do problema.

Segundo Jane, antes do incêndio sua renda vinha da venda em um brechó em frente da casa vizinha, porém após a tragédia tudo acabou porque os moradores foram embora e hoje ela vive somente com ajuda do auxílio-aluguel, morando com uma amiga, mas sem esquecer do sonho de ter uma loja de roupas.

A vendedora Maria Hiolanda do Nascimento, 52, também sofre os efeitos da tragédia. A moradora, que continua vivendo no mesmo local, diz que a cada chuva o medo da casa desabar aumenta. “Toda vez que ameaça chover eu já começo a rezar para que nada de ruim aconteça”, disse a vendedora.

De acordo com o Leonardo, os principais problemas enfrentados pelas famílias atualmente são a burocracia no processo de indenização e identificação das famílias, pois segundo ele a Suhab tem exigido documentos que os moradores não possuem. “Eles estão exigindo a nota fiscal de compra da casa, muitas pessoas não têm”.

O próprio presidente da comunidade diz a Suhab ofereceu a ele R$ 1,8 mil como indenização pela casa onde morava, valor insuficiente para a compra de uma casa nova. “Algumas pessoas aceitam esses valores e acabam voltando para os igarapés, em situações precárias e insalubres”, declarou.

Obras prontas no fim de 2014
A Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab) contabiliza que 220 familias foram indenizadas, 100 delas optaram pelas unidades que estão em construção no local, e para as 212 restantes estão sendo preparados os processos e pedidos de recursos para a conclusão das desapropriações.

Segundo o coordenador de obras dos igarapés, Elibaldo Martins, o prazo para a conclusão e entrega das casas do Prosamim na comunidade Artur Bernardes é dezembro de 2014.

Apesar da preocupação com chuva e a enchente que especialistas apontam que será grande no próximo ano, o coordenador lembra que as obras estão em um ritmo acelerado e espera que nenhum imprevisto aconteça e o prazo seja cumprido.

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