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Após ver a filha morrer eletrocutada, agricultora quer ajuda financeira e psicológica

O acidente ocorreu no fim da tarde do último dia 10 de março, quando um fio de alta tensão rompeu no momento em que a agricultora e a filha – que trafegavam sobre uma carroça levada por um boi –, passavam sobre uma poça de lama 11/04/2013 às 11:47
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"Minha filha foi velada em cima de uma mesa de sinuca", lamenta a agricultora
JOELMA MUNIZ Manaus

A agricultora Déborah Aparecida da Silva Brito, 29, viu a filha de dois anos morrer durante o rompimento de um fio elétrico de média tensão no Ramal do Pau Rosa, comunidade instalada no quilômetro 21 da BR 174. Ela reclama não receber assistência psicológica e financeira da empresa Eletrobras Amazonas Energia.

O acidente ocorreu no fim da tarde do último dia 10 de março, quando um fio rompeu no momento em que a agricultora e a filha – que trafegavam sobre uma carroça levada por um boi –, passavam sobre uma poça de lama. “Com a força da descarga fomos jogadas pra dentro da poça, o animal foi o primeiro a morrer, minha filha ainda chamou: ‘mãe, mãe!’. Foi horrível, não pude fazer nada. Ainda não sei como sobrevivi”, relatou.

Déborah Aparecida ainda acusa a Eletrobras Amazonas Energia de não ter resolvido o problema na fiação que rompeu. A agricultora sustenta que o fio por onde passa uma tensão de 13.800 volts foi apenas remendado, o que, segundo ela, pode ocasionar um novo acidente.

Na ocasião, a empresa divulgou nota afirmando que o rompimento da fiação aconteceu por conta da queda de um galho de árvore.

Enterro

A vítima relata que o enterro da pequena Stefany Silva da Silva não foi custeado pela concessionária. “Perdi minha única filha e não pude sequer dar a ela um enterro digno. Os representantes da empresa apareceram minutos antes do enterro e me falaram apenas que sentiam muito pela minha perda”, lembrou.

Déborah alega estar impossibilitada de trabalhar por conta dos traumas físicos e psicológicos. Segundo ela, a morte do boi atrapalha o sustento da família. O animal era usado para o transporte de mercadorias e trabalhos em pequenos sítios.

A agricultora diz que após o episódio emagreceu mais de 20 quilos, ficou com sequela na perna esquerda, com constantes dores de cabeça e sangramentos pelo corpo.


Ela relata que a empresa disponibiliza atendimento médico no Hospital Santa Júlia, localizado na Avenida Ayrão, no Centro de Manaus, mas ela precisa de ajuda financeira e psicológica.

“Uma assistente social da Eletrobras que se identificou para mim como Márcia conseguiu que eu fizesse exames no Santa Júlia. Mesmo assim, eles não me dão qualquer ajuda para que eu possa de fato ir ao médico, quando tenho que ir a uma consulta só não passo o dia com fome, porque os funcionários e pessoas que estão por lá me dão o que comer”. Déborah ainda conta que o carro que devia lhe transportar de casa para o Hospital nem sempre é enviado de boa  vontade.


Eletrobras

Por meio de nota, a Eletrobras Amazonas Energia se limitou a informar que “em casos de acidentes envolvendo terceiros, a prioridade da empresa é de resguardar a vida. Nesse sentido, para o caso em epígrafe, foi oferecido à Sra. Deborah Aparecida uma avaliação médica, que contempla vários exames, os quais estão sendo finalizados nesta semana”.

Contrariando a informação da agricultora, a empresa alega que “para a realização desses exames, em virtude de dificuldade financeira por parte da reclamante, a empresa tem disponibilizado transporte para a locomoção da mesma”.

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