Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019
EMPREENDEDORA

Após vencer depressão, artesã transforma realidade de ‘Rip Rap’ na Redenção

Com o objetivo de gerar renda aos moradores do bairro, Cristina Pereira desenvolve projeto de empreendedorismo que oferece capacitação profissional e conscientização ambiental



uhdahuauha_00E5FE74-9DED-460D-B24B-AB83BE7BBA15.JPG Foto: Winnetou Almeida / A Crítica
27/07/2019 às 16:04

Um dia a cozinheira Cristina Pereira decidiu ser a mudança que ela desejava ver no mundo e assim nasceu o Programa de Restauração Ecológica e Urbanização Sustentável na Amazônia (Reusa) com o objetivo de gerar renda aos moradores na rua São Vicente de Paula, Redenção, zona Centro-Oeste de Manaus. Atualmente, o projeto ‘’Rip Art’’ (braço forte do Reusa) alcança 40 famílias do bairro com capacitação profissional, artesanato, reciclagem e conscientização ambiental.

A história do ‘’Rip Art’’, inclusive, se funde à trajetória de vida da dona Cristina (como carinhosamente é conhecida na comunidade). Abandonada pelo marido há 13 anos atrás, com dois filhos ainda pequenos, se viu mergulhada numa profunda depressão. A casa onde ela morava teve que ser vendida porque o marido entrou na justiça revindicando partilha do imóvel. 



‘’Com o dinheiro eu só consegui comprar uma casa na beira do igarapé. Entrei em depressão quando me vi rodeada de muita sujeira e lama. Isso me motivou a, há cinco atrás, começar um projeto de aulas de crochê para as senhoras desquitadas da comunidade; depois o projeto só cresceu’’, lembra.

Dona Cristina conta que a busca por um lugar mais digno para viver contagiou os moradores do lugar. Assim, o Reusa, após receber apoio da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), se fortaleceu, ampliando o ‘’Rip Art’’ e gerando outra ação social chamada ‘’TransformAÇÃO’’, que com materiais recicláveis começou a promover uma intervenção urbana sustentável na rua São Vicente de Paula com a pintura dos muros das casas, construção de alambrados na beira do igarapé e uma ponte. 

‘’A sede do Reusa, de três andares, é feita de materiais recicláveis. Fruto de doações de empresários e de empresas. Hoje nós temos muita gente engajada nesse projeto. Ninguém aqui na rua joga nada no igarapé, tudo é aproveitada, ou em artesanato ou em apresentações culturais variadas que realizamos’’, diz ela, ressaltando que o projeto ‘’Rip Art’’ tem a atriz Christiane Torloni como madrinha. ‘’Todos os anos ela nos visita’’.

Uma das mulheres alcançadas pelo ‘’Rip Art’’ é a artesã Celeste Paiva, de 34 anos, que mora na Redenção há oito anos e há três participa ativamente das atividades do Reusa. ‘’Cheguei aqui depressiva e a minha vida se transformou para melhor. Aprendi vários tipos de artesanato com produtos recicláveis. Isso aqui representa a minha superação. É uma família pra mim’’, conta ela, que sustenta cinco filhos com o artesanato que ela aprendeu no projeto.

Colorindo a Redenção

Por ocasião da quinta edição da Virada Sustentável, que acontece até amanhã em Manaus, os muros das casas da rua São Vicente de Paula estavam sendo coloridos e recebendo grafites de diversos grafiteiros de renome. O único pedido feito aos artistas é que os desenhos deveriam retratar o cotidiano da comunidade. 

Um dos artistas presentes no mutirão de pintura na manhã deste sábado era o grafiteiro Waldemir Nascimento, de 28 anos, mais conhecido como Cria. 

‘’Nasci e cresci no bairro Alvorada. Tenho uma relação próxima com o ‘’Rip Art’’. Acredito que a arte transforma vidas e ambientes. Meu pensamento harmoniza com o Reusa, que é um projeto tocado por mulheres, que tem transformado esse lugar num ambiente melhor e agradável para todos os moradores’’, disse ele, enquanto desenhava o rosto da pintora mexicana Frida Kahlo na fachada da casa de Dona Cristina. 

Turismo social

Como parte da programação da Virada Sustentável, também será realizado nesse fim de semana na rua São Vicente de Paula, um passeio para que os visitantes possam conhecer todos os projetos sociais desenvolvidos pelo Programa de Restauração Ecológica e Urbanização Sustentável na Amazônia (Reusa). 

Segundo o arquiteto Sérgio Santos, os muros coloridos da rua lembram o famoso Caminito, um museu a céu aberto feito de casebres coloridos que é um dos cartões postais de Buenos Aires (capital da Argentina). ‘’Os projetos do Reusa têm qualificado os moradores a receberem visitantes frequentemente’’, disse.

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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