Terça-feira, 21 de Maio de 2019
"tragédia humana"

Arcebispo critica sistema prisional e anuncia missa em memória aos detentos mortos

Para Dom Sérgio Castriani, sistema não recupera o cidadão e "oportuniza escola de crime". Ele ainda criticou a gestão terceirizada dos presídios



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Dom Sérgio classificou as mortes de sessenta detentos como uma "tragédia humana" (Foto: Euzivaldo Queiroz)
02/01/2017 às 19:41

O arcebispo da Arquidiocese de Manaus, Dom Sérgio Eduardo Castriani, considerou o massacre que resultou na morte de pelo menos 60 detentos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), uma “tragédia humana”. “São vidas humanas e isso nos fere profundamente pois conhecemos essas pessoas”. Ele divulgou uma nota no início da noite desta segunda-feira, na qual critica ainda a terceirização da gestão e penitenciária e disse "o sistema não recupera o cidadão". 

Dom Sérgio se referiu aos trabalhos realizados pela Pastoral Carcerária, que trabalha diretamente com os detentos, desenvolvendo atividades ligadas à igreja católica, bem como ações sociais. "A Pastoral Carcerária visita o Sistema Prisional há 40 anos, por isso afirma que o Sistema Prisional não recupera o cidadão, pelo contrário oportuniza escola de crime, em vez de oferecer atividades ocupacionais aos internos".

Para o religioso, falta uma gestão humana no sistema penitenciário. "A terceirização também fragiliza o sistema, onde o preso representa apenas valor econômico". 

Dom Sérgio afirmou ainda que a Igreja Católica fará uma missa em memória aos detentos assassinados, mas ressaltou que o foco agora será em dar consolo aos familiares das vítimas. “Queremos acompanhar de perto, prestar apoio, estar junto dessas pessoas. Somos todos irmãos perante Deus”.

Confira a nota na íntegra

“Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos” (Marcos 7,2)

Diante do massacre ocorrido neste domingo, 1º de janeiro de 2017, no Sistema Penitenciário de Manaus, onde morreram ao menos 60 detentos, a Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Manaus, se pronuncia, em defesa da vida e manifesta solidariedade às famílias enlutadas.

A Pastoral Carcerária, afirma em primeiro lugar que é dever do Estado cuidar e garantir a integridade física de cada detento, oferecendo as condições para cumprimento das suas respectivas penas.

A Pastoral Carcerária visita o Sistema Prisional há 40 anos, por isso afirma que o Sistema Prisional não recupera o cidadão, pelo contrário oportuniza escola de crime, em vez de oferecer atividades ocupacionais aos internos.

Considera ainda que a raiz do problema carcerário no Estado do Amazonas e no Brasil é falta de políticas públicas. A terceirização também fragiliza o sistema, onde o preso representa apenas valor econômico.

Manifestamos nosso repúdio contra a mentalidade daqueles que banalizam a vida, achando que a mesma é descartável, onde se pode matar e praticar todo tipo de crime e violência contra os cidadãos (as).

Enfim, não se pode responder violência, com violência, mas com não-violência, visando uma cultura de paz.

Confiando na misericórdia divina, convidamos todos para uma missa em sufrágio dos falecidos. Esta acontecerá no dia 7 de janeiro, sábado, na Catedral da Imaculada Conceição, às 16h.    

Pastoral Carcerária

Dom Sérgio Eduardo Castriani


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